segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Maçã mordida



O vôo de Atlanta para Nova York decolou com quarenta minutos de atraso. Ao pousar no aeroporto JFK, ficamos cinqüenta minutos retidos dentro da aeronave, porque ocorreu um problema no elevador do finger que permitiria nossa saída. Para piorar, ao nosso lado estava um bebê de dez meses com enorme disposição para se esgoelar em um choro estridente. É por essas e outras que eu gosto mesmo das crianças japonesas, que estão do outro lado do mundo e dormindo, enquanto eu estou acordado.

Em vôos internos nos EUA sai mais barato viajar com duas malas do que com uma só, pesadona. A tarifa por mala é menor do que se você for taxado por excesso de peso na bagagem. Eu e T carregávamos, cada um, duas malas e uma mochila (já havíamos ido às compras), e subestimamos a capacidade de carga do Ford Crown Victoria, o sedã que compõe a maioria da frota de táxis nova-iorquina. Metrô, na hora do rush e carregados como estávamos, não era opção viável.

Fizemos reserva então em um serviço de traslado numa van para o hotel. Supershuttle, o nome da empresa. A van chegou vinte e cinco minutos depois do desembarque e ficou rodando pelo aeroporto até completar a lotação de onze passageiros. Chegou a estar na boca de saída do aeroporto, recebeu um bip e voltou para buscar mais gente. Nessa brincadeira, chegamos ao hotel próximo à Times Square mais de duas horas depois de termos desembarcado. Perda de tempo preciosa, ainda mais em Nova York. A essa altura do campeonato, vocês vão me perdoar o trocadilho, mas esse serviço é, na verdade, supershittle.

Na recepção, um só funcionário atendendo, e inexplicavelmente uma fila de umas oito pessoas à minha frente. Mais uns vinte minutos perdidos só para fazer o check-in. O número do quarto, 911, é o mesmo do telefone para emergências. Mau sinal?

Deixamos as malas no quarto rapidamente e descemos para jantar. Quando pusemos os pés na rua, uma ventania fortíssima varria Manhattan e os trovões anunciavam a tempestade iminente.

Andamos menos de uma quadra e o temporal desabou. Decidimos entrar no primeiro restaurante à nossa frente. Estávamos cansados, famintos e não queríamos somar ensopados a essa lista de desconfortos.

A primeira porta foi o T.G.I. Friday’s. Eu tinha uma boa recordação do restaurante da rede no Píer 21, em Brasília.

Quando subia as escadas praguejando contra o péssimo serviço da empresa de transporte (metade dos passageiros não deu gorjeta ao motorista), minha mulher tropeçou, caiu e machucou a canela. Mas levantou cheia de classe e charme e ninguém notou o mico.

T. pediu uma salada e eu, Chicken Fingers, com molho honey mostard. Deixei pela metade. As batatas fritas estavam queimadas e o frango tinha um terrível gosto de congelado. Isto é, não tinha gosto de nada. E a conta foi salgada. Come-se muito melhor por muito menos.

Ao sair do restaurante, a chuva forte havia passado, Times Square fervilhava de luzes e gente e, nos dias e noites seguintes, devoramos, com gosto, a Grande Maçã.

3 comentários:

Gigi disse...

Eita, ia entrar no seu blog de poesia e sem querer parei aqui! Então, Lê, foi mal vc saber assim, "de segunda mão", hehehehe... É tão esquisito, eu nem sei como espalhar a notícia direito.Obrigada pelas palavras lá no meu blog!
Então, e vc anda por essas terras gringas daqui? Vai vir pra costa oeste também? Se passar em San Francisco vamos tomar um chopp, hein? Quer dizer, vc toma um chopp, eu tomo um suco (ai...)
bjos

Ciça Calvoso disse...

Cara, parece a abertura de Sex and the City. rsrsrs

Carol Nogueira disse...

Hahahaha! Não pode é perder o bom humor. Tem que encarar sabendo que logo logo melhora. Eu passei por uma fase trash por aqui, até de uma evacuação de emergência por risco de atentado terrorista (em uma feira de livros com milhares de pessoas) fui submetida, meninos a tiracolo, óbvio. O comentário sobre as crianças japonesas é o melhor da história. :o) Beijo!