quarta-feira, 14 de julho de 2010

O beijo dele




Todo mundo sabe, todo mundo viu que, depois de conquistar a Copa do Mundo, o goleiro da Espanha, Iker Casillas deu uma entrevista à jornalista Sara Carbonero. Que é também sua namorada. De surpresa, ao final da conversa, ele lhe deu um beijo na boca.


Teve gente que achou lindo, teve gente que achou romântico, teve mulher suspirando mundo afora. Conforme saiu na coluna do Joaquim Ferreira dos Santos, a antropóloga Miriam Goldenberg disse que o beijo emocionou “porque mostrou um outro tipo de masculinidade. É um cara que não tem medo de ser homem, de chorar e mostrar sua paixão. Ele é seguro e sabe que não vai ser menos macho por isso”.

Até aí tudo bem, também acho que homem chora e não deve ter medo de mostrar sua paixão. Mas eu não achei que o beijo mostra um novo tipo de masculinidade. Menos, né? Na verdade, achei o beijo inapropriado, quase desrespeitoso. Explico: tudo bem que o cara estava emocionado, porque não há glória maior para um atleta do que ser campeão do mundo, mas ele não precisava beijá-la diante das câmeras. Pela única razão de que ela estava lá trabalhando como jornalista. Ele desrespeitou o trabalho dela, cruzou uma fronteira entre pessoal e profissional. Imagine se ela, eufórica porque foi promovida a âncora no telejornal de maior audiência da TV espanhola invadisse o campo e tascasse um beijo no goleiro enquanto jogassem Real Madrid e Barcelona? Seria inadequado. O William Bonner não pode beijar a Fátima Bernardes na bancada do Jornal Nacional.

A manifestação eufórica dele foi um pouco egoísta, desconsiderou a posição dela naquele momento. Nesse sentido, pareceu mais um exemplo de velha masculinidade, na qual o trabalho do homem era visto como mais importante que o trabalho da mulher. Reconheço que devo dar uma aliviada, não ser tão rígido, porque na situação dele, eu também não estaria raciocinando direito.
Fora do ambiente profissional, que dêem todos os beijos do mundo. Porque, sim, o amor é lindo.

4 comentários:

Mirelle Siqueira disse...

finalmente alguem que me entende!!!! eu tb achei o fim esse beijo enquanto ela trabalhava, mas minha teoria vai alem.

Pra mim, ficou claro que o beijo foi combinado, pq se vc olhar bem, ela nao ficou surpresa, (so aparentemente sem graça) e tem uns 2 segundos que mostram que ele estava se preparando p fazer algo que os dois ja esperavam.

pra mim foi algo tipo: po amor, se vc ganhar vc podia me dar um moral e me dar um beijo em rede nacional ne? eu te a,o tanto, me ajuda na carreira ja que eu so sou bonita e pouco competente? que tal? se aumentarem meu salario, prometo gastar menos do seu cartao de credito.


o cara, nada romantico mas sim esperto, foi la e tascou o beijo na moça!

e viva o amor! que sim, é lindo mesmo.


hehehhe

Ciça Calvoso disse...

Concordo plenamente. Foi uma manifestação de puro machismo. Ela estava ali como profissional, trabalhando. E ele também. Mesmo com toda a emoção, tinha que segurar a onda. Que a enchesse de beijos após a entrevista, mas ali... definitivamente não.
Mas discordo da Mirelle. Achei que ela não retribuiu e demorou um pouco para fazer o desfecho da passagem. Para mim, ela ficou visivelmente constrangida. Com razão. Inclusive, se fosse uma repórter incompetente não estaria ali, mas fazendo alguma pauta menos relevante. No mínimo.

Deborah disse...

Concordo que não foi o comportamento mais adequado, mas discordo que o goleiro tenha feito isso pq é machista ou algo parecido. Acho apenas que ele estava muito feliz e não conseguiu se segurar...nada premeditado, nada do tipo "vou dar um beijo ao vivo, dane-se o trabalho dela pq o meu é mais importante". Na verdade, acho que naquele momento ele nem teria condições psicológicas de planejar algo assim. Foi espontâneo e eu gostei! Quando estamos felizes, a primeira coisa que pensamos é em passar essa alegria e celebrá-la com quem amamos. Ele apenas ligou o botão do "F...-se" para o mundo inteiro ver! Palmas para ele!

Carol Nogueira disse...

Ai, gente, mais ou menos, vai... Eu não consigo separar meu eu-profissional do meu eu-pessoa. Eu sei que talvez seja um defeito profissional, mas eu choro entrevistando gente que está fudida na vida, e eu acho que eu mesma beijaria meu marido goleiro campeão do mundo! E esse é o beijo mais fofo da história do futebol!