terça-feira, 14 de julho de 2009

Tomo guaraná



“Tomo guaraná, suco de caju, goiabada para sobremesa”, cantava Tim Maia.

Guaraná natural é a minha bebida não alcoólica favorita. Consumo diariamente qualquer coisa que tenha o prefixo Guara: Vita, Viton, Plus, Power e... Gay?!

Como assim ?! (Sem duplo sentido, por favor)

Li no O Globo, de 12/7, que a empresa Viton 44, que produz os guaranás Viton e Vita está lançando o Guaragay. Segundo o proprietário da empresa, Neville Proa, um comprador encheu o caminhão com o produto e foi vendê-lo na última Parada Gay de São Paulo. Mas, por enquanto, de acordo com ele, o produto ainda não tem uma saída expressiva e, no momento, é mais vendido “para pessoas que querem fazer uma brincadeira com os amigos, com o chefe”. Ou seja, é o Guarazoação.

Fala sério. Isso não é exatamente uma ação afirmativa, anti-preconceito. A maioria dos gays que conheço quer estar inserida em uma sociedade que não faça distinções entre heteros e homos.

Enfim, não consigo pensar em nenhum dos meus amigos gays bebendo um guaraná que seja “exclusivo” para eles. Por que um guaraná para gays? Ou uma cerveja? Ou um refrigerante sabor cola? Acaso o paladar deles é diferente? Claro que não. Não faz o menor sentido. Será que alguém vai usar o Guaragay para dar pinta ou sair do armário? Será que o sujeito vai ter a brilhante idéia de lançar o Guarasapa? Que tal o Guarabofe?

A embalagem deste refresco (opa!) de guaraná rosa com o arco-íris é também um primor de mau gosto. Nada que surpreenda quem já viu os anúncios na TV do Guaraviton e do Guaravita. Os produtos parecem praticamente colados grotescamente sobre belas paisagens. Nenhum publicitário sóbrio assinaria um anúncio daqueles. Mas descobri, lendo a matéria, que o próprio Neville diz que cuida do marketing da empresa e das campanhas publicitárias.

Espero que o produto não emplaque. Que seja o Guaranão.

Mudando de assunto, mas ainda sobre guaraná. Logo que me mudei para Brasília, em 1999, fui a um restaurante e pedi um guaraná natural. O garçom prontamente me trouxe um Antártica sem gelo. Foi o meu primeiro choque cultural no Planalto.

2 comentários:

omenaluis disse...

Hahaha... sensacional a interpretação de guaraná natural pelo garçom de Brasília.

Ciça Calvoso disse...

Pois é, guaraná natural ou mate natural em Brasília, só na tosca e tradicional (e deliciosa) pizzaria Dom Bosco.