domingo, 14 de setembro de 2008

Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe...

O nascimento de Vênus - W.A.Bouguereau



Semana passada, o jornal O Dia repercutiu matéria sobre uma americana de 22 anos, codinome Natalie Dylan, que está leiloando sua virgindade. A moça, morena jeitosa, quer usar o dinheiro para pagar a faculdade. Vai conseguir bons lances, porque exceto entre as muitos religiosas e/ou as muito feias, poucas são as mulheres ocidentais que hoje em dia chegam a essa idade sem jamais terem feito sexo com penetração vaginal.

Moderninha, ela tentou fazer o leilão pelo site e-bay que, por razões morais e questões legais, recusou o serviço. Então, ela vai fazer no velho estilo, no tradicional bordel Moonlite Bunny Ranch, distante 7 horas de Las Vegas. Quem quiser, pode tentar antes a sorte nos cassinos, para ver se aumenta seu cacife para o leilão.

Além de gostar dos holofotes da mídia, a moça é lúcida e provocativa ao dar entrevistas. No programa de TV “The Insider”, Natalie declarou: "Não acho que leiloar minha virgindade irá resolver todos os meus problemas, mas irá dar alguma estabilidade financeira. Estou pronta para controvérsia, sei o que virá por aí. Estou pronta para isso. Vivemos numa sociedade capitalista. Por que eu não posso ganhar com a minha virgindade?".

E aí chegamos ao ponto. Seu iminente defloramento faz aflorar (ai, trocadilho!) questões morais interessantes e polêmicas. Qual o valor da virgindade? Que diferença faz vender a primeira vez e vender as vezes subseqüentes? A perda da virgindade para uma mulher ainda é algo ritualístico, no qual se espera que haja amor e delicadeza? “Pagar os estudos” é um motivo nobre, que reduz a “perversidade” de seu gesto ou mesmo a absolve, perante os olhos moralistas da sociedade? Na mesma linha de nobres motivos, podemos enquadrar “comprar uma casa para a minha mãe”, “comprar os remédios do meu pai doente”, “garantir a educação e o sustento dos meus filhos”. Eles tornam aceitável a prostituição? Há diferença moral entre cobrar R$ 10 pelo programa ou R$ 5 mil? Ou é só questão de preço? Leiloar o corpo em público, colocando-se deliberadamente no papel de produto, é mais sórdido do que estabelecer uma relação de negociação discreta com apenas um cliente? A assunção pública de exercer a mais antiga profissão do mundo é um ato de coragem? Ou de “sem-vergonhice”? Esperamos das prostitutas o mesmo que das “moças direitas”, ou seja, desinibição na cama e discrição fora dela? A atitude de Natalie é um retrato de nossos tempos, em que os valores morais se fragilizam e o afã por conseguir seus quinze minutos de fama se impõe a tudo? O leilão eletrônico (via internet) é apenas a atualização dos meios de se fazer transações (ai trocadilho!) comerciais?

Já teve gente que transmitiu sua primeira transa pela internet, filmada toscamente. Vai gostar de aparecer assim lá na ... O próximo passo pode ser Natalie tentar vender para algum canal por assinatura a transmissão ao vivo da sua primeira noite. Será páreo em audiência para a final do Superbowl? Não creio.
Não exploro, nem estimulo a prostituição, mas a Natalie Dylan tem o direito inalienável de fazer o que quiser com o seu corpo: dar, vender, emprestar, alugar ou...leiloar.

2 comentários:

Cláudio disse...

Grande Leandro,
Primeiro quero parabenizá-lo pelo blog. Muito bom!
Quanto a essa questão levantada, gosto daquela frase "quem não tem pecado atire a primeira pedra". Não sei quem está errado ou se estão errados, quem vende ou quem compra. Aliás, talvez seja mais prostituição trabalhar tanto por dinheiro, que é a sina de operários e executivos. Tudo pelo capital!

Flávia Lima disse...

É Leandro, não ouso dizer se há certo ou errado nessa história ou em qualquer outra... Cada um se vira com o que tem e se assume como pode. Essa moça sabe o que quer e ainda digo mais: sabe como fazer!!! Se as novas virgens são assim, não quero nem imaginar o resto!
Adorei o texto!
Ah! Dá um pulinho lá no blog, pois indiquei o Mar de coisa para recebr um selo de qualidade que rola entre os blogs.
Beijão!