sábado, 18 de abril de 2009

O poder da gata




A intimidade me permite chamar a melancolia de mel e a felicidade de fel.

Um cara que escreve isso (no caso, eu mesmo, no poema “Versos Sobre”, publicado no livro Lâmina do Adeus, em 2002) evidentemente curte melancolia. Em prosa, verso e canção.

Por isso, ao ler que o site Entertainment Weekly publicou a lista das 25 melhores músicas de partir o coração de todos os tempos, fui dar uma conferida num sábado de sol. Entre velhas conhecidas e novidades, a vice-campeã era "I've been loving you too long", composição de 1965 de Otis Redding. Mas um detalhe me chamou a atenção: tinha que ser a versão de Cat Power.

Fui atrás no You Tube. Nossa, que deprê, e como canta bem e como é bonita! E aí como um vídeo leva a outro, fui navegando no mar de coisa de Cat Power disponível na internet. E me apaixonei. Cat Power é o nome da banda que se confunde com sua líder, a cantora, compositora e guitarrista Chan Marshall. O Cat Power faz uma música que segue pelo sadcore, rock e indie-rock, com letras autorais e intimistas. Tem um quê de Tom Waits de saia. Um quê de Portishead, de Beth Gibbons.

Chan Marsall nasceu em 1972 em Atlanta, Geórgia (EUA), e adolescente mudou-se para Nova York. Lançou o primeiro disco, “Dear Sir”, em 1995. Seu mais recente álbum, “Jukebox”, é só de covers com seleção de repertório de primeira linha. Foi lançado em 2008 e é o oitavo da carreira. Sucede seu trabalho de maior sucesso, o aclamado “The Greatest”, de 2006. Naquele mesmo ano, ela passou meses internada para se livrar da dependência química em álcool e drogas.

Marshall faz uma charmosa ponta como a ex-mulher de Jude Law, naquele filmaço que é “My blueberry nights” (“Um Beijo Roubado”), co-estrelado por outra excelente cantora, a Norah Jones.

Quase doeu saber que ela esteve no Brasil (não no Rio) no ano passado e eu perdi. Ainda bem que existe o Google. E o You Tube. E a Amazon. E a Trama. E os downloads...

2 comentários:

Rubicão - travessias junguianas disse...

Poeta,
Melancolia é palavra proibida em tempos pop-modernos-neo-liberais.
Em uma cultura que privilegia o excesso da euforia e a obrigatoriedade de sermos felizes, que espaço terão os tristes, melancólicos, desanimados, entediados?
Os laboratórios, espertos como sempre, já deram a solução: pílulas para livrar o sujeito de seus blue feelings: Rivotril, Frontal, Zoloft.....
Meu bom amigo, é necessário e fundamental resistirmos a esta violência: Melancólicos de todo mundo: Uni-vos!

Baggus disse...

dear friend

procure no google o seguinte:

"cat power" site:lagrimapsicodelica.blogspot.com

quem sabe assim vc finalmente acessa os blogs que te indico...