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sábado, 5 de junho de 2010

Sobre cachorras e poetas


Estive ontem à noite na Livraria Argumento para o lançamento de “Mulher Perdigueira”, novo volume de crônicas de Fabrício Carpinejar, editado pela Bertrand Brasil. Aproveitei para comprar também o "www.twitter.com/carpinejar", onde ele reúne em livro os aforismos em 140 caracteres que vem publicando na internet.


Na dedicatória autografada em meu exemplar, ele generosamente escreveu: “Para Leandro, que sabe manejar um verso e atacar. Beijo, Carpinejar”

Agradeço. É bom ter esse reconhecimento de um escritor a quem admiro muito.

Mas, exceto na literatura, para mim, não "quero uma mulher perdigueira, possessiva, que me ligue a cada quinze minutos para contar uma ideia ou uma nova invenção para salvar as finanças, quero uma mulher que ame meus amigos e odeie qualquer amga que se aproxima. Que arda de ciúme imaginário para prevenir o que nem aconteceu. Que seja escandalosa na briga e me amaldiçoe se abandoná-la. Que faça trabalhos em terreiro para me assustar e me banhe de noite com o sal grosso de sua nudez. Que feche meu corpo quando sair de casa, que descosture meu corpo quando voltar. Que brigue pelo meu excesso de compromissos, que me fale barbaridades sob pressão e ternuras delicadíssimas ao despertar. Que peça desculpa depois do desespero e me beije chorando".

Caro, me basta o livro, que ontem mesmo comecei a ler. Prefiro outras raças.

sábado, 25 de outubro de 2008

Dois caras

Tem dois caras de quem eu espero saírem os livros, como antigamente a gente esperava o lançamento do disco das bandas favoritas. Bem, eu ainda espero os álbuns do U2.

Os caras são o poeta, cronista, jornalista e professor Fabrício Carpinejar e o jornalista, escritor e - ninguém é perfeito - botafoguense, Arthur Dapieve. Ambos publicaram livros novos neste mês, com noites de autógrafos no naco de paraíso que é a Livraria da Travessa, todas, mas especialmente a do Shopping Leblon, do gente boa Rui Campos.

Os livros são Canalha!, volume de crônicas de Carpinejar, edição da Bertrand Brasil; e Black music, segundo romance de Dapieve, edição da Objetiva. Claro que irão, abusadamente, furar a fila das minhas leituras pendentes.

Dapieve foi meu professor no curso de jornalismo na PUC numa década longínqua e já nos encontramos algumas vezes, quase sempre em lançamentos de livros. Ele generosamente escreveu o prefácio do meu Lâmina do adeus. Sua coluna publicada no Segundo Caderno de O Globo é, há muitos anos, minha primeira leitura às sextas-feiras.

O gaúcho Carpinejar e eu estivemos uma vez na mesma mesa de bar em Brasília, com amigos em comum. Ele é um pouco mais jovem do que eu, completou 36 anteontem. Acho que é o melhor poeta da nossa geração, se é que ainda faz algum sentido falar em geração de poetas nos dias de hoje. Se fosse adotar o hábito de fazer listas e rankings, como o personagem Rob, do romance e filme Alta Fidelidade, de Nick Hornby, adaptado no Brasil para o teatro como A Vida é Cheia de Som & Fúria, eu afirmaria sem medo de errar que seu livro de crônicas O amor esquece de começar, está no meu top five.

Breve, comentarei sobre os livros aqui no Mar de Coisa (estou lendo, estou lendo). Enquanto isso, só posso indicar a bibliografia completas dos caras:

Carpinejar: As Solas do Sol, Um Terno de Pássaros ao Sul, Terceira Sede, Biografia de uma árvore, Caixa de Sapatos, Porto Alegre e o dia em que a cidade fugiu de casa, Cinco Marias, Como no Céu e Livro de Visitas, O Amor Esquece de Começar, Filhote De Cruz Credo, Meu filho, minha filha e Canalha!

Dapieve: BRock - o rock brasileiro dos anos 80 (obra de referência), Miúdos metafísicos (crônicas), Rock em CD - guia para uma discoteca básica (com Luiz Henrique Romanholli), Renato Russo (biografia), De cada amor tu herdarás só o cinismo (romance), Black music (romance).

Leiam tudo!