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domingo, 11 de julho de 2010

O mar é de coisa

Praia Grande, Arraial do Cabo, 2008. Foto: Leandro Wirz


"Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar
O mar é das gaivotas
E de quem sabe navegar.


Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
Brigam Espanha e Holanda
Porque não sabem que o mar
É de quem o sabe amar. "

Leila Diniz


O mar é dessas coisas.

domingo, 4 de julho de 2010

Meio por cento

Uruguai, nem pensar. Não dá para perdoar o Maracanazo, mesmo que ele tenha acontecido há seis décadas. Sou rancoroso até com o que aconteceu muito antes de eu nascer. Para cima de mim, não cola esse papo de identidade sul-americana. Tô nem aí. Além disso, o anti-jogo acabou sendo premiado, graças àquela defesa do “goleiro” Suarez no último minuto da prorrogação contra a Gana. O Gyan não converteu o pênalti que levaria uma nação africana às semifinais, mas foi muito macho ao iniciar a série de cobranças de penalidades. Pena que não dá para trocar um pênalti pelo outro. Já o goleiro de Gana se tivesse feito o dever da casa saberia que El Loco Abreu bate pênalti sempre com a “cavadinha”, que beira a irresponsabilidade e justifica seu apelido. Outro ponto que me faz torcer contra o Uruguai é esse: imagina ter que aturar que o Brasil não foi campeão, mas um jogador do Botafogo, sim. Nem pensar.


Espanha passou aperto contra o Paraguai e é um time que tem tradição em Copa do Mundo. Tradicionalmente, chega cheia de moral, alçada a melhor seleção européia, e tem desempenho frustrante, tombando logo do alto de seu ego. A Espanha é igual jogador de clube: joga muito no seu time e quando chega na seleção não faz o mesmo. A seleção da Espanha arrasa na Europa, mas a Fúria chega mansinha nas Copas. É um país maravilhoso que ainda não foi campeão. Mas acho que vão mesmo para a disputa do bronze.

Holanda. Já escrevi mais de uma vez o quanto gosto. Tenho bisavó holandesa. Sobrenome Hoogterp. O país é lindo, tem a zona vermelha e os cafés em Amsterdã. Todo mundo pedala (e não só o Robinho). Além disso, perdeu injustamente as finais das Copas de 74 e 78, com um futebol encantador. Nos mundiais seguintes, também se apresentou muito bem, melhor até do que neste ano. O título seria uma reparação a uma injustiça histórica. Não merecem ser tri-vice como o Botafogo foi do Flamengo em 2007, 2008 e 2009.

Se superar a Espanha e chegar à final, será a oitava decisão alemã, uma a mais que o Brasil, que chegou à última rodada sete vezes e venceu cinco. Alemanha venceu três e perdeu quatro. Não merece a sina vascaína e ser vice mais uma vez. Penta vice é demais até mesmo para os fortes alemães. Além disso, tem, disparado, o melhor futebol da Copa (apesar do inexplicável apagão contra a Sérvia na primeira fase), o uniforme mais bonito, um brasileiro naturalizado alemão (Cacau) no seu time multinacional e, como bônus, ainda nos fez a gentileza de despachar a Argentina na mesma fase que o Brasil.

Acho que prefiro ver a Holanda conquistar um título inédito. Tem 0,5% a mais na minha preferência do que a Alemanha.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Chupa essa laranja



Verdade seja dita, em todos os escritórios em que há expediente nesta tarde pós derrota e pró cerveja, o que está rolando mesmo é mesa redonda. Com sobras de petiscos e discussões sobre o jogo.


No início, parecia que seria fácil para o Brasil vencer a Holanda e foi assim até o intervalo. Na volta, o time desconcentrou, achando que tinha o jogo nas mãos. Ou melhor, nos pés. Ledo engano.

Júlio César, que realmente é o melhor goleiro do mundo, falhou quando não podia e junto com o F. Merdo, fez o primeiro gol da Holanda. Daí em diante, o time mostrou só destempero, especialmente o já citado elemento, que deu um injustificável pisão em um jogador holandês e levou merecido cartão vermelho.

O Agamenon, colunista de humor, disse que o Dunga cometeu mais um equívoco na convocação: deveria ter chamado o goleiro Bruno que, suspeitam, seria eficaz na fase mata-mata. Piada maldosa. Mas a vida é  assim, o que não mata engorda. Falando nisso, Ronaldo ex-Fenômeno escreveu no Twitter: “Felipe Melo não deve passar as férias no Brasil”. Por esse raciocínio, diria que Ronaldo também não deveria depois de ter amarelado na final da Copa de 1998. Mas ele até já mora aqui, comprovando que somos um povo de memória curta. Quer dizer, aqui não. Ele mora em São Paulo.

Lorde Dunga, na coletiva, disse que a culpa era de todos e não só do Felipe Melo. Concordo e achei correta a resposta do técnico . Mas o lado bom da eliminação do Brasil é que termina a famigerada Era Dunga, de futebol medíocre, e que este timezinho chinfrim montado por ele não terá a glória de ser campeão do mundo.

Agora, vamos ao hexa em 2018. É, porque em 2014, temo um novo Maracanazo, por conta de um clima de “já ganhou” porque jogaremos em casa. A euforia leva à debilidade.

Nesta Copa, fico em dúvida sobre quem torcer agora. Gosto da Holanda, mas o melhor futebol até agora é o da Alemanha. Gana é a simpática zebra. Normalmente, a Argentina estaria descartada, mas queria ver o Maradona pagar a promessa de ficar nu no Obelisco, só pela bizarrice da coisa. Nudez por nudez, eu quero mesmo ver a da modelo paraguaia Larissa Riquelme, que prometeu desfilar assim pelas ruas de Assunção. Embora eu ache que se não for o título de sua seleção, Larissa vai arrumar um outro motivo qualquer para expor ao mundo seu muitíssimo bem-sucedido implante de silicone.

Difícil escolher para quem torcer. Mas é fácil saber quem vai perder. Basta ver, antes do jogo, em qual torcida se sentará Mick Jagger. Hoje, Mr.Cold Foot estava de novo lá no estádio. Do nosso lado. E assim selou nosso destino.

Árdua tarefa


Diante de argumentos tão, digamos, contundentes, é difícil torcer contra a Holanda , mas vamos lá, rumo a final contra a Argentina!

Difícil também será o jogo com a Holanda, acredito eu. E mais difícil ainda será a Argentina passar pela Alemanha.

No mais, sem querer soar como aqueles chatos nostálgicos que acham que tudo no passado era melhor, eu concordo com o Cruyff: cadê a magia do futebol brasileiro? Nesta Copa, mesmo ganhando, ela ainda não entrou em campo.



ps.: sim, mais uma foto de torcedoras. Vocês não esperam que eu vá postar uma foto do Kaká, não é?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Amarelaranja


Futebol como metáfora da vida desperta paixões, etc & tal, blá, blá, blá que já sabemos. Assim como a vida, futebol não é um troço justo.

Se fosse, vários canecos estariam em outras mãos. Por exemplo, em 1950 não teria havido o Maracanazo e o Brasil, anfitrião, teria erguido a Jules Rimet pela primeira vez. Em 54, a Hungria de Puskas bateria a Alemanha. Em 66, o Portugal de Eusébio teria chegado à final e ficado com o título. O Carrossel Holandês de Cruyff em 74 e a Laranja Mecânica em 78 teriam sido bicampeões. E em 1982, aquele time espetacular montado por Telê Santana, com Júnior, Falcão, Sócrates e Zico, merecia mais do que qualquer outro ter sido campeão do mundo.

Os dois vice-campeonatos holandeses e a derrota do Brasil para Itália na Copa de 1982 prestaram um enorme desserviço ao esporte. O futebol bem jogado, bonito de se ver, involuiu a partir daí com seleções burocráticas, porém eficientes, triunfando.

Agora, a Copa faz um intervalo no ano de 2010 e os olhos do mundo se voltam para a África do Sul. Torço para o Brasil, apesar das discordâncias fervorosas com o Dunga. Mas meu coração futebolístico também bate forte pela Holanda.

É curioso. Não vejo ninguém detestar a Holanda. Ela é respeitada e querida por quem gosta de futebol. Guardadas as devidas proporções, a Holanda é como o América para os torcedores cariocas: o segundo time de todo mundo que não é, obviamente, holandês.