sábado, 27 de fevereiro de 2010

Devassidão gelada

A cervejaria Devassa contratou a socialite-faz-nada-só-gosta-de-aparecer Paris Hilton como garota propaganda. Os executivos da companhia traduziram “devassa” como “hot” e ela topou. Just for fun, presumo, porque de grana ela não precisa. Se por um lado a escolha é acertada em função da reputação da moça, regada a baladas jet-set, bagaceiras e vídeos pornôs amadores que vazaram na web, por outro lado, ela não é o estilo brasileiro e, internacionalmente, há quem diga que ela é notícia de ontem.


Mas a campanha está fazendo barulhinho bom. No Carnaval carioca, muita gente se incomodou com a presença da loura-magricela-desbundada-desocupada (vale dizer que se eu tivesse a grana que ela tem – com papai sendo dono da rede de hotéis Hilton – eu também seria um desocupado).

O filme foi ao ar e o Conselho Nacional de Autorregulamentação publicitária recebeu queixas e abriu três processos, porque supostamente o filme estimula o consumo excessivo de álcool e denigre a imagem da mulher. É porque no item 3, relativo ao Princípio da Responsabilidade Social, do Anexo A, sobre bebidas alcoólicas, o Código registra: “eventuais apelos à sensualidade não constituirão o principal conteúdo da mensagem; modelos publicitários jamais serão tratados como objeto sexual;”

O filme é bem realizado (embora a cena da praia embasbacada seja over), bonito, tem ótima trilha sonora, Paris Hilton está sensual e, quanto ao aspecto moral, julgue você mesmo. Por mim, o filme fica no ar, sem problema algum. Aliás, a polêmica só o beneficia.

Eu acho que toda mulher tem que saber como e quando ser bem devassa. Homens também.

No mais, a Devassa é como a Paris. Nem é tão gostosa assim, mas daria para encarar numa boa. Se eu fosse solteiro.




Ps.: Em 1/3, a Schin/Devassa anunciou a retirada do ar deste filme, embora tenha afirmado que o filme não é ofensivo ao Código do Conar. E você, o que acha?

17 comentários:

George Schafflor disse...

Wirz,
Pergunto: não há mensagem de advertência do tipo "se beber, não dirija"? Outra: todos sabem o que é um adulto?
É, o filme é bonito à beça, tem a cara do RJ, mas não tem as mulheres daqui - corretamente anotado. Mas aí, acho que acertaram ao provocar um aspecto mais sensual do que erótico - o diretor de criação deve considerar que este aspecto já é "valor agregado" da marca Paris Hilton.
Agora, como eu dizia para os seus, e meus, ex-alunos: dá vontade, então é bom!
Abraços.

Ciça Calvoso disse...

Concordo com o George, colega aí de cima. E tem mais, a cerveja se chama Devassa e tem no rótulo mulheres super pin ups. Como fazer propaganda de um produto desse de outra forma, sem explorar a sensualidade da mulher assim? Confesso que a cerveja me incomodou um pouco no início, mas ok, passou. O filme é bem bonito sim e é até meno male que a Devassa não seja uma personalidade brasileira. E como o Gerorge falou, sensualidade é "valor agregado" da Paris Hilton. Eu colocaria até umas aspas em "sensualidade".

Marcelo Grossi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcelo Grossi disse...

Hoje, mandei e-mails para João Pereira Coutinho (Ilustrada) e Sérgio Malbergier (Dinheiro), da Folha de São Paulo. Malbergier respondeu prontamente.

Espanta-me que ninguém tenha mencionado até agora o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária; talvez por falta de tempo ou de vontade para apurar os fatos. Em relação a bebidas alcoólicas, tem-se, no Código, que “a publicidade não deverá induzir, de qualquer forma, ao consumo exagerado ou irresponsável”. Ele determina que a publicidade de bebidas deve ser regida pelo princípio do consumo com responsabilidade social, que “eventuais apelos à sensualidade não constituirão o principal conteúdo da mensagem” e “modelos publicitários jamais serão tratados como objeto sexual”.

A liminar que determinou a suspensão da campanha vale até o julgamento dos quatro processos (e não três), que deve acontecer na próxima reunião do Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar), marcada para o fim de março. Resignado com o "tiro no pé", depois de investir milhões numa agência publicitária que desenvolveu uma campanha sexista protagonizada por uma socialite estadunidense e gravada em Los Angeles (sim, o cenário carioca foi forjado em ilha de edição), o Grupo Schincariol concordou tacitamente com a decisão liminar e suspendeu a veiculação da campanha.

Hoje, às 23 horas, no Entre Aspas, na Globo News, a Subsecretária de Monitoramento e Ações Temáticas da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), Aparecida Gonçalves, defende a decisão liminar do Conar.

O programa promete. Se puder, não perca.

Marcelo Grossi disse...

E, Wirz, "denigre" não pode; que nem "judiar".

omenaluis disse...

Respeito as opiniões contrárias, mas sou defensor do filme e dos "reais costumes", porque os "bons costumes" só existem no saudosismo de uns poucos honestos e de muitos mentirosos. Como publicitário, gostei de toda a estratégia de marketing do lançamento. O filme é bonito (feito ou não no Rio). A trilha é ótima. A personagem idem. Afinal, não poderia haver personagem melhor do que Paris Hilton para uma cerveja chamada "Devassa". Acho que o tempo entre o teaser e a campanha propriamente dita foi perfeito. O tempo exato de despertar a curiosidade do consumidor. O lançamento no carnaval foi outro tiro certo.
Acontece que algumas pessoas que não são público-alvo do produto não gostaram da campanha. Ok. Não precisa gostar. O filme não foi feito para eles. Quem bebe cerveja gostou do filme. Não ouvi ninguém falar mal do filme numa mesa de bar.

omenaluis disse...

A respeito das recomendações do CONAR, é fantasioso acreditar que apenas a cerveja Devassa utilizou uma mulher como objeto sexual em sua propaganda. Eu nem acho que usou, afinal todo o filme é baseado na sensualidade e mostrar a sensualidade de uma mulher como a Paris é muito diferente de explorá-la como objeto sexual.
Alguem viu os últimos filmes da Cintra? O que fazem aquelas mulheres de biquiniho e bundão que aparecem sempre de costas no filme? Não seria a exploração da mulher como objeto sexual? Ou apenas objetos de "decoração". Não. Porque ninguém gosta de Cintra e não tá nem aí para o comercial deles. Aí passa, né? Não dá IBOPE. E a campanha da BOA (antártica)? que jamais fez referência a BOA forma de Juliana Paes, Karina Bacchi e cia.? Ou fez?
Na boa (sem trocadilho com a Antártica), consumir cerveja de forma socialmente responsável, como recomenda o CONAR, só no mundo da fantasia, né. Eu bebo cerveja para me divertir, não para ser socialmente responsável. Sou socialmente responsável quando faço minhas doações ou ajudo a quem precisa. E que atire a primeira pedra o publicitário que pensa que suas campanhas devem estimular o consumo moderado de qualquer coisa. Se fosse assim, porquê teríamos publicidade de remédio?

Marcelo Grossi disse...

Omenaluis, sua opinião é puro proselitismo corporativista.

http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1513456-17665-309,00.html

omenaluis disse...

Marcelo, como eu disse antes, eu respeito a sua opinião, apesar de discordar dela. Achei o debate no Entre Aspas bem interessante (obrigado pela dica), apesar da Sra. Aparecida Gonçalves, Secretária Especial de Políticas para as Mulheres, não conseguir conjugar os plurais (confesso que isso me incomodou um pouco, afinal ela representa uma classe).
Acho que a sua "luta" pela moralidade e em defesa da família brasileira ajuda muito na divulgação da Devassa, que nem é a minha cerveja preferida. Prefiro a Itaipava. Mas o pessoal da Devassa deve estar muito feliz com a sua ajuda na divulgação.

Imagino que tenha gostado da tarja preta no novo filme, que foi ao ar ontem. Pelo menos você não vai precisar mais olhar para os peitinhos da pin-up do rótulo da Devassa, invadindo o seu lar no horário nobre.

Leandro Wirz disse...

Grossi, bom tê-lo de volta ao blog, vc andou se abstendo de comentários.

No caso da campanha da Devassa, fica evidente que temos opiniões divergentes, o que me deixa até contente. Afinal, é salutar que as pessoas pensem de forma diferente.

Quanto ao uso do verbo "denegrir", na hora em que eu escrevia me deu um branco e não me ocorreu outro termo. Evidentemente, não tive a intenção de ofender ninguém. Assim como ao escrever “me deu um branco” não quis agredir pessoas de pela clara. Como também não considero ofensivas expressões como "a coisa ficou preta", "a situação tá russa" ou "judia de mim". Aliás, no caso desta, especificamente, só o que me vem a mente é o Zeca Pagodinho cantando o refrão do bom samba “judia de mim”. Penso que considerar o uso dessas expressões ofensivo é um exagero da cartilha do politicamente correto.

Valeu! Abraço.

ps.: Obrigado também aos demais leitores que postaram comentários.

Marcelo Grossi disse...

Omenaluis, pelo visto, além de discordar de mim, não deve ter ficado clara para você minha perspectiva do comercial da Devassa. Padeço desse mal: nem todo mundo é capaz de me entender.

E não me esforço. Como sou antropólogo, e não publicitário, não preciso aderir ao "proselitismo corporativista" que vincula sua opinião a de outros de sua estirpe.

Para mim, a Paris Hilton é que nem a Devassa: prefiro maconha. O que não quer dizer que não goste de mulher nem de cerveja. Minha mulher é publicitária, e eu não tenho esse fetiche por essa socialite estadunidense. Aliás, das duas, uma: estadunidense devassa ou é atriz pornô, ou é piada de publicitário, não?

Quanto a seu comentário do dia 3, esclareço que não assisto TV aberta. Ou seja, só assisti ao comercial da Devassa no YouTube, e não vi a nova versão. Aposto que você gostou, hein?

Parabéns, Flipper!

Marcelo Grossi disse...

Quanto à Aparecida, Omenaluis, ela padece do mesmo mal do presidente da República. Sua origem é a militância popular no Partido dos Trabalhadores, e não a Academia.

Depois de mais de sete anos na Presidência, Lula comete menos deslizes. Apesar de, ontem, ter confundido "exercer" com "exercitar", ao ser questionado sobre sua saída para fazer campanha para Dilma.

Aparecida Gonçalves não é acadêmica, como a ministra Nilcéa Freire (SPM/PR), que foi reitora da UERJ, e tem mestrado no Museu Nacional, ou a Subsecretária de Planejamento, Lourdes Bandeira, professora de Sociologia da UnB.

Apesar de o sítio da SPM indicar que Aparecida é Subsecretária de Monitoramento e Ações Temáticas, ela é Subsecretária de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Concordo com você que a linguagem culta, formal, não é o forte dela. Particularmente, não sei por que decidiram que ela representaria a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres no programa Entre Aspas.

Talvez porque a decisão de se manifestar contra a cerveja Devassa no Conar tenha sido dela, e não da ministra Nilcéa.

Marcelo Grossi disse...

Wirz, eu não respeito a "cartilha do politicamente correto". Constata-se isso facilmente acessando meu blog: http://marcelogrossi.blogspot.com.

Meu comentário foi uma piada.

No entanto, no GT 15 da I Confecom, aqui em Brasília, aprovou-se a orientação de que expressões como "denegrir" e "lista negra" deveriam ser banidas da mídia, por seu conteúdo prejudicial à igualdade étnico-racial. E eu lá, pensando: e "judiar"? "Judiar" pode?

Meu parecer: o controle social da mídia não é benéfico para quem vive da mídia. E não tem como se posicionar a respeito disso sem incorrer no tal "proselitismo corporativista", tem?

Abraço, Wirz!

Leandro Wirz disse...

Grossi, que bom que seu comentário foi uma piada,e que pena que eu não consegui captar a ironia da primeira vez que li. Constatei pelo seu blog, o qual não conhecia, que, felizmente vc não segue a cartilha do politicamente correto, que, volta e meia, é bem obtusa. Valeu o mal entendido, porque assim o assunto veio a pauta.

Devo registrar que, na condiçao de rubro-negro, não achei a menor graça no seu post de agosto do ano passado quando celebra a vitória da sua Raposa sobre o meu Urubu.

Acho que controle da mídia não faz bem para ninguém, mas, enfim, é outra longa questão.

Vc tb é poeta. Seus poemas estão na rede, onde eu eu possa ler? Os meus estão em www.leandro.wirz.blogspot.com
Abraço.

Leandro Wirz disse...

Puta merda, errei o endereço do meu próprio blog! Retificando, é www.leandrowirz.blogspot.com

Marcelo Grossi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcelo Grossi disse...

Wirz, meu primeiro livro, "Poesia hiperbólica", foi publicado pela Thesaurus, em 2008. Desde então, distribuo o livro de mãos cheias sempre que tenho oportunidade: comecei com o Tarso Genro e o Reynaldo Jardim, logo depois do lançamento, quando roteirizei e dirigi um vídeo institucional para a Comissão de Anistia (MJ). Os últimos encaminhei para Lêdo Ivo, imortal da ABL.

Se tiver interesse, manda um e-mail para marcelogrossi@gmail.com, disponibilizando um endereço para correspondência, que envio alguns exemplares.

Não sei se você sabe, mas conheci seus dois blogs e sua poesia por intermédio da Rosa Mouta, sua ex-aluna no UniCEUB, minha mulher. Há algum tempo, li uma poesia sua no Correio Braziliense.

Abraços!