segunda-feira, 29 de junho de 2009

Shit happens

A história é verídica e aconteceu no saguão de uma grande empresa no Centro do Rio na semana passada. Se você tem estômago fraco para escatologias, pare a leitura por aqui, porque vai feder.

Uma senhora chegava ao trabalho, e mal cruzou a catraca do edifício, foi acometida por uma violentíssima diarréia, daquelas mais rápidas do que a velocidade da luz ou do pensamento.

Sem poder nada fazer, a não ser seguir em frente, ela (desculpem-me, mas tenho que ser explícito), cagou e andou literal e rapidamente para cruzar o saguão e alcançar o banheiro mais próximo. Que, naquela situação dramática e constrangedora, parecia ficar mais distante do que o ponto onde Judas perdeu as meias (as botas ficaram muito antes pelo caminho).

As fezes pastosas lhe escorriam pelas pernas e sujavam o chão, deixando uma trilha, além de atrair todos os olhares dos que chegavam para trabalhar naquele horário. Olhares que se dividiam entre a consternação, a compaixão e o nojo, com o riso travado entre os lábios dos mais insensíveis.

Outra profissional também chegava ao trabalho instantes depois, lépida, fagueira, e completamente distraída. Talvez estivesse achando que seus saltos altos haviam vencido as temíveis pedras portuguesas que cobrem as calçadas do Centro e são o terror das mulheres. Mas o pior estava por vir naquela manhã.

A moça serelepe escorregou no rastro que a colega deixou e estatelou-se ao chão sobre a bosta!

Como desgraça pouca é bobagem, a moça, além de sujar-se com o cocô alheio, ainda fissurou o braço na queda. Teve que ser retirada do local de maca. Para limpeza e para dissipar o mau cheiro, o saguão foi interditado por alguns minutos.

Esses foram os fatos. Mas vamos além.

Se eu fosse a primeira pobre mulher, estaria trancado até agora naquele banheiro, morto de vergonha, sem coragem de sair, pensando numa maneira de, daquele mesmo lugar, sentado ali no trono, pedir minha transferência para outro planeta.

Se eu fosse a segunda pobre mulher, eu estaria de licença com o braço imobilizado xingando até a décima oitava geração da primeira pobre mulher. E de casa mesmo estaria pedindo transferência para outro planeta do sistema solar, diferente daquele para onde a primeira pobre mulher vai.

Mas, se no meio da galáxia, eu cruzasse com ela e ela me dissesse “Desculpe a merda que eu fiz”, eu iria respirar fundo (mas nem tanto, por causa do cheiro), contar até dez e...perdoá-la.

Afinal, shit happens.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Vida vai



Morreu hoje, aos 62, a atriz norte-americana Farrah Fawcett, que lutava há anos contra o câncer. Farrah celebrizou-se nos anos 1970 com o seriado As Panteras (Charlie’s Angels).

Eu era um moleque que brincava de S.W.A.T com meus primos. Minhas primas brincavam de As Panteras. Farrah era a loura espetacular com quem eu queria me casar quando crescesse.

Também hoje morreu Michael Jackson. E eu sinto o tempo. Farrah fez parte da minha infância e Michael, da minha adolescência e juventude.

De alguma forma, é como se pedaços do meu passado se descolassem de mim. Como escamas. Como camadas de tinta que são descascadas das paredes de uma velha casa. É o jornal de ontem, é o vento, o velho álbum de fotos. São as folhas no outono expondo a nudez das árvores e dos sentimentos.

A vida vai virando lembranças.

Black or white



Ainda sobre Michael Jackson, eu recomendo a leitura do interessante ensaio O Comedor de Criancinhas, de autoria do filósofo Francisco Bosco, publicado no livro Banalogias, edição da Objetiva, em 2007.

“Michael Jackson é o primeiro transracial da história. (...) É verdade, o corpo de Michael revela uma recusa sem precedentes à “raça negra”, mas por isso mesmo, pelo desespero que o levou à desfiguração, denuncia e demonstra o caráter profundamente racista da cultura norte-americana – e é por trazer isso à tona, afinal, que o imenso artista Michael Jackson é imperdoável.”

“I’m not gonna spend my life being a color”

Michael Jackson não morreu



Michael Jackson está morto e eu estou triste. É bem provável que aqueles que têm menos de 30 anos não tenham a exata dimensão de quem foi Michael. Do quanto ele significou para a música pop, para a break dance, para a indústria fonográfica e para a realização de videoclipes. A era dos videoclipes divide-se entre antes e depois de Michael Jackson. E também do quanto abriu caminho para que o hip-hop se tornasse a música mais consumida da América, inclusive entre os brancos.

Para os mais jovens pode ser que Michael Jackson seja apenas o astro decadente, o possível pedófilo (embora tenha sido inocentado ao fim do processo em 2006), o negro que se tornou branco que se tornou uma criatura de aparência andrógina e bizarra, o sujeito de comportamentos esquisitos e gastos extravagantes.

Tudo isso embaça a imagem, mas não diminui a genialidade do artista que Michael Jackson foi. Desde que despontou, menino ainda, caçula entre os irmãos do Jackson Five, Michael revelou um talento muito acima da média. Em carreira solo, gravou álbuns brilhantes até chegar jovem demais ao ápice com Thriller, imbatível na lista dos mais vendidos de todos os tempos. Depois do auge, como é da natureza, não conseguiu superar o que já havia feito anteriormente e, aliada a uma vida pessoal atribulada, veio a decadência.

Michael preparava-se para um retorno a partir de shows que faria em Londres em julho e continuariam até o próximo ano. Não deu tempo. O garoto precoce, que nunca soube ser um adulto, morreu precocemente aos 50 anos.

Elvis, o Rei do Rock, não morreu. Michael Jackson, o Rei do Pop, não morreu.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Bafana Obama

Escrevo estupefato com a surpreendente vitória – no futebol, no soccer mesmo - da seleção dos EUA sobre a Espanha, campeã européia e number one no ranking da Fifa. Placar 2 x 0. “Yes, we can!” eles estão se acostumando a dizer.

Na Copa das Confederações, a Espanha, invicta há 35 partidas, veio batendo facilmente todos os adversários, enquanto os EUA, sem nenhuma tradição no futebol, chegaram às semifinais aos trancos e barrancos, classificando-se no saldo de gols. Futebol é mesmo um caixinha de....

Amanhã, na outra semifinal, tem Brasil versus a África do Sul, time anfitrião, dirigido pelo folclórico e simpático Joel Santana, e empurrado pelas irritantes cornetas (vuvuzelas) que os torcedores tocam ininterruptamente nos estádios.

Estou pensando seriamente em torcer para outro resultado surpreendente no jogo desta quinta. Daria quase na mesma, o técnico é brasileiro e os jogadores estrangeiros. Na nossa seleção canarinho, também o técnico é brasileiro e quase todos os jogadores jogam no estrangeiro. Além disso, as cores da África do Sul também são o verde e o amarelo.

“Trair” a pátria só para ver uma final entre os Bafana Bafana e os Obama Obama. E poder ver, ainda que disputando o bronze, o jogo mais esperado desta Copa: Brasil X Espanha.

domingo, 21 de junho de 2009

Help desk




Eu fico aqui navegando por este mar, marinheiro só, e levo uns tombos no navio.
Eu não sou nenhum almirante singrando o infomar.

Eis que mexendo daqui e dali, na semana passada, acidentalmente me tornei seguidor de mim mesmo. É, isso mesmo. Em nome da amizade que por ventura nos une, não me pergunte como consegui a proeza. Estou eu lá, no meio do seleto grupo de leitores que acompanha este blog. Eu não mereço.

O humorista Groucho Marx nunca se filiaria a um clube que lhe permitisse ser sócio.

Ademais, eu tenho uma reputação a zelar e fica parecendo cabotino, truquezinho chinfrim para aumentar a audiência, eu mesmo me seguir.

Acontece que eu não consigo “me auto-deletar a mim mesmo” como seguidor.

Eis que lanço este pedido de socorro, como uma mensagem dentro de uma garrafa, a blogueiros navegadores mais safos do que eu.

Como é que eu me livro de mim? Eu quero sair do meu pé.

Canudo largado




Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal, em decisão que atende mais aos interesses dos empregadores, acabou com a necessidade do diploma de curso superior para a profissão de jornalistas. Percebi em vários deles, com quem convivo (a começar por minha mulher, jornalista), uma certa sensação de desprestígio, desvalorização, rebaixamento.

Bem-vindos ao clube, meus caros. Nós, publicitários, oferecemos nosso abraço solidário porque, para fazermos os nossos reclames, para seduzirmos a coitadinha da sociedade a servir ao demonizado consumo desenfreado, nunca precisamos de diploma. Besteira isso, nem para ser presidente é preciso diploma.

Entre nós, comunicólogos, apenas os Relações Públicas ainda mantém a exigência do diploma e o registro no conselho da categoria para o exercício das suas atividades, que os maldosos injustamente reduziriam para Recepção e Portaria em eventos e salamaleques cerimoniais. Mas, cuidado, que o Gilmar vem aí. O Ministro alegou que o diploma cerceia a liberdade de expressão (mas a internet já chutou esse limite) e que a prática do jornalismo não é tão danosa, caso ocorram erros, como a medicina ou a engenharia. Argumento fraquinho, porque a imprensa pode destruir reputações. Mas, me explica, se a imprensa é tão inofensiva, por que ele volta e meia reclama dela?

Pode ser que subliminarmente haja na derrocada do diploma uma apologia à ignorância, ou à irrelevância do estudo. Afinal, vivemos, com o acesso às tecnologias, uma era de amadorismo. Somos todos produtores de conteúdo. Bem ao estilo punk, com o mote Do it yourself, que sacudiu o rock em meados dos anos 1970.

Um olhar atento mostra que os espaços mais nobres dos veículos de comunicação são ocupados – e não é de hoje - por articulistas não egressos da faculdade de jornalismo. Por isso, não se desesperem, jornalistas. Não vai mudar muita coisa.

Honestamente, eu acho que jornalistas, publicitários e RP não precisam de diploma, não. Não de seus respectivos cursos. Mas penso que precisam de um diploma universitário. Jornalismo poderia ser um curso de extensão. Depois de ter uma graduação em qualquer área, faz-se um ou dois anos de jornalismo.

Precisamos mesmo é de uma sólida formação em ciências humanas e sociais: antropologia, sociologia, filosofia, psicologia, história, teoria da comunicação etc. E claro, pleno, eu disse pleno, domínio da língua portuguesa. Ética e cultura geral também são indispensáveis, mas nem sempre a escola é o melhor lugar para obtê-las. Da mesma forma que é lendo muito que se aprende a escrever bem.

Há uma visão corrente e equivocada de que jornalismo é tão somente um amontoado de técnicas. Como escrever um lide, como editar umas imagens, como falar diante das câmeras. Como se a profissão se resumisse à produção de uns textinhos ralos ou videozinhos de minuto e meio sobre os desvarios do Senado, o mais recente crime hediondo ou o último escândalo da celebridade para publicar num site. Jornalismo também requer pesquisa, investigação, aprofundamento, estudo, não apenas sobre a pauta, mas também – e muito - sobre o próprio jornalismo que deve ser objeto de reflexão na academia. Que jornalismo é feito hoje, nesses tempos de culto ao vulgar, ao fugaz, ao raso?

Quanto ao diploma, precisar não precisa mais. Mas é fortemente recomendável. Eu nunca achei que devesse rasgar meu diploma de bacharel em comunicação social, com habilitação em publicidade e propaganda. Ele pode ser desnecessário, mas nunca foi inútil.

A culpa é do popozão




O aspone que belisca o braço ou chuta a canela do Lula por baixo da mesa quando ele fala bobagem deve estar em férias ou de licença remunerada. Ultimamente, o homem tem andado com a língua ainda mais solta.

Foi dizer que quem acha petróleo a 10 mil metros de profundidade, também acha a caixa preta de um avião a 4 mil metros no mar.

Nesta última semana, o Sir Ney, disse que a crise é do Senado e não dele, que está na Casa há trocentos mil anos e a preside. Ele não tem nada a ver com isso. Ato contínuo, Lula foi dizer que chega de denuncismo e que o distinto Sir Ney merece tratamento diferente (olha aí o “todos são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros”, de George Orwell, A Revolta dos Bichos).

Mas o Lula está certo. Sir não é uma pessoa comum.

Pior que um comum, mas melhor que o presidente do Irã, o indefensável Ahmadinejad, a quem Lula defendeu.

Salvando a pátria, veio o José Genoíno que enterrou, em nome da salutar alternância de poder, o projeto que permitiria um terceiro mandato. Tudo bem, em 2014, Lula volta. Genoíno agora só precisa ser mais simpático com a turma do CQC.

Depois, o presidente veio dizer que quem desmatou a Amazônia não é bandido. A Marina Silva e o Carlos Minc agradecem penhoradamente a afirmação. O Greenpeace lhe manda flores.

Sei não, mas o presidente está precisando da assessoria mais próxima de um RP. Com diploma.

Mas eu não tenho culpa. A crise não é minha. Devo estar escrevendo tudo isso por puro recalque. Ciúmes mesmo. Tudo porque a Waleska Popozuda saiu na Playboy arrebitando a parte do corpo que lhe dá sobrenome e insinuando um beijo gostoso na foto do Lula. E ainda disse que ele é um “coroa pintoso”.

Pô, coroa pintoso sou eu! Para Waleska saber o que está perdendo, eu vou mandar uma 3x4 minha para ela. Sem autógrafo, só de raiva.

Waleska podia era gravar uma versão da música “Cala a boca e me beija”, da dupla sertaneja Carlos e Jader.
(Assista ao vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=vHkMWCZTBIE&feature=related )

Funk é melhor do que Sertanejo. Ou não.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Homofobia é crime




O blog Pop Life, assinado por Philipe Cruz e hospedado no portal Ig, traz uma foto do ator Mickey Rourke, sentado de pernas cruzadas, coque e blusa decotada, acompanhado de um texto nojentamente preconceituoso insinuando que o ator tornou-se gay.

Eu escrevi lá o ducentésimo décimo segundo comentário (em português, o de nº 212). Li vários dos anteriores que se alternavam em, como eu fiz, criticar a imbecilidade e o preconceito do texto ou em chamar o ator de boiola, pederasta, bichona, traveco, gayzão, viado e outros termos com conotação pejorativa. Tanta idiotice reunida é de dar raiva e de perder mesmo a fé na humanidade.

Eu acho que uma boa parte dos homofóbicos é de homossexuais que não aceitam a si mesmos. E aí ficam vociferando uma masculinidade agressiva e auto-afirmativa e depreciando quem tem outra orientação sexual.

E se o Mickey Rourke for gay? Ou bi? Ou pan? E se o cabelo dele for ridículo? E se a roupa for? E se a cara for? Qual o problema disso? Quem tem alguma coisa a ver com isso?

Viva e deixe viver. Homofobia é crime.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ouvir alto



Eu amo Nando Reis. Você provavelmente ama também, mesmo que não saiba disso. Afinal, além das canções que ele mesmo grava, ainda compõe vários hits para outros artistas: “Aonde você mora?” (Cidade Negra), “Diariamente” (Marisa Monte), “Do seu lado” (Jota Quest), “O segundo sol” (Cássia Eller), “Resposta” (Skank) e “Ainda gosto dela” (Skank) são alguns exemplos.

Declarado o amor, eis que fui rapidamente completar a coleção e comprei “Drês”, o recém-lançado oitavo disco solo.

È mais do mesmo. E o mesmo é bom. Não tem grandes inovações, grandes diferenças em relação aos trabalhos anteriores, só um pouco mais de peso. É estilão Nando Reis, com seus rocks e suas baladas e o coração aberto. Ou melhor, rasgado. Tem música pra filha (desta vez para Sophia, apresentadora da MTV), pra mãe e pelo menos três para Adriana (Dri), a mais recente ex-mulher. Afinal, Nando é do tipo que trocou a eternidade por esta noite.

Poucos artistas tem créditos acumulados e legitimidade o bastante para cometer versos como “Baby, eu queria ser seu violão” ou “Guarde esse amor / ele é todo seu / lindo como a flor / livre como um deus” e ainda assim não soar absolutamente ridículo.

Eu endosso a recomendação impressa na capa do disco: "Ouvir alto".

Além disso, quem já assistiu a algum dos seus shows ou ouviu até furar o excelente álbum “MTV Ao Vivo”, sabe da vibração que rola nos shows dele, especialmente na parte do “Bailão do Ruivão” em que Nando, muito bem acompanhado pelos Os Infernais, incendeia a galera.

Falando nisso, neste final de semana, tem show de Nando Reis no Canecão, aqui no Rio. É mais do mesmo. E o mesmo é muito bom

O cristão modesto (ou O homem-novela)

À minha frente, um carro adesivado com a frase:
“Muitos me seguem. Mas só Deus me acompanha.”

Santa pretensão, Batman! Só Jesus!

Eu o ultrapassei rapidamente.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Investindo na relação

Estávamos na sobremesa quando ela contou romanticamente que o primeiro investimento que ela e o marido haviam feito juntos tinha sido implantar um anticoncepcional subcutâneo, de longa duração, no braço.

O que me chamou atenção foi o uso, por ela, da palavra “investimento”. Terá sido simplesmente porque, pela primeira vez, dividiram a conta? Não a conta de um mero jantar, mas de um projeto de longo prazo, como a compra de uma casa, por exemplo. Ou porque estavam juntos investindo na relação?

Sim, não ter filhos pode ser um investimento na relação. No kids, no cats. Um projeto de não-vida pode ser um projeto de vida. Afinal, é preciso que a união tenha raízes muito sólidas, e um desejo convicto de ambos para encarar as mudanças radicais que os filhos trazem.

Filhos muitas vezes mais separam do que unem os pais. Estes facilmente podem passar a ser sócios na criação da prole. Mas, com freqüência, distanciam-se como homem e mulher.

Sobre ter ou não ter filhos, recomendo a crônica “Sábado é dia de ver menor abandonado nos shopping centers”, publicada dia 13 de junho na coluna Rio Acima, assinada por Marcelo Migliaccio no JB.

http://www.jblog.com.br/rioacima.php?itemid=13444

Vale a leitura e a reflexão.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Pele de Gisele



Gisele Bündchen, ah, Gisele, está na capa da revista francesa Photo nº 460, de junho, totalmente nua. Mas calma, não se empolgue! Seu corpo está coberto por folhagens e efeitos visuais. As fotos, clicadas por Paul Vainer, fazem parte da campanha publicitária criada pela agência W/Brasil para as sandálias Ipanema.

Aproveite e assista no You Tube ao filme de um minuto com o mesmo conceito, mas numa campanha anterior, feita há cerca de um ano, em que seu corpo era coberto por tatuagens. O filme vale a pena também pela trilha, a bela Slow Motion Bossa Nova, de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos.

http://www.youtube.com/watch?v=l3d6-o9NGkk


Para quem é publicitário ou curioso, vale assistir também ao vídeo de 4’42”em que a própria Gisele narra o making of do filme e seu trabalhoso processo de pós-produção.

http://www.youtube.com/watch?v=Dg1IvyYSdvg&feature=related


E como é impossível enjoar de Gisele, outra dica é vê-la por mais um minuto noutra campanha publicitária bastante elegante e sensual, para a joalheria Vivara.

http://www.youtube.com/watch?v=eCnDuPLP3wg

Cansou? Nem eu.

Do mal

Praia de Botafogo, em frente ao “Escada Shopping”, 13 horas. Um homem de paletó e cara de pastor faz pregação política, assessorado por dois panfleteiros e a bandeira de seu partido nanico, o qual não identifiquei.

Ninguém lhe dá atenção, merecidamente.

No tempo em que cruzei a sua frente, pude ouvir o seguinte trecho: “...existe ditadura do bem e ditadura do mal. A de Getúlio Vargas era do bem...”

Isso é que é relativismo. E que perigo é dar ouvidos à voz do mal.

Eu sofro




Não quero falar sobre isso agora.

sábado, 13 de junho de 2009

Jogo duplo



No carro, no caminho de volta para casa, minha mulher me pergunta se já sei o que escrever sobre “Duplicidade”, filme a que acabamos de assistir. Respondo que o filme não merece uma crônica. Ela retruca: “Merece sim, é muito chato.”

Então, é isso: “Duplicidade” é duplamente chato. Estrelado por Clive Owen e Julia Roberts (que infelizmente deixou de ser uma – tão – linda mulher), o thriller sobre espionagem industrial se arrasta.

Tem méritos, claro. O final, por exemplo, é surpreendente. Fique tranquilo, não vou contá-lo. Do filme, com alguma boa vontade, é possível extrair matéria para alguma reflexão sobre ética nos negócios, inteligência competitiva, vaidade, traição e confiança.

Owen e Roberts formam um casal de ex-espiões golpistas que, obviamente, não confiam um no outro. E talvez justamente por isso, sejam, reciprocamente, os pares perfeitos. Porque só assim, sendo como são, podem compreender-se mutuamente.

E é precisamente sobre confiança a cena mais emblemática do filme. Julia Roberts diz a ele: “Faria alguma diferença se eu dissesse que te amo?” Clive Owen responde: “Se você dissesse ou se eu acreditasse?”

Bingo.

Importa mais o que você lê do que isso que eu escrevo.

Sem causa

No ano passado, assisti a um evento no qual o compositor, sambista e escritor Nei Lopes, um dos alicerces da militância da causa dos negros no Brasil, defendeu a arte engajada como a única que fazia sentido.

Embora admire a estatura intelectual de Nei Lopes e sua luta aguerrida pela igualdade racial, discordo de que a arte necessite estar a serviço do engajamento político, seja qual for. A arte é livre e justifica-se em si. O belo não precisa de causa. Arte não é manifesto. É incômodo. É sentimento. É construção. É ressignificação. E pode ou não estar atrelada a alguma causa.

Eu prefiro ir mais na linha de Oscar Wilde: “Toda arte é completamente inútil”.

Esse comprido nariz de cera do texto é porque na revista Veja da semana passada, há a seguinte declaração da cantora e compositora Rita Lee: “Acho um saco o artista carregar sua plataforma política por onde vai. Aliás, existe alguém mais chato do que o Bono Vox?”

Sim, claro que sim. A Rita Lee. Mesmo sem plataforma.

Viva tempo o bastante para...

E já que estamos falando em amor e em vida, assistam a este clip, "Lifetime", de 3'38". Inteligente, sensível, bem executado, ótima música e mensagem melhor ainda.

video

Amor da vida



Esse papo de Dia dos Namorados e canções de amor me fez lembrar de uma história bonita e inusitada que, claro, está ligada a uma balada.

Nos início dos anos 1970, Freddie Mercury, vocalista do Queen, namorou por seis anos uma mulher chamada Mary Austin (foto). O namoro acabou quando ele resolveu assumir que preferia parceiros do mesmo sexo.

Ao longo da vida, Mary Austin continuou sendo a sua melhor amiga e foi a primeira pessoa para quem ele revelou estar soropositivo, muito antes dos seus companheiros de banda.

Ao morrer em 1991, em decorrência da Aids, Freddie deixou para Mary a sua mansão na Inglaterra e a maior parte de sua fortuna.

Apesar de sexualmente incompatível, o amor deles durou até ele morrer.

Era para Mary que Freddie sempre cantava “Love of my life”.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Namorados pra sempre



A foto acima é espontânea, não foi posada. O click é do sensível olhar da fotógrafa Daniela Vilar, em um evento em Porto Alegre em março deste ano.

A foto me tocou desde o primeiro momento em que a vi.

E é perfeita para o Dia dos Namorados.

Afinal, lá no fundo, não é isso o que todos queremos?

Uma canção de amor



Hoje é Dia dos Namorados, então “...cante uma canção bonita, falando da vida em ré maior...”, mas que, de preferência, não seja esta, “Intuição”, do Oswaldo Montenegro.

Todo casal que se preza tem uma canção ligada à sua história, a música que faz lembrar um do outro. Mas se seus dotes vocais não são privilegiados e você não se garante para cantar em palcos melhores que embaixo do seu chuveiro, não cante.

Nem contrate uma serenata, porque é cafona pacas e não estamos na simpática Conservatória, cidade das serestas no interior do Estado do Rio.

Ao invés de cantar, vai por mim, é bem melhor você pôr uma música para tocar. Até porque assim, você fica com a boca liberada para outras atividades mais prazerosas.

É dia de ouvir “My funny valentine”, na voz do Sinatra, clássicos não envelhecem. Eu dou um doce para quem conseguir – e me passar – uma gravação dessa música cantada pela rouca e sexy Demi Moore em um obscuro filme do início da década de 1980, chamado “No small affair”.

Outra que eu recomendo é “She”, na voz de Elvis Costello. Para mim é uma das mais belas canções de amor jamais escritas.

E você, qual a sua música pra hoje?

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O blog no jornal



Esta imagem é da capa do Caderno C, o de cultura do Correio Braziliense, que traz,em sua edição de 9 de junho de 2009,a matéria "Poesia à solta",sobre blogs poéticos.

Para quem não sabe, o Correio é o jornal mais lido de Brasília, cidade em que este carioca viveu por quase oito anos e que continua amando.

Fiquei muito contente em ser um dos entrevistados para a reportagem. A seguir, destaco o texto da matéria em que sou citado e o poema que o jornal escolheu para ilustrar.

"Autor do bem-recebido livro de poesia Lâmina do Adeus, o poeta e publicitário Leandro Wirz (que trocou recentemente Brasília pelo Rio) fez do seu blog escoamento da produção poética. Às vezes posta imediatamente quando escreve, às vezes deixa maturar na gaveta até enviar para a rede, na qual mantém fiel e qualificado grupo de leitores.

— Ando desanimado em publicar livro impresso, há tantos lançamentos, tanta gente escrevendo e tudo é tão moroso, da edição às vendas. O blog surge por essa necessidade de atualidade, urgência. A poesia chega às pessoas que estão fora do círculo de amigos. Os versos seguem caminhos por mares nunca navegados. É fascinante, conta Leandro Wirz. "


http://leandrowirz.blogspot.com/
Do poeta Leandro Wirz

GANHOS

Pegue outro pequeno pedaço
do meu coração,
que diferença faz?
O que tive, perdi,
não tenho mais.
Você tem a chance de ser feliz,
não perca este instante.
Não hesite em vender a alma.
Mente quem diz
que temos todo o tempo.
Perca a calma,
perca-se por nós.

Comentando comentários

Vez ou outra, vou a seção de comentários sobre notícias em jornais e revistas, para ter um termômetro de como as pessoas vêem determinados fatos e qual sua opinião. Claro que não há nenhum valor estatístico nisso, não é uma pesquisa com metodologia séria, é apenas um olhar.

Na maior parte das vezes, o que vejo me assusta. Outro dia, fui bisbilhotar quando vi que havia 494 comentários de leitores de um jornal para a notícia de que os primeiros 17 corpos foram resgatados do vôo 447 da Air France. Não li mais do que vinte comentários. Foi o bastante.

A maior parte deles elogiava a competência e a dedicação da Marinha e da Aeronáutica brasileiras nas buscas, a despeito das condições adversas e suposta limitação tecnológica. Até aí, tudo certo. As Forças Armadas têm realmente se empenhado e feito um ótimo trabalho.

Mas tinha um cara que vociferava que “deveriam prender o presidente desta Air France.” Por quê?! Vão prender os presidentes de todas companhias aéreas que perdem aviões? Na seqüência, ele dá “viva ao meu país, ao meu presidente e às forças armas em ajudar a limpar toda esta sujeira criada por uma cia francesa”.

Ele ainda se proclamava orgulhoso de ser brasileiro e escrevia que odeia quando menosprezam o seu país e seus dirigentes. Nossa, isso fede a fascismo e xenofobia. Que medo...

Uma mulher dizia que acredita em milagres e que espera que encontrem a caixa preta, “até porque o próprio Lula disse: encontramos petróleo em altas profundidades, por que não encontraríamos uma caixa preta que inclusive emite sons?” Este comentário prova que mesmo quando o presidente São Lula fala imensas bobagens, ainda assim, tem gente que acredita. Isso explica muito sobre o Brasil. No mais, alguém me esclarece o que são “altas profundidades”?

Outra moça, curiosa mórbida, perguntava “qual o estado dos corpos quando foram achados, como eles estavam?”

Finalmente, um sujeito fez seus comentários e encerrou dizendo que ia trabalhar e que desejava bom dia a todos. Devia pensar que estava num chat, numa sala de bate-papo.

Minutos depois, o sujeito solitário voltou só para desejar bom dia a todos de novo.

Parei de ler. Se ele continuasse, ia acabar estragando o meu dia...

domingo, 7 de junho de 2009

Orgia


Quando adolescente, lembro-me de ter um lido uma tira do Hagar, o Horrível. Perguntado por Eddie Sortudo porque ele carregava o apelido de O Horrível, Hagar responde que é porque ele gosta de calda de chocolate. Surpreso, Eddie questiona o que isso tem demais, e então Hagar esclarece: “Na pizza”.

Hoje, essa excentricidade gastronômica não choca ninguém. As esquisitices que proliferam nos rodízios de pizza são prova disso. Noite dessas, encarei com meu padrasto um rodízio. Apesar de seus 82 anos, meu padrasto só gosta de comer tudo aquilo que o médico não recomendaria. Para ele, tem que ser salgado, pesado e gorduroso. Quanto mais trash melhor.

Eu ia bem, fiel às clássicas calabresa, portuguesa, marguerita até que lá pelo quarto ou nono chopp, não me lembro bem, comecei a trilhar o caminho do experimentalismo.

Meu padrasto já há muito havia caído em cima da pizza com camarão, com atum, com sardinha, com batata frita, com ovo de codorna, quando veio então a pizza de churrasco!

Sim, a tal pizza de churrasco consiste de uns pedaços de carne com molho vinagrete sobre a pizza. Eu comi. E devo confessar que mais de um pedaço. Santo Deus, eu gostei!!!

Não satisfeito com a heresia, ataquei as doces. Não só as deliciosas de banana com canela ou de morango com calda de chocolate (dica do Hagar), mas uma pizza com mousse de abacaxi!!!

Estou passando mal até hoje.

E pela primeira vez questionei a veracidade da frase: “Pizza é como sexo. Mesmo quando é ruim, é bom”.

Vai trabalhar, flanelinha!



Lançamento da t-shirteria Q-Vizu. estampa a frase "Vai trabalhar, flanelinha!" Em um primeiro momento, a idéia parece arrebatadora e a vontade é aderir de imediato, após tantos anos sendo abordado pelos flanelinhas.

A proprietária da grife disse que a camiseta fez sucesso em Sampa e agora chega às lojas do Rio, cuja população também sofre com o assédio (pra dizer o mínimo) dos flanelinhas, esses simpáticos que praticamente extorquem seu dinheiro para que vc possa estacionar o seu carro em um local público e livre.

Mas tem uma coisa aí que me incomoda, especialmente na frase que vem embaixo em tamanho menor: "Até tenho dinheiro, mas prefiro gastar em cerveja". É uma frase agressiva, que despreza o outro, torna-o inferior. Ainda que, muitas vezes, seja verdadeira. Talvez o incômodo resida justamente no fato da camiseta desnudar um pensamento comum.

Não, eu não defendo os flanelinhas. Preferia que eles não existissem. Acho ingenuidade demais o papo de que "coitado, o sujeito está lá por falta de opção, por não encontrar emprego, por ter família pra sustentar, culpa do neoliberalismo etc etc etc." Menos, né? Muitas e muitas vezes, está ali bancando o dono da rua para faturar uma grana fácil. É verdade que a maior parte dos desempregados está nessa condição por falta de opção, mas também há vagabundos que não “querem nada com a hora do Brasil”.

Quem determina onde se pode ou não estacionar são as placas de é permitido ou não é permitido. São as leis do trânsito. A civilidade. Ninguém pode se auto-proclamar dono do espaço, dono da praça, da rua e cobrar por estacionar (desde que, repito, o estacionamento no local seja permitido).

Pior, ninguém pode extorquir dinheiro para pretensamente garantir a segurança do carro. Já fui cercado literalmente em alguns locais, por pessoas sem nenhuma autoridade ou legitimidade para tal, que exigiram R$5, R$10, R$15 para que eu pudesse parar o carro naquela área da qual alguém simplesmente decidiu apropriar-se.

Muitas vezes quando a gente volta o “guardador” não está mais lá. Embora tenha cobrado a grana na chegada. Sem falar das incontáveis vezes em que estacionei e quando estava indo embora apareceu do nada, correndo, um sujeito para cobrar uns trocados.

O sindicato da categoria que me perdoe, mas os guardadores autônomos são uma evolução legalizada dos flanelinhas. São uma tentativa de tornar licito algo que em essência começou como atividade ilegal. Um sujeito cobrar para não roubar ou para fingir que não deixa o seu carro ser roubado. Com o tempo, a atividade prosperou e se tornou uma indústria lucrativa. Para todos, exceto, claro, para o motorista pagante. Daí, o governo loteou e licitou áreas que poderiam ser exploradas, regulamentou a atividade, criaram-se empresas e máfias etc etc

E muitas vezes, os guardadores autônomos também agem de maneira imprópria, alegando estar sem o tíquete para colocar no pára-brisa, simplesmente embolsam os regulamentares R$2, sem registrar o estacionamento e tchau.

Ainda assim, apesar do absurdo e do abuso dos flanelinhas, a camiseta me parece agressiva e preconceituosa como, mesmo sem admitir, nós burgueses classe média muitas vezes somos.

ps.: uma boa trilha sonora para este texto é “Até quando esperar?”, da Plebe Rude.

sábado, 6 de junho de 2009

Injustiça divina

Um amigo me disse: "O que me espanta em Deus é que não cai um avião lotado com 200 deputados ou senadores a bordo."

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Eu precisava saber



Andei vendo pela cidade uns outdoors com a frase “Síndrome de Burnout,você precisa saber!”. Na seqüência, indicava o site saudedoprofessor.com.br e a assinatura do sindicato da categoria.

O dicionário Michaelis traz três definições possíveis para burnout, a saber: destruição total pelo fogo; cauterização; e defeito em circuito elétrico por excesso de calor.

Na minha cabeça, a tradução da síndrome era algo como síndrome de estresse total ou do surto. Diante da minha santa ignorância e da pressão intimidatória do outdoor, eu, que já fui professor, já estava ficando pilhado no maior estresse e precisava desesperadamente saber:

- Que porra é essa de Síndrome de Burnout?

Vai que tive ou tenho a tal? Vai que é contagiosa? Então fui ao site indicado e meus problemas acabaram:

“A síndrome de Burnout se caracteriza pelo estresse crônico vivenciado por profissionais que lidam de forma intensa e constante com as dificuldades e problemas alheios, nas diversas situações de atendimento.

A síndrome se efetiva e se estabelece no estágio mais avançado do estresse, sendo notada primeiramente pelos colegas de trabalho, depois pelas pessoas atendidas pelo profissional e, em seu estágio mais avançado, pela própria pessoa quando então decide buscar ajuda profissional especializada.

Inicia-se com o desânimo e a desmotivação com o trabalho e pode culminar em doenças psicossomáticas, levando o profissional a faltas frequentes, afastamento temporário das funções e até à aposentadoria, por invalidez.”

Ufa, que alívio! Como pude viver até hoje sem saber disso?

Mas pera lá! Essa tal de Burnout não é exclusividade dos professores. Quase todo mundo hoje anda estressadão. Cronicamente.

Onde foi que erramos?

Kung Foi



David Carradine, o ultra cool ator que estrelou a série de TV Kung Fu no início dos anos 1970 e interpretou o Bill, na saga Kill Bill I e II, de Quentin Tarantino, em 2003, foi encontrado morto ontem em seu quarto no hotel Nai Lert Park, em Bangkok. Carradine, que participou de mais de 100 filmes ao longo da carreira, estava na Tailândia para as filmagens de seu novo trabalho, Strecht.

O ator tinha 72 anos e as primeiras notícias, divulgadas pela polícia tailandesa, informam que ele se enforcou. Esta versão é negada pelo agente e pela família do ator que optaram por comunicar que ele faleceu de causas naturais.

A lâmina da frieza no olhar, o modo impassível de ser cruel, não tem quem faça igual. A cena da morte de seu personagem, em Kill Bill II é memorável. Deveria ser com aquela altivez, com aquela consciência e com aquela serenidade que todos nós encarássemos a morte.

No mais, descanse em paz, "Gafanhoto".

Jobim, o "sensível"

É compreensível que os familiares da tragédia do vôo da Air France estejam ansiosos por informações sobre o acidente, sobre o resgate, e alguns ainda mantém-se agarrados a um fiapo de esperança.

Mas nem sempre ter as informações é benéfico. O Ministro Nelson Jobim deu ontem uma grande demonstração de que informação demais, informação desnecessária, pode ser pior do que a ignorância.

Disse o Ministro: “O que estamos tentando é a busca de sobreviventes. Ou melhor, de restos. É muito difícil encontrar corpos que afundam no mar.”

Em outro momento, Jobim esbanjou seus conhecimentos, provavelmente recém aprendidos, para explicar que o recolhimento de corpos depende da integridade do abdome. Se houver perfurações no abdome o corpo afunda de forma irreversível. Se o abdome estiver íntegro, há chances de o corpo boiar após 48 horas, tempo em que formam gases que o trazem de volta à tona.

Continuou o Ministro: “Mas há casos que os corpos só voltam seis dias depois. Serão recolhidos os que bóiam. Devemos lembrar que estamos na costa de Pernambuco. Todo mundo sabe o que estou dizendo” – disse o Ministro, tentando ser sutil, ao referir-se à presença de tubarões naquela área.

Tecnicamente, pode não haver nenhuma incorreção na fala do Ministro. Mas era preciso dizer isso? Ao mencionar abdomes íntegros ou perfurados, ao insinuar que os corpos podem ter sido devorados por tubarões, o Ministro faz com que os ouvintes, naturalmente, visualizem as terríveis cenas e tenham sua dor amplificada.

Qual a utilidade dessas informações, exceto para alguém que tenha planos homicidas e pretende livrar-se de um cadáver?

Francamente, o Ministro podia ter poupado os familiares das vítimas desses detalhes desnecessários. Certamente, o Ministro passou por um ou vários media training ao longo de sua carreira. Mas o treinamento não anulou a falta de sensibilidade.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Inadiável



A notícia da morte chega de avião numa manhã cinzenta de segunda-feira. Vem difusa, entre nuvens de tempestade e informações dispersas, à espera agoniada de uma confirmação. Ou melhor, vem com a vã esperança de que tudo não passe de um pesadelo.

Aos poucos, o número de mortos, antes abstração matemática, dado estatístico, se humaniza. A morte ganha contornos nítidos, feições. A morte tem nome. E é alguém próximo, querido. Alguém com história, trajetória, planos. Alguém que sorri. E aí dói mais, dói muito mais.

A morte quando chega perto nos deixa ver com mais clareza que a vida é inadiável.

Desapareceu na noite de ontem, quando sobrevoava o Atlântico o vôo AF 447 da Air France. Meu respeito pelas vítimas do acidente e minha solidariedade aos seus familiares. Que tenham paz.

Mulheres normais, simplesmente



Na capa da Marie Claire de maio, está Scarlett Johansson com a declaração: “Sou baixinha e cheia de curvas. Não faço dietas radicais”. Talentosa, linda e não é mulher-saladinha. Perfeita! Ou mais que perfeita se houver algo assim, além do pretérito.

Por outro lado, na capa da revista Boa Forma do mesmo mês, está a morena tropicana Cléo Pires, que motivou o jornalista André Forastieri a escrever em seu blog no UOL, em 11 de maio: “Cleo Pires, 6 kg mais magra e agora feia”. Pode crer, Cleo era mais gata com 6 kg a mais.

Já repararam como a pauta principal das revistas femininas é magreza? Quanta pressão!

Não vou ser hipócrita, e bancar o Botero que só pintava pessoas rechonchudas. Não acho que celulites e estrias sejam gostosuras em braile. Acho que as musas popozudas do funk já perderam, literalmente, as medidas. Também acho a melancia uma fruta grande demais, exagerada. Ou seja, a Garota homônima à fruta é, na minha concepção, gorda.

Mas entre as esquálidas modelos cabide que desfilam sem nenhuma graça nas passarelas e as portentosas calípigias que se exibem à frente das baterias, há toda uma escala de... gostosas.

Isso, simplesmente, mulheres gostosas. Nem magrelas, nem cheinhas. Normais. Gostosas. Homem gosta de carne. Não de osso. Não de gordura. Carne. Ter o que apertar.

E, no entanto, eu não conheço mulher que não cisme que “precisa” perder pelo menos dois quilinhos.

Patente