terça-feira, 16 de dezembro de 2008

The Queen


Fui ao show da Madonna na segunda-feira, 15, a noite que não choveu no Rio. Trânsito tranqüilo, entrada idem, sem filas, sem tumulto. Tudo organizado, serventes recolhendo lixo toda hora na pista, muita gente trabalhando no apoio, identificados com camisetas numeradas. Antes do show começar, um dos homens de apoio parou à minha frente, com a camiseta preta na qual estava escrito “Posso ajudar? 169”. Declinei da oferta, porque homens não fazem o meu tipo e eu estava lá para ver o show e não para ficar de sacanagem.

Público diversificado, em estilos e idades, composto majoritariamente por casais, grupos de meninas e gays. Metade da comunidade gay carioca estava lá. A outra metade tinha ido ao show da véspera. Em comum, todos tinham animação de sobra.

Mas Madonna começou mal. Ou melhor, não começou. O show teve 1h40 de atraso. Atraso é sempre um desrespeito. Em qualquer situação, ninguém tem o direito de desvalorizar o tempo do outro. Nem artista, nem noiva, nem convidado, nem anfitrião, nem médico, nem chefe.

Entediado com a espera, tive um sonho tão utópico quanto maquiavélico. Que o público abandonasse o estádio e a artista ao entrar em cena se deparasse com o espaço vazio. Isso fere mais do que perder cachê.

O público ficou impaciente e após algumas rodadas de vaias, começou o coro afetuoso de “piranha”, que contou com minha entusiasmada adesão. Claro que ela, se ouviu, não entendeu. Mas é provável que algum assessor de seu staff tenha traduzido o termo para “amada” em inglês.

Finalmente, o show começou. Madonna entra em cena como convém, no trono, de pernas escancaradamente abertas, ao som de Candy Shop, faixa que dá título ao seu último álbum.

Madonna sabe o que faz. Poucas coisas na vida podem ser tão sexy quanto uma loura de body preto, botas de couro de cano alto empunhando uma guitarra.

A galera tira o pé do chão na quarta música, Vogue. E aí já tinha esquecido o atraso, embasbacado com a perfeição de cada detalhe da mega produção, do profissionalismo, da qualidade tecnológica. As computações gráficas nos telões, as coreografias dos bailarinos, os figurinos, a iluminação, o som, tudo estava impecável. Claro que ela precisa do apoio dos backing vocals e usa bases pré-gravadas em vários momentos. Qualquer mortal que dançasse e cantasse como ela, teria que fazer o mesmo, para não perder o fôlego. Além disso, isso é showbizz, e o que assistimos foi um espetáculo, em maiúsculas, e no sentido mais exato do termo.

Madonna é a rainha do pop, assim como Michael Jackson um dia foi rei. Ela desfilou sua coleção de hits que fazem a alegria das pistas de dança mundo afora há três décadas. Música ruim no show? Nenhuma.

E algumas boas surpresas: Borderline ganhou arranjo heavy metal, beeemmm melhor do que o original. Isla Bonita ganhou roupagem mais cigana e ótima coreografia. Hung up também ganhou peso.

Outro bom momento, possível apenas para quem tem uma longa história como ela, foi cantar She’s not me, contracenando com as bailarinas vestidas com os principais looks das diversas fases de sua carreira. Ao final, tascou um beijou na noiva, figurino da época de Like a Virgin. A uma delas, chamou de puta, em bom português.

Enquanto fazia mais uma troca de roupa, imagens no telão e dois bailarinos dançavam ao som de um clássico dos anos 1980, Here Comes The Rain Again, do Eurythimics. O número antecedeu a uma das duas únicas baladas do show, Devil wouldn’t recognize you, com Madonna cantando em cima do piano à frente do palco envolta numa estrutura onde eram projetadas belíssimas imagens de água e de chuva. Emocionante mesmo.

No show há o momento em que ela pergunta a alguém da platéia que música antiga quer ouvir, mas ela tem o direito de recusar o pedido. No domingo, um cara pediu Everybody, que ela disse não gostar. E não cantou. Atendeu quando pediram Express yourself. Na segunda-feira, o pedido foi Dress you up, cantada à capela, com o reforço do coro da platéia.

No domingo chuvoso, Madonna vociferou “Fuck this rain!”. Na noite seguinte, disse que nós devíamos ter rezado muito e nossas preces foram atendidas, porque não chovia. Madonna é isso: orações e palavrões, misturados.

Em seguida, ao violão, emendou Miles away, dedicando-a ao Rio de Janeiro.

Mandonna manda bem. Propôs um acordo com o público. Para continuar cantando, queria mais aplausos. E cutucou a platéia: “Show the queen you love her!” Garota esperta, está no Rio há menos de uma semana e já aprendeu a ser marrenta.

A seqüência que mais levantou o público foi 4 Minutes (To save the world), Like a prayer e Ray of light. O pique foi alto até a última música, Give it 2 me, que ela cantou vestindo a indefectível camisa da seleção brasileira, com seu nome e o número 10 às costas, presente do governador Sérgio Cabral.

No fim, ela brincou de tourear com uma bandeira do Brasil e deixou o palco com ela enrolada no corpo enquanto os telões avisavam “Game over”. Sem bis. O público deixou o estádio extasiado, cantando Holiday e batendo palmas. O show valeu cada centavo do ingresso, o perrengue para comprar, o atraso. Dá vontade de correr a São Paulo para assistir outra vez no próximo final de semana.

Tudo é perfeito, competente, criativo, relacionado, profissional, planejado. Espetáculo para ficar na memória.

Madonna esteve no Rio há 15 anos, em 1993 (eu fui também), e se ela voltar em 2023, eu assistirei de novo. Ela estará com 65 anos. Mas alguém duvida do que ela é capaz? Quem diria, há alguns anos, que Mick Jagger, estaria ainda esbanjando energia nos palcos com essa idade?
Para encerrar, para quem andou falando que ela está magra demais, sarada demais, eu diria que é verdade, ela já esteve com o corpo mais bonito. Mas mesmo assim, se solteiro fosse, eu pegaria a Magronna. Sóbrio.

3 comentários:

Carol Nogueira disse...

Adoreeeeeeeeeeei, Leandro! Me fez viver o show que eu vi aqui de novo, com todas essas emoções descritas. Tá, confesso: o seu teve um pouco mais de emoção, porque a gente é besta e gosta mesmo dessa coisa do astro de camisa do Brasil e bobagens afins. :) Ela é o máximo mesmo.

Francinne Amarante disse...

ahhhhhhhhhhhh, que massa!!!
queria ter ido!
então.. em 20023!!!
beijão

francinne amarante disse...

ops.. 2000000 não!
2023!!!