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sábado, 1 de agosto de 2009

Fazendo propaganda



Gigi Amorim, from Frisco, Califórnia, postou em seu blog um comercial da Coca Cola com a observação de que era “para matar a saudade de quando eu estudava publicidade e achava tudo o máximo, lindo, inteligente, criativo e até emocionante (faz tempo...).”

Gigi, keep the faith.

É claro que nem todas as campanhas são lindas, inteligentes ou criativas, mas eu continuo apaixonado por propaganda, after all these years, e me emocionando com ela.

O filme que a Gigi postou é interessante e oportuno. Confere lá, no Some flowers in my hair.

http://theressomeflowersinmyhair.blogspot.com/

domingo, 30 de novembro de 2008

Compre batom

Imagem: Target Boy. Origem: diganaoaerotizacaoinfantil.files.wordpress.com.
A propaganda é muitas vezes vista como vilã que catequisa mentes inocentes rumo ao consumo desenfreado. Não é bem assim. É claro que a propaganda é influenciadora de comportamentos, mas ela é apenas uma das influenciadoras e nem é a mais poderosa. Vale sempre lembrar que a propaganda não tem nenhum caráter revolucionário, transformador. Propaganda não é vanguarda moral. Ao contrário, ela costuma refletir os valores da sociedade. A propaganda lê os valores sociais, reprocessa e devolve embalado em comerciais de 30 segundos. Ao fazer isso, ela legitima e reafirma esses valores. É preciso primeiro mudar algo na sociedade para que gradualmente a propaganda absorva esses novos valores. Por isso, há um certo exagero e uma certa tolice em demonizar a propaganda.

Hoje, muitos pais de classe média e alta substituem presença e afeto por fast-food e shopping. Criam uma geração de reizinhos mimados, cheios de vontades, que querem tudo ao mesmo tempo agora. Os pais sentem-se culpados por não estarem tão próximos aos filhos e para aliviar a consciência, enchem as crianças de presentes e coisas. Mas as necessidades infantis são muito menos materiais do que afetivas e orientadoras. Crianças são criadas pela babá eletrônica, a TV. Crianças que, lamentavelmente, se erotizam cedo demais e perdem a infância. Crianças que não brincam mais de pique e ficam obesas diante da TV e do computador.

O consumismo exagerado, o “tenho, logo existo”, o “preciso ter para ser”, é só a ponta de uma doença social mais ampla e de diversas causas. Em suma, a propaganda não é o Darth Vader, não é a Odete Roittman dessa história. Claro que também não é nenhuma santa. Assim como nós não somos.

Sobre publicidade para crianças, repasso duas dicas que recebi do amigo, também do ramo, Wagner Pinheiro. Uma delas é o documentário “Criança, a alma do negócio”, dirigido por Estela Renner e Marcos Nisti, cujo trailler de 4’58 está disponível no youtube. http://www.youtube.com/watch?v=rW-ii0Qh9JQ

A outra é o blog http://criancasemidia.blogspot.com/, mantido por Elisa Araújo, que estimula reflexões oportunas para quem se interessa mais pelo tema.

Mas e o que diz o Conar, o Conselho Nacional de Auto-Regulamentção Publicitária? O Conar dedica a seção 11 do seu Código à publicidade para crianças. Leia a seguir e me diga se é cumprido ou são letras mortas?

“SEÇÃO 11 - Crianças e Jovens
Artigo 37 - Os esforços de pais, educadores, autoridades e da comunidade devem encontrar na publicidade fator coadjuvante na formação de cidadãos responsáveis e consumidores conscientes. Diante de tal perspectiva, nenhum anúncio dirigirá apelo imperativo de consumo diretamente à criança. E mais:
I – Os anúncios deverão refletir cuidados especiais em relação a segurança e às boas maneiras e, ainda, abster-se de:
a) desmerecer valores sociais positivos, tais como, dentre outros, amizade, urbanidade, honestidade, justiça, generosidade e respeito a pessoas, animais e ao meio ambiente;
b) provocar deliberadamente qualquer tipo de discriminação, em particular daqueles que, por qualquer motivo, não sejam consumidores do produto;
c) associar crianças e adolescentes a situações incompatíveis com sua condição, sejam elas ilegais, perigosas ou socialmente condenáveis;
d) impor a noção de que o consumo do produto proporcione superioridade ou, na sua falta, a inferioridade;
e) provocar situações de constrangimento aos pais ou responsáveis, ou molestar terceiros, com o propósito de impingir o consumo;
f) empregar crianças e adolescentes como modelos para vocalizar apelo direto, recomendação ou sugestão de uso ou consumo, admitida, entretanto, a participação deles nas demonstrações pertinentes de serviço ou produto;
g) utilizar formato jornalístico, a fim de evitar que anúncio seja confundido com notícia;
h) apregoar que produto destinado ao consumo por crianças e adolescentes contenha características peculiares que, em verdade, são encontradas em todos os similares;
i) utilizar situações de pressão psicológica ou violência que sejam capazes de infundir medo.
II - Quando os produtos forem destinados ao consumo por crianças e adolescentes seus anúncios deverão:
a) procurar contribuir para o desenvolvimento positivo das relações entre pais e filhos, alunos e professores, e demais relacionamentos que envolvam o público-alvo;
b) respeitar a dignidade, ingenuidade, credulidade, inexperiência e o sentimento de lealdade do público-alvo;
c) dar atenção especial às características psicológicas do público-alvo, presumida sua menor capacidade de discernimento;
d) obedecer a cuidados tais que evitem eventuais distorções psicológicas nos modelos publicitários e no público-alvo;
e) abster-se de estimular comportamentos socialmente condenáveis.
§ 1º Crianças e adolescentes não deverão figurar como modelos publicitários em anúncio que promova o consumo de quaisquer bens e serviços incompatíveis com sua condição, tais como armas de fogo, bebidas alcoólicas, cigarros, fogos de artifício e loterias, e todos os demais igualmente afetados por restrição legal.
§ 2º O planejamento de mídia dos anúncios de produtos de que trata o inciso II levará em conta que crianças e adolescentes têm sua atenção especialmente despertada para eles. Assim, tais anúncios refletirão as restrições técnica e eticamente recomendáveis, e adotar-se-á a interpretação a mais restritiva para todas as normas aqui dispostas.
Nota: Nesta Seção adotaram-se os parâmetros definidos no art. 2º do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90): “Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade.”

Para finalizar, a célebre campanha do chocolate que dá título a esta postagem, está listada entre os 34 casos de propaganda para crianças que foram apreciados e constam no site do Órgão. O parecer? “A nosso ver, é suficientemente claro na publicidade o aspecto caricatural da hipnose. Ela não dá a impressão de mais do que uma espécie de paródia de hipnotização. As crianças demonstram estar conscientes de que participam como atores em uma comédia.”

sábado, 1 de novembro de 2008

O pêndulo




No dia seguinte à vitória da Eduardo Paes, o jornal O Globo publicou em sua primeira página uma lista com 39 promessas do candidato que a população deve cobrar. A lista veio demarcada por uma linda pontilhada, para ser recortada e mantida na agenda, na porta da geladeira, ou em algum lugar visível.

Independente do jornal e do candidato, a iniciativa é ótima e deveria virar rotina. Nós nunca cobramos de quem elegemos. Mea culpa: eu sequer lembro em quem votei para vereador neste ano. Nem mesmo para deputado estadual nas eleições anteriores.

No outro dia, o mesmo jornal anunciava em manchete que o prefeito eleito já descumprira três das promessas da lista. Ou seja, o sinal foi claro: o jornal não pretende dar tréguas. Será de oposição.

E aí chegamos ao ponto: a propalada imparcialidade da imprensa. Para mim é um mito. Uma falácia.

Quando um jornal qualquer, por exemplo, anuncia-se como imparcial, como aquele que narra os fatos, sem distorcê-los, oferecendo a verdade aos seus leitores, isto é muito mais do que uma informação. O jornal pretende convencer os seus leitores – e potenciais leitores – disso. Assim, eles poderão sentir-se inclinados a comprar o jornal. Todo discurso é persuasivo. Pretendemos sempre convencer o interlocutor da nossa verdade e para isso oferecemos-lhe algo verossímil.

Portanto, não há discurso que seja isento de subjetividade, não há neutralidade. Não há a verdade na imprensa. Existem as verdades. Realidade é relativa.

A impressão que eu tenho é a de que antes havia uma tentativa dos veículos de comunicação em disfarçar suas opções políticas. Havia mais cuidado em não deixar transparecer. Hoje, parece que estão mais despudorados.

Obviamente, não estou falando aqui dos jornais e emissoras de rádio pertencentes a políticos. Nesses casos, tudo sempre foi às claras. Era o jornal do Collor em Alagoas, o jornal do ACM na Bahia e por aí vai.

Sem nenhum esforço, me vem à mente a revista Veja fazendo oposição ao governo Lula e a Carta Capital posicionando-se a favor. Os jornalistas mais prestigiados também não escondem suas opções. Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Elio Gaspari de um lado. Jorge Bastos Moreno, do outro, ao lado do PT. Colunistas também escancaram suas preferências nas últimas eleições municipais: Martha Medeiros e Arnaldo Jabor, por exemplo, apoiaram Gabeira.

Como fica a credibilidade de um veículo quando assume a sua posição? Como confiar no conteúdo de informação que ele traz? Será que a credibilidade realmente fica abalada? Ou assumir é melhor do que a imparcialidade velada? É melhor escrachar do que ser hipócrita? Penso que é melhor assumir, ninguém mais é tão ingênuo hoje em dia a ponto de acreditar na neutralidade.

Então se os veículos assumem suas posições políticas, assumem de que lado estão, em que medida eles deixam de ser imprensa para ser material publicitário?

Nos EUA, os grandes jornais fazem editoriais assumindo suas posições. Compra quem quer. Cada um sabe o que vai encontrar lá. Li uma notícia recentemente que dizia que cerca de 70% (não me recordo bem do número, é algo próximo a isso) dos jornais americanos haviam se manifestado pró-Obama. Ou seja, é campanha aberta.

E há, ainda, o grupo de veículos que são como pêndulo. Mudam de lado conforme o quinhão de verbas publicitárias que recebem. Nutrem fidelidade sincera pelo dinheiro.
E você, de que lado está? Eu estou do lado do bem.