sábado, 19 de março de 2011

Sendo homem

Hoje cedo, li a coluna de estreia de Reinaldo Moraes no caderno Ela. É, eu sempre começo a leitura do jornal de sábado pelo Ela. Moraes é autor do excelente “Pornopopéia”, que muitos apontam como um dos melhores livros brasileiros deste século. No jornal, ele substitui o ótimo e ácido João Ximenes Braga, que assinou o espaço quinzenalmente por catorze anos.


Em seu texto, Moraes anuncia-se um “Macho Light”, hetero que “tem seus momentos de delicadeza e relativa elegância visual que aprendeu com las chicas desde a mais tenra meninice”. Afirma que seu “zelo com a conduta e a estampa” era parte de seu “aprendizado civilizatório com as mulheres” e que vivia em busca da “menor oportunidade de abrir portas ou catar coisas caídas no chão pras mulheres, e também de tocá-las, nem que fosse só num cotovelo para atravessar a rua.”

Eu me enquadraria nesse perfil, mas não curto esse negócio de rótulos. Gosto do mundo masculino: futebol (Mengo!), cerveja & uísque, muscle-cars, Harley-Davidson, rock & blues, churrasco, filmes do Tarantino, pornografia e falar muita sacanagem e baixaria. E, claro, amo mulher sobre todas as coisas. Mais até do que algumas mulheres com quem me relacionei gostariam, considerando que nem sempre minhas paixões foram sequenciais, mas simultâneas. Desculpem aí pela sinceridade. Atire a primeira pedra quem nunca foi cafa.

Por outro lado, me identifico tanto quanto com algumas coisas comumente associadas ao gosto feminino: moda, shopping, decoração, arquitetura, poesia, arte, comédias românticas, para ficar em alguns exemplos. Até discuto a relação de vez em quando. Bem, raramente. E com objetividade.

O fato é que, desde pequeno, sempre preferi estar nas rodas de conversa femininas do que nas do Clube do Bolinha. Ouvindo-as, aprendi. O que só aumentou meu fascínio pelo universo das mulheres.

Acredito que não há combinação mais poderosa do que força e delicadeza. Gentileza, elegância e sensibilidade podem – e devem – se equilibrar com a indispensável virilidade.

Macho classic, light, diet ou zero, eu não quero nem saber. Só quero continuar sendo simplesmente homem. Imperfeito assim.

2 comentários:

vicbrum disse...

assino embaixo

Anônimo disse...

bom pra caralho. coincidentemente, escrevi hoje um texto de amor às mulheres, que deve ser publicado daqui a algumas semanas lá no blog f_rmalistas, caso o editor aceite o texto. minha inspiração foi a mais prosaica, observava pessoas no shopping e lia um pouco de macedonio fernández quando... pimba!, apareceu a ideia. como sempre tenho um caderno de anotações, botei no papel. entre outras asneiras, digo que casamento é atividade eminentemente feminina. mas isso tudo pra dizer que seu texto ficou ótimo e que também desconfio dos rótulos (tal como você, sinto-me mais à vontade e aprendo melhor com mulheres). e, sim, continuo sendo cafa boa parte do tempo, infelizmente, isso não dá pra separar da condição, fazer o quê. abraços. paulo paniago