quinta-feira, 9 de julho de 2009

Mulheres no poder

Reunião do G8 na Itália. 9/7/2009. Foto: Reuters


Ela passa, Obama olha, Sarkozy sorri, com a cumplicidade masculina confirmando que ela merece a conferida.

E assim caminha a humanidade...


ps.: A moça é a carioca Mayara Rodrigues Tavares, representante da Unicef.

Se achando em casa



Na hora do almoço, fui dar uma caminhada digestiva. Para completar os sessenta minutos regulamentares, entrei no shopping, à toa, para flanar, ver as vitrines e as moças bonitas, usufruir do ar-condicionado.

Atraído pela palavra mágica “Liquidação”, fui olhar a Zara. Embora a loja tenha pelo menos uma dúzia de provadores, um rapaz experimentava camisas sem a menor cerimônia, exibindo o tronco (sem duplo sentido, galera!) no meio da seção masculina. Por que simplesmente não usa uma das cabines, que estão lá para isso? Estavam quase todas desocupadas.

Esgotado o tempo livre do almoço, subi de volta ao escritório. No elevador cheio, um executivo de uma multinacional, de terno e gravata, sapatos italianos, palita os dentes, acintosamente, sem a menor cerimônia. Com direito àquele ruído típico de quem tenta expulsar um pedaço de carne de entre os dentes. Por que simplesmente não esperou chegar ao banheiro e fez isso discretamente usando fio dental? A classe não está na carteira.

Ou eu sou um chato ou o mundo está cada dia mais deselegante.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Ronaldo do Casseta



Certa vez, Romário afirmou que “Pelé calado seria um grande poeta”. Foi uma de suas tiradas tão geniais quanto seus gols.

Já Ronaldo Fofômeno, embora seja um craque, não é tão sagaz quanto Romário nem em campo e muito menos fora dele.

Ontem, ele se atrapalhou com as palavras ao dizer que “o presidente Lula está dando alguns contatos de empreiteiras que podem nos ajudar (ao Corinthians), mas não é financeiramente.”

Não é a primeira vez que os nomes dos dois aparecem juntos, em declarações polêmicas à imprensa. Certa vez, Lula disse que achava que Ronaldo estava gordo. O jogador retrucou que achava que o presidente bebia demais. E a coisa ficou por isso mesmo, porque os dois tinham razão.

No início deste ano, depois de treinar no Flamengo, Ronaldo se mandou para o Corinthians com a esfarrapada justificativa que precisava garantir o leite das crianças, levar o pão pra casa todo dia. Como se, com o patrimônio acumulado, ele ainda precisasse de uns trocados para alimentar os filhos. A suposta traição ao Flamengo irritou a torcida.

Ontem, Ronaldo fez pior. “Eu sou flamenguista desde criança, sempre fui ao estádio ver o Fla no Maraca. Só que agora estou no Corinthians. O que aprendi aqui é que essa pesquisa, de o Flamengo ter a maior torcida do mundo, do Brasil, não é certa. Não é uma pesquisa correta.”

O vice-presidente de futebol do Flamengo, Kleber Leite, que normalmente só fala besteira, disse ontem uma coisa certa: “Ronaldo está apresentando uma nova faceta: a de humorista. Vivendo e aprendendo. Ela agora é o engraçado.” Taí, Ronaldo deveria integrar o elenco da Turma do Casseta & Planeta. Porque, Ronaldo, a praça é nossa e sua cabeça é uma zorra total.

Em 2008, uma pesquisa do Datafolha apontou o Flamengo com 17% de preferência no País, seguido pelo Corinthians, com 12%. A última pesquisa do Ibope, de 2004, mostrou números semelhantes: 18,1% do Flamengo, contra 13,2% do Corinthians.

No dia 9 de agosto, tem Flamengo X Corinthians no Maraca e a torcida vai lotar o estádio e, pacificamente, marcar presença. Ronaldo nunca fez gol jogando no Maracanã. Oxalá não quebre a escrita desta vez.

No mais, já que tudo nesse País demanda uma CPI e que todas as CPI acabam em pizza, sugiro instaurar imediatamente a CPI das torcidas. Para abafar a CPI das empreiteiras do time do presidente.

Os números mostram que o Flamengo tem a maior torcida do Brasil e quiçá do mundo. E se a voz do povo é a voz de Deus e se Ele é mesmo brasileiro, então Deus é flamenguista.

Mas se Ele é rubro-negro, então por que o Flamengo está com um timinho medíocre?

Ora, e alguém consegue entender a cabeça do Cara?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Last dance



Hoje é o dia do espetaculoso velório de Michael Jackson, o “showneral”, a que sua amiga Liz Taylor, sensatamente, chamou de circo.

Terá transmissão ao vivo pela TV, pela internet e para 80 salas de cinema nos EUA. A piada maldosa do dia diz que criança não paga para ir ao ginásio onde acontece o evento, com capacidade para 17 mil pessoas.

Aliás, o Zé Simão, que assina a coluna Monkey News, no portal UOL, trouxe algumas dessas piadas que circulam sobre o finado Jacko. Como ele mesmo escreve, são piadas do tipo Hebe: velhas, mas divertidas. E, claro, todas politicamente incorretas.

A expectativa é que no meio do “showneral”, Michael se levante e comece a dançar com os zumbis ao som de Thriller. Brrrrrrrrrrrrr!

Outra é que quando Michael chegou ao céu foi logo perguntando pelo menino Jesus, interessadíssimo. Mas São Pedro cortou-lhe as asinhas, respondendo: - “A Madonna já levou”.

Pedrão, lá em cima, achou que o pessoal do cadastro tinha feito a maior confusão e quase barrou a entrada de Michael, porque na ficha estava escrito “senhor negro de 50 anos”. Afinal, a única coisa preta que o Michael ainda tinha era a tarja do remédio.

Ô mundo cruel, que povo mau! Ou melhor, bad, really, really bad.

Brincadeiras à parte, que Michael descanse em paz. E que, de tudo, só permaneça a sua música. Esta sim, verdadeiramente genial.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Plano de negócios




Depois dos exageros do final de semana, eu empurrava uma salada de alface, tomate e frango marinada com cebola e balsâmico ao mel.

Na mesa ao lado, quase grudada, uma jovem executiva com sotaque paulistano se empurrava a um homem pouco mais velho, com pinta de ser gerente ou chefe dela. A jovem se vendia. Não, não se insinuava sexualmente, não havia nenhum clima. Ela se vendia como profissional. Dinâmica, competente, proativa, esses termos genéricos que a gente lasca no currículo porque costumam agradar.

Fluente no dialeto do mundo corporativo, a ambiciosa jovem abusava dos termos em inglês. Budget, target, follow up, business plan, e outros que tais. A conversa girava sobre registro de produtos. E ela discorria sobre erros e acertos de estratégia, experiências de outras companhias, dados estatísticos de mercado e sugeria procedimentos. Um ligeiro escorregão na ética, ao dizer que “a gente às vezes se comporta como freira em um mundo de Alice”. Uau. Impressionou.

Eu estava atento à conversa, muito mais interessante do que a minha salada. A moça vestia o figurino padrão, com saia preta até o joelho e meias escuras cobrindo canelas e os pés dentro do scarpin.

Por um momento, me ocorreu fitá-la acintosamente. Não tirar os olhos dela. Só de sacanagem. Só para desconcentrá-la em sua performance que parecia ter sido meticulosamente preparada. Mas não cometi esta maldade. Analisando a matriz swot, percebi que teria poucas chances de êxito. Ela era muito focada.

A gulosa e a perfeita



Na seção 10+1 da revista VIP de julho, a modelo Caroline Bittencourt, 27, diz que "Toda mulher gosta de sexo. Ele tem que ser diário. Nada de ser uma vez a cada sei lá quantos dias. Melhor do que isso só se for como as refeições: três vezes ao dia. E por mim ainda teria o lanchinho nos intervalos".

Já uma amiga minha, ao invés de sexo diário, prefere mesmo é por diária.

Ainda que tenha mesmo todo este apetite, no quesito perfeição, Caroline(foto) fica atrás de Amanda, a personagem interpretada por Luana Piovani no divertido A Mulher Invisível.

O filme é aquilo que os americanos chamam de vehicle movie, veículo para Selton Melo desfilar o seu talento. O que, de fato, ele tem de sobra. Vladimir Britcha, Maria Manuella, Luana e a sempre ótima Fernanda Torres acompanham o nível da atuação.

Escrito e dirigido por Cláudio Torres, o filme é ótimo entretenimento e toda vez que parece resvalar na obviedade, consegue driblá-la.

Em A Mulher Invisível, La Piovani, como se não bastassem seus atributos físicos, faz faxina de lingerie, entende e acompanha até a Terceira Divisão do futebol, transa com o namorado sem cerimônias, mesmo quando ele chega bêbado em casa e confessa ter ido pra cama com duas e, last but not least, serve canja de galinha na cama para ele.

Como ela mesma diz no filme: “Eu posso não ser real. Mas eu sou ideal.”

Suspiro.

Vamos fazer uma dupla?







Quando escrevi “O encontro entre duas pessoas idem”, publicado em 19/5/2009, criei uma dupla sertaneja fictícia, a Parecido & Igualzinho. Com alguma boa vontade, ela poderia estar entre essas, que uma fiel seguidora do blog me enviou.

Algumas beiram o inacreditável. Não tenho como checar se são verdadeiras ou não. Não importa (Quem ainda se importa com a verdade?). O hilário pede passagem...

E você, quer formar uma dupla? Escreva sugerindo o nome.

sábado, 4 de julho de 2009

A caixa diabólica


O jornal O Globo de ontem trouxe matéria bacana sobre o revival das jukebox, aquelas máquinas que, por umas fichinhas, te permitem brincar de DJ e dedicar “uma canção a quem você ama. Canta pra mim, eu não quero ver você triste assim...”

Ícone norte-americano dos anos 1950, por aqui as jukebox só frequentavam bordeis de quinta e bares de sexta, com repertorio breguíssimo. Era aquela coisa de corno botando Reginaldo Rossi pra tocar depois de uns conhaques às três da manhã.

Mas as maquininhas têm dado as caras e os sons em lugares mais sofisticados, moderninhos e melhor frequentados. Legal.

Na matéria, o professor Steve Berg explica a origem da palavra: “Há quem diga que o termo juke ou jook surgiu no Mali (África). Significava diabólico, e foi levado pelos escravos para os EUA. Lá, havia lugares chamados de juke joints, bares muito simples, considerados de segunda categoria, onde os negros iam ouvir música ‘diabólica’, dançar e beber”. Daí, quando surgiu a tecnologia para fazer a música sair de uma caixa...

Como eu já confessei publicamente, eu gosto de música country. E a minha pedida de hoje é “If the jukebox took teardrops”, da supergata Danni Leigh.

“If the jukebox took teardrops
And the whiskey was free
If that old car in the parking lot
Drove home automatically
If every night ’neath the honky tonky lights
Didn’t start those memories
Wouldn’t it be a wonderful world
For somebody just like me?”

“Se a jukebox aceitasse lágrimas”. Putz, é uma deliciosa cafonice. Mas é linda!

Tá aí o link. Ponha uma ficha na máquina que aceita lágrimas e ouça:

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Quer ficar pelada hoje?




E aí, considerou a proposta ousada? Indecente? Tentadora? Descabida?

E tem mais: é nua no escritório!

Isso mesmo, no local de trabalho, diante de todos os seus colegas. Tá a fim?

Antes de sair arrancando a roupa e ser enquadrada por atentado ao pudor ou demitida por insanidade, saiba que é preciso combinar o jogo antes.

Saiu na revista Época Negócios e em outros veículos que “a equipe de uma empresa de marketing e design inglesa passou um dia inteiro trabalhando sem roupa para levantar o moral da companhia. O evento, batizado de ‘Naked Friday’ (Sexta-feira Nua), que substituiu o uso de roupas mais casuais às sextas-feiras, agora vai se transformar em um programa de TV, o Naked Office.

A ideia partiu do psicólogo David Taylor, conhecido como ‘Naked Leader’ (Líder pelado), que havia sido chamado pela direção da companhia onebestway, da cidade de Newcastle upon Tyne, para oferecer sugestões de como melhorar a integração dos funcionários. Com o corte de seis integrantes da equipe, devido à crise financeira, a equipe andava mais desanimada.

Segundo o psicólogo explicou aos funcionários, ao tirar suas roupas, eles deixariam de lado suas inibições e poderiam falar mais abertamente e serem mais honestos sobre suas opiniões.

‘Convidar uma organização a tirar a roupa é a técnica mais radical que eu já usei’, explicou Taylor ao jornal britânico The Daily Telegraph. ‘Pode parecer esquisito, mas funciona. É o gesto final de confiança em você mesmo e nos outros’.”

Se você se interessar pela proposta do ´Naked Leader”, tem uns vídeos do cara no youtube explicando a teoria, felizmente vestido.

Sei não, mas acho esse papo estranho. Escritório não é praia de nudismo. Será que conseguiríamos ficar tão à vontade quanto os naturistas? Não creio. Acho que na maioria das empresas as mulheres vão ficar contando os furinhos de celulite umas nas bundas das outras. E, espumando de ódio, vão querer matar a estagiária. Os gays vão ficar desapontados com uns bofes de pau pequeno e os homens vão sacar que certas mulheres eram mais atraentes dentro daqueles jeans apertados. Mas tudo bem, nada que umas cervejas não resolvam, vocês sabem como são os homens. E que tal o seu(sua) chefe nu(a)?

Será que vai levantar mesmo o moral? Sem trocadilhos infames com levantar outra coisa, ok, pessoal?

Bem, aqui na empresa onde trabalho, a gente fez uma reunião e decidiu que...

Ah, deixa pra lá.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sobre mantos sagrados e camisinhas




Ontem, o Flamengo fez a apresentação oficial da nova versão do manto sagrado. Sai a Nike e entra a Olympikus como fornecedora do material esportivo.

A nova camisa, “coleção 2009/2010”, é horrível. Tão feia que não vai nem ilustrar este texto.

Eu acharia melhor se o Flamengo adotasse essa camisa rubro-negra aí da foto, o novo uniforme do Manchester United. Achei que ficou bonito pacas. Mas como torcedor nunca está satisfeito seja aqui ou na Inglaterra, a turma de lá criticou dizendo que o uniforme parecia mais de rugby do que de futebol. São uns conservadores. Não adiantou nem o clube justificar que o “V” em preto indica “vitória”. É, a justificativa foi ruim mesmo.

Tem uma coisa que eu não entendi. A AIG não foi uma das seguradoras que foi tragada pela crise econômica mundial no ano passado? Como é que ainda tem recursos para patrocinar o esporte?

A camisa do Manchester ficaria muito mais bonita sem a logo do patrocinador, seja qual for. A do Mengão, por exemplo, ficou linda nesses últimos meses, já sem as marcas da Petrobras, da Lubrax e da Podium. Bateu uma nostalgia dos velhos tempos (uns 20 anos atrás), em que os times não dependiam da receita dos patrocinadores e as camisas eram imaculadas. O uniforme do Corinthians, por exemplo, está ficando parecido com uma macacão de piloto de Fórmula 1. Tem até a marca do desodorante Avanço embaixo do braço!

Eu preferia não ver Samsung X Batavo, Unimed X Liquigas, Unicef X Bwin, Pirelli X Carlsberg, Fly Emirates X Telefônica etc etc etc


ps.: O Globo fez uma enquete online e 62% dos torcedores reprovaram o novo uniforme. E, desses, 36% disseram que é a camisa mais feia dos últimos tempos.

ps 2: Mas a opinião da torcida não importa, né? O Flamengo fez uma pesquisa para saber qual o número da camisa que o Adriano deveria usar. A galera escolheu a 9. Mas ele não gostou. Daí, vai usar a 9 só por três jogos e depois vai herdar a 10. Eu acho que depois do Zico, ninguém deveria mais usar a 10. Muito menos o tal Imperador...