quinta-feira, 17 de junho de 2010

Peladas & vestidas



Concluída a primeira rodada da Copa, com um monte de peladas e pouquíssimos gols, o que temos de bom é o seguinte: o futebol da Alemanha e as torcedoras da Dinamarca.


Gostei também da vitória da Suíça sobre a Espanha, por razões ancestrais. Não sou Wirz à toa.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Brasilzinho

Enquanto era executado o hino da Coreia do Norte (República Popular Democrática só pode ser ironia, né?), um de seus jogadores chorava copiosamente, numa demonstração exacerbada de patriotismo. Mal sabia eu que, durante o jogo, eu também teria vontade de derramar muitas lágrimas. De raiva.

No primeiro tempo, com uma preguiça baiana e sucessivos toquinhos laterais improdutivos, o Brasil foi um time de Zinhos.

Ao contrário de mim, minha mulher adorou o primeiro tempo. Dormiu o tempo todo e não houve vuvuzela, morteiro ou caca de Kaká que a despertasse.

Na hora do intervalo, mudei de canal para o Multishow para assistir ao programa “Na hora do intervalo” que apresentava ótimos comerciais de automóveis. Quase não voltei para o jogo.

Mas sou masoquista. Só isso explica eu assistir à partida com a narração do rrrrrrrrrrrrrridículo Galvão Bueno. É que, confesso, gosto dos comentários do Falcão e do Casagrande.

Na segunda etapa, o time melhorou muito e foi ruinzinho. Eu já estava quase torcendo para a Coreia do Norte. O Brasil levou espantosos 55 minutos para conseguir fazer um gol e, quantas vezes assista ao replay, tantas eu pensarei que o gol do Maicon foi pura sorte. O Elano fez um belo segundo gol e, na sequencia, saiu de onde nunca devia ter entrado: do time. No final, conseguimos levar um gol dos coreanos. Por sinal, um gol bacana, em jogada rápida de contra-ataque.

O time da Coreia do Norte é tão ruim quanto o ditador daquele país. É um monte de Kim, Cha, Jong, Hong, Kum, Pum, Guk que jogam um futebol impronunciável.

Por enquanto é isso. E isso é quase nada. Vamos em frente, vencendo sem jogar. Domingo, no segundo round da Copa, teremos a droga do time versus o time do Drogba.

sábado, 12 de junho de 2010

Hoje



Tô namorando.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Primeiros passos



No dia 9 de junho, Mirelle Siqueira publicou no blog “13 anos depois” um belo post em homenagem ao aniversário do marido Léo. Intitulado “Eu escolho você”, o texto tinha como mote o momento exato em que sua vida muda.

Mirelle cutucou os leitores para que contassem ali suas histórias de amor. Instigado, não resisti e, nos comentários, escrevi o que segue, no maior espírito só love que precede o Dia dos Namorados:

"Sou carioca, mas morava em Brasília havia sete anos. Vim ao Rio para o show do Pearl Jam em dezembro de 2005. Na véspera, fui tomar um chopp despretensioso com um antigo amigo e sua mulher. Ele me disse que uma amiga da mulher dele e outras duas meninas que eles não conheciam nos encontrariam no bar.

Quando chegamos ao bar em Laranjeiras, eu disse ao meu amigo: “Só falta ser aquela mesa ali, olha só que gata aquela mulher”.

Era a mesa e era a mulher. Tereza. Uma das amigas da amiga da mulher do meu amigo.

Naquela mesma noite, disse a ele: eu vou casar com essa mulher.

Na noite seguinte, eu a levei ao show comigo.

Dez meses depois deixei Brasília e nos casamos no Rio."


Vai lá e conta a sua história também. O amor é lindo.

ps.: A foto que ilustra este post foi tirada pelo meu amigo, com o celular, na saída do show do Pearl Jam. Acho que ele intuiu que era preciso registrar aquele nosso momento histórico.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Amarelaranja


Futebol como metáfora da vida desperta paixões, etc & tal, blá, blá, blá que já sabemos. Assim como a vida, futebol não é um troço justo.

Se fosse, vários canecos estariam em outras mãos. Por exemplo, em 1950 não teria havido o Maracanazo e o Brasil, anfitrião, teria erguido a Jules Rimet pela primeira vez. Em 54, a Hungria de Puskas bateria a Alemanha. Em 66, o Portugal de Eusébio teria chegado à final e ficado com o título. O Carrossel Holandês de Cruyff em 74 e a Laranja Mecânica em 78 teriam sido bicampeões. E em 1982, aquele time espetacular montado por Telê Santana, com Júnior, Falcão, Sócrates e Zico, merecia mais do que qualquer outro ter sido campeão do mundo.

Os dois vice-campeonatos holandeses e a derrota do Brasil para Itália na Copa de 1982 prestaram um enorme desserviço ao esporte. O futebol bem jogado, bonito de se ver, involuiu a partir daí com seleções burocráticas, porém eficientes, triunfando.

Agora, a Copa faz um intervalo no ano de 2010 e os olhos do mundo se voltam para a África do Sul. Torço para o Brasil, apesar das discordâncias fervorosas com o Dunga. Mas meu coração futebolístico também bate forte pela Holanda.

É curioso. Não vejo ninguém detestar a Holanda. Ela é respeitada e querida por quem gosta de futebol. Guardadas as devidas proporções, a Holanda é como o América para os torcedores cariocas: o segundo time de todo mundo que não é, obviamente, holandês.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A kiss is just a kiss

Foto: AP


Nos últimos meses Sandra Bullock foi notícia porque faturou o Oscar de melhor atriz por sua performance em The Blind Side (Um sonho possível, no Brasil) – aliás, ótimo filme, comovente – e porque vieram à tona as histórias de adultério de seu então marido com uma stripper toda tatuada.


Neste final de semana, na premiação do MTV Awards, a Miss Simpatia sapecou um beijo em Scarlett Johansson e, claro, me matou de inveja. Ceninha típica para ser clicada e aparecer na mídia all over the world. Truquezinho barato. Madonna e Britney já fizeram isso anos atrás – e muito melhor.

E está aí a imagem sendo notícia e ocupando espaço em publicações nobilíssimas como este blog.

Duas mulheres (ou dois homens) se beijando na boca não deveria chocar mais ninguém, mas, por incrível que pareça ainda incomoda audiências mais conservadoras. Ok, ok, duas mulheres juntas é a fantasia masculina favorita. E acredito que também inspire um número significativo de mulheres. Mas penso que a explicação para a imagem correr o mundo esteja no fato de serem celebridades brincando de transgressoras.

No caso de Sandra, pode ter sido um pedido de “ei, vamos virar o disco?” aos tablóides e revistas de fofocas. Melhor falar de um beijo do que separação.

Ou então, não foi nada disso. Foi tão somente uma manifestação espontânea de afeto. Às vezes, um beijo é só um beijo. Uma delícia sem teorias de botequim.

domingo, 6 de junho de 2010

Pelo rés do chão

Em seu texto intitulado “A vertigem de sobreloja”, publicado no caderno Prosa & Verso em 5/6/2010, o crítico literário José Castello comenta o livro “O espalhador de passarinhos”, de Humberto Werneck, Edições Dubolsinho.


Garimpei do texto passagens muito elucidativas sobre o ofício do cronista. Como parcela significativa dos leitores deste blog também escreve seus próprios blogs, compartilho as sábias palavras de Castello:

“(...) Às vezes é irônico, outras é até mordaz, mas nunca abdica das coisas do mundo. Só quem atribui um grande valor à vida desenvolve a atenção sutil que ele tem. Só escreve boas crônicas quem aceita as nuances da existência. O bom cronista despreza os grandes temas e prefere as migalhas oferecidas pelo cotidiano. Prefere se elevar e voar, a agarrar e prender.

(...)

Mesmo sendo o gênero do Eu, a crônica não é o lugar da exibição e do triunfo. Penso em Rubem Braga, de bermudas e chinelos, tratando de seus passarinhos, na contramão da fama literária. Falhar: eis tudo que um cronista deve saber. Werneck, ele mesmo, admite: ‘É sabida a minha incompetência para administrar o que quer que seja, a começar por mim mesmo.’Não o gênero da glória e da empáfia, mas o gênero da delicadeza e do fracasso. Um gênero, enfim, do humano. Cronistas são homens que aprendem a olhar. Homens que praticam o que Humberto Werneck chama de ‘olhares que iluminam’.

A crônica, ele nos mostra ainda, é uma ‘viagem prazerosa e vadia’ pelo rés do chão. Viagem rasteira e serena, sem preparativos, nem agendas. E quando voa – e voar faz parte também de sua natureza – o cronista imita Seu Fernando, o pai de meu amigo baiano, para quem o próprio vôo é mais importante que o destino. O cronista não vê o que os outros não vêem, mas o que os outros, mesmo vendo, desprezam”.

sábado, 5 de junho de 2010

Sobre cachorras e poetas


Estive ontem à noite na Livraria Argumento para o lançamento de “Mulher Perdigueira”, novo volume de crônicas de Fabrício Carpinejar, editado pela Bertrand Brasil. Aproveitei para comprar também o "www.twitter.com/carpinejar", onde ele reúne em livro os aforismos em 140 caracteres que vem publicando na internet.


Na dedicatória autografada em meu exemplar, ele generosamente escreveu: “Para Leandro, que sabe manejar um verso e atacar. Beijo, Carpinejar”

Agradeço. É bom ter esse reconhecimento de um escritor a quem admiro muito.

Mas, exceto na literatura, para mim, não "quero uma mulher perdigueira, possessiva, que me ligue a cada quinze minutos para contar uma ideia ou uma nova invenção para salvar as finanças, quero uma mulher que ame meus amigos e odeie qualquer amga que se aproxima. Que arda de ciúme imaginário para prevenir o que nem aconteceu. Que seja escandalosa na briga e me amaldiçoe se abandoná-la. Que faça trabalhos em terreiro para me assustar e me banhe de noite com o sal grosso de sua nudez. Que feche meu corpo quando sair de casa, que descosture meu corpo quando voltar. Que brigue pelo meu excesso de compromissos, que me fale barbaridades sob pressão e ternuras delicadíssimas ao despertar. Que peça desculpa depois do desespero e me beije chorando".

Caro, me basta o livro, que ontem mesmo comecei a ler. Prefiro outras raças.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Altíssimo nível

Eu sou um pacato cidadão honesto da classe média. Não compro produto pirata (nem um mísero DVD) e pago imposto de renda e todos os demais, diretos e indiretos.


Daí vem o seu presidente afirmar, em discurso realizado na noite de 31/5, no encerramento do Seminário de Alto Nível da Comissão Econômica para América Latina (Cepal) – aliás, que “alto nível” auto-elogioso é esse?!

- “Tem muita gente que se orgulha de dizer: "No meu país, a carga tributária é de apenas 9%"; "No meu país, a carga tributária é apenas 10%". Quem tem carga tributária de 10% não tem Estado! O Estado não pode fazer absolutamente nada. Está aí, cheio de exemplos para a gente ver. É só percorrer o mundo para a gente perceber que exatamente os Estados que têm as melhores políticas sociais são os que têm a carga tributária mais elevada. Vide Estados Unidos, Alemanha, França, Suécia, Dinamarca. E os que têm a carga tributária menor não têm condições de fazer absolutamente nada de política social.”

A carga tributária brasileira é uma das maiores do mundo. Ela sim é de alto nível. Mas o que temos está muito aquém do que o poder público oferece à população desses países citados.

Senhor presidente, sinceramente, eu não tenho problemas em relação ao imposto que pago. Tenho em relação ao que recebo do governo. De todos os governos. O seu e o de seus antecessores. Nas esferas federal, estadual e municipal.

Ensino de qualidade nas escolas públicas, rede de saúde, saneamento, bons serviços públicos, menos burocracia, sistema judiciário ágil e eficiente, segurança pública, estradas e ruas asfaltadas com um mínimo de decência, previdência oficial, malha de transportes, etc etc etc.

Enfim, absolutamente tudo que depende do alto imposto que nós brasileiros pagamos para gerar o tal Estado forte e funcionar bem, não funciona a contento. O Estado é forte para arrecadar, mas fraco para realizar.

O problema não está do lado de cá, dos pagadores. Está do lado dos gestores e prestadores de serviço. Do seu lado, portanto. Do lado da turma de “alto nível”.

Tabacaria

E já que falamos em cigarros, não conheço poema com melhor começo do que este.

"Tabacaria

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo".

Fernando Pessoa