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domingo, 26 de julho de 2009

Cartas de navegação e despedida



Neste domingo, minha amiga D. emigra legalmente para o Canadá. Vai para o lugar que é o seu no mundo, embora não tenha nascido lá.

Nos últimos tempos, acompanhei o seu processo de desligamento daqui. E posso dizer que ela teve uma oportunidade invejável.

A oportunidade de acertar as contas, de não deixar pendências. Ela pôde demitir-se, pôde sair de sua casa, vender e doar seus móveis e objetos pessoais, livros e discos e, pôde, sobretudo, dizer o que quis a quem ela tinha algo a dizer.

D. vai embora zerada. É como morrer. Só que com a imensa vantagem de não morrer. Ela renasce e leva na bagagem sua experiência de quase 30 anos. Pronta para uma nova vida que eu desejo seja muito feliz.

Eu muitas vezes quis partir também. Mas casei a primeira vez muito cedo, passei em concurso público muito cedo e fui um pouco covarde, talvez, desde sempre. D. não é a primeira amiga que, com coragem e responsabilidade, parte para viver em outro país. Muitos foram por uns tempos e voltaram. Alguns não devem voltar jamais. Por motivos diferentes, R. foi para o Porto, F. já morou em várias cidades americanas, M. foi para Londres, A. para Paris, B. para Berlim, L. para L.A, D para Atlanta e A. para Pittsburgh.

Inscrevi todos os que partiram na memória.

E escrevi cartas de navegação e despedida.

Mas melhor que despedida é recomeço.

See you, D.

ps.: na véspera de embarcar, D. foi assaltada. Levaram seu o celular e o relógio. Foi a saideira.