quarta-feira, 21 de abril de 2010

I love Bsb

Hoje, Brasília completa 50 anos, infelizmente imersa na lama da corrupção. Mas eu não vou falar da política que mancha a reputação da cidade (“Sou de Brasília, mas sou inocente”, escreveu o poeta Nicolas Behr). Também não vou falar do projeto visionário, e dos gastos faraônicos para sua construção, nem de Juscelino, Niemeyer ou Lúcio Costa.


Vou falar mais baixo. Vou falar apenas da minha relação com a cidade. Morei em Brasília de junho de 1999 a outubro de 2006, anos em que vivi muito intensamente. Tive enormes alegrias e imensas tristezas.

Permaneço um carioca apaixonado por Brasília. E quer saber por quê? A redoma de céu azul, a amplitude, o clima ameno, o pôr-do-sol na seca, os prédios baixos, as entrequadras, as comerciais, a salada de gente de todo lugar do Brasil, o hábito de frequentar a casa uns dos outros, a mistura de ares provincianos e cosmopolitas, o trânsito ainda fácil se comparado ao Rio ou a São Paulo, as ruas pouco esburacadas, os bares, os restaurantes, o Lago, o silêncio, as árvores, o cheiro da terra vermelha e uma lista que se estica em um longo etc.

Claro que Brasília também tem defeitos, problemas, mazelas e que é uma ilha da fantasia com um bolsão de miséria crescendo ao redor. Mas hoje não é dia de falar desses problemas. Hoje, pra mim, é dia de saborear memórias, ao som do rock de lá, especialmente Legião e Capital.

E é dia de pensar, com sincera saudade, nos melhores amigos que fiz em Brasília.

“Carái, véi”, que saudade!

4 comentários:

Rosa Mouta disse...

Carái, véi! Bom demais, né?!

Anônimo disse...

Cara, sem babação de ovo, vc sabe que sou seu fã na arte da, digamos, "escrita livre". Mas esse texto sobre Brasília, talvez por eu também ter morado lá e compartilhar de alguns dos mesmos sentimentos, me emocionou pra valer!
Carai, véi!
Dieguito

Ciça Calvoso disse...

Apesar de dia desses acordar chorando por ter sonhado que voltava para Brasília (risos), também compartilho de sua opinião.

Há poucas semanas estive lá e fiz duas vezes o programa considerado bobo por alguns e poéticos para outros: admirar o pôr do sol. Fui à Torre de Tv, pedi uma tapioca para a senhorinha baiana e sentei na grama para observar aquele céu, aquelas árvores lindamente floridas...

ô saudade da minha terrinha!!! (mas, por enquanto prefiro ir apenas a passeio. rsrs)

Carol Nogueira disse...

E desde quando a nossa vida de classe média brasileira não é a vida de uma ilha da fantasia cercada de miséria? Em qualquer canto, riquezas são diferenças...
(eu estou insuportavelmente defensora de Brasília, não repara. Até quando tem alguém defendendo, eu defendo mais!)