quinta-feira, 7 de maio de 2009

Gisele é isso




No último domingo começou a veiculação da campanha “HDTV é isso”, da Sky, assinada pela agência Giovanni + Draftfcb. Mas dadas as proporções da campanha, a gente bem pode conjugar o verbo “Estrear”.

No Fantástico, da Globo, e em programas dominicais de outras emissoras, a campanha estreou com filme de 2 minutos, estrelado por Gisele Bundchen. Refastelada em um sofá no lobby do Aeroporto de Congonhas, a bela assiste aos personagens dos programas de TV se misturarem com o público atônito. Assim, temos jogadores de futebol americano (Dá-lhe Tom Brady!), soldados, monstros, músicos, invadindo a cena, conforme o gênero do programa exibido na TV enquanto Gisele zapeia.

Nas revistas semanais, seqüências de cinco páginas. Superprodução no filme, übermodel no elenco, e nada de economia na veiculação.

Olhando para a reprodução de um dos anúncios da campanha com Gisele de pernas de fora e pose de roqueira, a gente é obrigado a concordar com o texto: “Shows como você nunca viu”.

Eu quero ver Gisele em alta resolução.

Meus heróis morreram de overdose...



Eu não gosto de jogar videogame. A razão é simples, embora irracional: eu sou velho demais. Eu nasci antes, muito antes, do Telejogo, do Atari, do Nintendo, que são os precursores jurássicos do Play Station, do X-Box, do Wii. Eu passei a infância entretido com as brincadeiras tradicionais dos moleques: bola, pipa, bicicleta, pique, porrada, forte apache etc. Daí que quando chegou a era dos videogames, eu já estava em idade de namorar. Aliás, naquela época, eu só pensava em namorar e em exterminar as espinhas da cara.

Mas há uma exceção no mundo dos games. Recentemente, descobri na casa de um amigo quase tão velho, mas bem mais moderno do que eu, o Guitar Hero. É uma espécie de videokê, que é diversão favorita dos malas. Só que ao invés de cantar, você toca guitarra. Silenciosamente, para alegria dos vizinhos, que só ouvem a gravação da música e não você desafinando com a voz ou com o instrumento. Naquela tarde, eu fiquei pagando mico tentando acertar os acordes de About a girl, do Nirvana, e The one I love, do R.E.M. Sobre minha sofrível performance, posso dizer que algumas long necks prejudicaram um pouco minha coordenação motora. Ou talvez seja justamente por causa das cervas que eu tenha achado divertido.

Nesta semana, a produtora Activision anunciou novas versões da série. Além do Guitar Hero 5, vem aí Guitar Hero Van Halen, com o repertório da banda dos irmãos Eddie e Alex Van Halen; Band Hero, com 40 músicas que vão tentar agradar desde as crianças até os pais mais resistentes; e DJ Hero, com controle que simula as picapes reais das pistas de dança. Música eletrônica, hip hop e dance são alguns dos gêneros que devem estar na lista quando o jogo for lançado. O jogador poderá criar novas versões de músicas conhecidas, gravando seu próprio remix.

Isso também é um sinal dos tempos. A garotada hoje quer manipular a parafernália eletrônica que os DJs usam para criar seus sets e animar a galera nas festas e raves. Eles querem ser Tiesto, David Guetta ou fazer parte de alguma dupla israelense, como o Skazi. Quando moleque, eu batia cabeça e queria ser Angus Young, Jimmy Page, Clapton, Blackmore, Hendrix.... E picapes não eram instrumentos musicais. Eram meros toca-discos, que reproduziam músicas dos outros.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Porca miséria!




“Carnes nobres para pessoas idem”, diz o anúncio do restaurante Espaço Brasa.


Confesso que não entendi.


A carne de porco é nobre? Os lombos servidos no Espaço Brasa são nobres? O porco é nobre? Eu sou nobre? Eu sou um porco?

Tem também a falta de senso de oportunidade. Todo mundo alarmado com a gripe suína - embora os porcos sejam inocentes - e eles soltam um anúncio justo com o porco?! Pior ainda se justificarem dizendo que a campanha quis justamente aproveitar que está todo mundo falando em porco por causa da gripe.

Isso sem falar que “pessoas idem” é duro de engolir, né não?

Você é uma pessoa idem?

Eu sou publicitário formado, com duas pós, anos de experiência, mas esse anúncio está além (ou aquém) da minha compreensão.

Das duas uma: ou o anúncio é uma porcaria ou eu sou um...burro!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Quintal



Hoje faz 15 anos que Mário Quintana foi para o andar de cima. O escritor gaúcho, morto aos 87 anos, era um poeta das coisas simples, com estilo marcado pela ironia.

Para homenagear um dos melhores poetas brasileiros, segue uma coletânea de seus versos e frases:

“O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você.”

“Se alguém te perguntar o quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo...”

“Amar é mudar a alma de casa.”

“Sonhar é acordar-se para dentro.”

“Tão bom morrer de amor e continuar vivendo.”

“Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele!”

“A maior dor do vento é não ser colorido.”

“Da observação
Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...”

“Linha Curva
O caminho mais agradável entre dois pontos.”

“Melancolia
Maneira romântica de ficar triste.”

“Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer”.

“O Assunto
E nunca me perguntes o assunto de um poema: um poema sempre fala de outra coisa.”

“Quem não compreende um olhar,
tampouco compreenderá uma longa explicação”

“A esperança é um urubu pintado de verde.”

“Todos estes que estão aí
Atravancando o meu caminho
Eles passarão
E eu passarinho....”

“Não faças da tua vida um rascunho.
Poderás não ter tempo de passá-la a limpo.”

“Da felicidade
Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão,por toda parte,os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!"

“Confesso que até hoje só conheci dois sinônimos perfeitos: 'nunca' e 'sempre'.”

“Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!”

“A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer”

“Não tem porque interpretar um poema. O poema já é uma interpretação.”

“O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.”

“O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...”

“A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe.”

“Quem pretende apenas a glória não a merece.”

“Não importa saber se a gente acredita em Deus: o importante é saber se Deus acredita na gente...”

“Quero todo o teu espaço
e todo o teu tempo.
Quero todas as tuas horas
e todos os teus beijos.
Quero toda a tua noite
e todo o teu silêncio.”

“Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.”

segunda-feira, 4 de maio de 2009

As camisetas que nos deixam nus




Diga-me o que consomes e eu te direi quem és. O consumo é um elemento formador de nossa identidade e como nos vestimos é um modo de expressão.

As camisetas com imagens e/ou textos são uma maneira bem explícita de anunciar quem somos. Por meio delas, afirmamos valores, gostos, preferências, humores etc

Algumas são clássicas: as da Harley-Davidson, as do Jack Daniel’s, as do finado clube punk nova-iorquino CBGB, as do Che Guevara, a do alvo azul de apoio à campanha de prevenção ao câncer de mama, além das indefectíveis bandas favoritas. Eu gosto de sair por aí com minhas camisetas do Ramones e do The Doors.

E existem as engraçadinhas. Aí se veste o perigo. Primeiro, porque são como piada. Tem graça só na primeira vez. Depois, de novo, porque são como piada. Ou seja, facilmente podem resvalar para o mau gosto, a idiotice ou a grosseria.

A Banca de Camisetas, a Q-Vizu e a B2 são t-shirterias especializadas no segmento bem humorado. Acertam muitas vezes e erram outras tantas. Grifes convencionais também fazem uso das mensagens nas camisetas e nos tornamos outdoors ambulantes, ideológicos e/ou divertidos. A maioria das frases funciona melhor em inglês, talvez porque fique mais sutil, talvez porque seja possível ser mais conciso.

Listo algumas tiradas espirituosas, de diversas marcas: “Take me drunk, I’m home”, “Pablo who?”, “Rehab is for quitters”, “The best things in life are not things”, “Art.Science.Philosophy”, “Beer Poker Money Cicciolina”, “Same shirt, different day”, “No, not you. The pretty one”, “Departament of Redundance Departament”, “In dog we trust”, “Não fui eu.”, e uma que vi ontem: “Detesto camiseta com alguma coisa escrita”.

Por outro lado, as mais sexuais costumam ser um desastre infantilóide de gente que precisa ficar (auto)afirmando sua virilidade. Tipo “The Man (com seta para cima), the Legend (com seta para baixo)”, ou “I wrote the Kama Sutra”. E há ainda aquelas que se enquadram na categoria bizarrices baixo nível do tipo: “Instrutor Sexual”, "Agite antes de usar" ou “Eu gosto de trepar. Nos coqueiros de Porto Seguro”.

Outra dia, vi um marmanjo de quase 40 anos, usando uma camiseta com a imagem de um cara sentado no vaso sanitário, imitando a posição da escultura O Pensador, de Rodin, e com a palavra: “Download”.

Pensei se alguma das minhas amigas sairia com um cara que estivesse usando essa camiseta. Se alguma disser sim, mesmo que esteja desesperada e mesmo que esse cara seja o George Clooney ou o Rodrigo Santoro, a amizade acaba.

Trivice




Nova sede do Botafogo, trivice-campeão carioca.

Pentatri




A urubuzada (eu incluso)está feliz com a conquista, pela quinta vez, do tricampeonato carioca!

domingo, 3 de maio de 2009

O voo das gaivotas



Eu tinha futuro e não sabia. Culpa da minha mãe e dos professores que tive na escola.

Sim, eu era bom naquela brincadeira de fazer “gaivota” e jogar pela janela do apartamento ou mesmo dentro de sala de aula. Eu ficava com meu irmão e outros amigos gastando um monte de folhas de papel do caderno (êita, consciência ambiental) e promovendo campeonatos para ver qual avião planava mais tempo ou ia mais longe. Certa vez, acertei involuntariamente a nuca do professor de química, o que, claro, me rendeu uma bela suspensão mais um extenso – e justo – sermão pelo desrespeito.

Mas se minha mãe e meus professores soubessem que aquela brincadeira dos aviõezinhos de papel poderia virar um esporte sério, não teriam me reprimido. Afinal, eu poderia ter tido um futuro de campeão, com medalha de ouro no peito, alto do pódio, enrolado na bandeira do Brasilzão, hino nacional...

Li que o Brasil acaba de conquistar o bicampeonato mundial deste relevante esporte. O Red Bull Paper Wings, o Campeonato Mundial de Aviões de Papel, foi realizado em Salzburgo, na Áustria. O campeão é um estudante de engenharia, paulistano, de 27 anos. Ele venceu na categoria tempo de voo, com a marca de 11,66 segundos. Na categoria distância, o campeão foi um croata, cuja “gaivota” percorreu no ar impressionantes 54,43 metros. Na categoria voo acrobático – seja lá o que isso signifique -, o troféu coube a um japonês. O primeiro lugar por equipes ficou com a Polônia.

Esta é a segunda edição do Campeonato Mundial, patrocinado pelo energético que te dá asas, e realizado com periodicidade bienal. No primeiro torneio, o título também ficou com um brazuca.

Em tempos de Wii, Playstation e X-Box, e outras tantas virtualidades, não deixa de ser um alento que uma atividade tão lúdica como lançar ao ar aviões de papel ainda tenha entusiasmados adeptos mundo afora.

Então, fica aqui o alerta aos pais e mestres: não reprimam o talento natural do seu filho ou aluno. Ele pode ser um futuro campeão. Alçar altos voos e trazer muitas glórias e orgulhos a essa maltratada nação.

A propósito, está soprando um ventinho bom...

sábado, 2 de maio de 2009

Cardume




O ator norte-americano Aston Kutcher, cujo melhor papel é o de marido de Demi Moore, alcançou há duas semanas a inédita marca de um milhão de seguidores no twitter.

O Rei Roberto Roberto Carlos, que comemora 68 anos de idade e 50 de carreira, também já cantou que queria ter um milhão de amigos.

Eu não sou tão pretensioso. Não quero um milhão acompanhando este blog. Mas quero você.

É rápido e fácil. Vai lá, à direita, e clica em “Seguir”.

E pesque neste mar de coisa.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Sentado na lua minguante



Noite dessas, vendo a lua minguante como um brinco perfeito em um céu negro, voltou forte à minha cabeça a canção “Pessoas”, do Hojerizah.

Saudoso, ao chegar em casa, me apliquei em alto volume uma boa dose da banda, que como o jornalista Arthur Dapieve escreveu em seu livro BRock, foi uma das duas melhores da divisão de base da cena carioca dos anos 1980, junto com o Picassos Falsos.

O nome Hojerizah é a estilização de ojeriza, sinônimo de aversão, e vem da raiz espanhola ojo (olho). Tudo a ver com uma banda que causava estranheza não só pela voz operística de Toni Platão, como por apresentar melodias pesadas e letras líricas e depressivas em plena new wave coloridíssima daquela década.

A formação mais duradoura foi Toni Platão (vocal), Flávio Murrah (guitarra e principal compositor), Marcelo Larrosa (baixo) e Álvaro Albuquerque (bateria). Surgido no fim de 1983, o Hojerizah foi considerado durante bom tempo de difícil assimilação pelas gravadoras. Não sem razão. Seu som, primoroso nos arranjos, era mais sofisticado e suas letras bem mais difíceis do que as baboseiras pop de então. Afinal, se a década de 80 produziu Legião, Paralamas, Titãs, Barão, Kid Abelha, Capital, Ira!, Engenheiros, também gerou Dr.Silvana, Absyntho, Grafitte e outras aberrações esquecíveis.

A única música que virou hit nas rádios FM foi 'Pros que Estão em Casa', que tem um sensacional riff inicial de guitarra. Após quase sete anos de estrada, o Hojerizah dissolveu-se, pouco depois de ter sido dispensado pela gravadora. Lançou dois álbuns: o primeiro, homônimo à banda(e cuja capa ilustra este texto) e o segundo, "Pele".

Toni Platão partiu para a carreira solo e vem desenvolvendo um trabalho sólido, um dos mais interessantes atualmente na MPB . O baixista Marcelo Larrosa e o batera Álvaro de Alburquerque formaram a cozinha da banda que acompanhava o ex-Picassos Falsos Humberto Effe. O genial Flávio Murrah encarou uma longa internação para tratamento psquiátrico e em meados da década de 1990 voltou à cena underground, com a Hordha.

A seguir, a letra que me provocou a nostalgia em noite recente.

Pessoas (letra e música de Flávio Murrah)

Pessoas à minha volta
Escravos da mesmice
O cheiro da derrota
Gestos estudados
E o tão pouco parece muito
E o tão pouco parece muito

Caminham em bandos guiados
pelo acorde monocórdico
de uma lei que está oculta,
mas todos obedecem.
E tudo me parece pendente
como um pescoço depois de enforcado.
Pode ser que Deus goste de mim,
mas o demônio é meu próximo

E hoje eu resolvi sentar
numa das pontas da lua minguante
Sente na outra, por favor.
Eu sou o dito mal
Você o bem, o bem, o bem,
acredito que os dois lados existam
como os dois lados de uma moeda
que já não tem valor
que já não tem valor.