segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Hallelujah, Hare Krishna

Levantando - e muito - o nível, vamos agora sim para um verdadeiro "mantra". Na segunda metade dos 1960, os Beatles e, especialmente George Harrison, embarcavam em viagens espirituais rumo ao Oriente. E um dos resultados dessa mistura Ocidente/Oriente é "My sweet Lord", umas das mais inspiradas canções do mais místico dos quatro rapazes de Liverpool.

Este vídeo foi gravado em um concerto em homenagem a Harrison, em 29 de novembro de 2002, no Royal Albert Hall, em Londres. O naipe de músicos é de primeiríssima: no piano, Paul McCartney; na bateria, Ringo Starr; noutra bateria, Jim Capaldi; no teclado e vocal, Billy Preston; na percussão, o carequinha Ray Cooper; na guitarra, Tom Petty; e nos violões, o filho de Harrison (é a cara!), Jeff Lynne e o próprio Deus, Eric Clapton. Não esqueçam que nos mesmos anos finais daquela década de 1960, muros em Londres apareceram grafitados com a frase "Clapton is God".

O clima do vídeo é de lavar a alma. Impossível não cantar junto, estalar os dedos, bater palmas, dançar. "My sweet Lord" é daquelas músicas que melhoram a segunda-feira de qualquer um. É a minha prece. Enjoy!

Tá aí

Corroborando o que escrevi no texto anterior ("Top Sacanagem"), qualquer musiquinha tupiniquim barra as gringas nesse quesito.

E como o Carnaval se aproxima, taí o link para o "mantra" que será entoado em cada grotão desse país, onde houver a mais pálida manifestação de carnaval, com uns pinguços correndo atrás de moçoilas frenéticas.

http://kibeloco.com.br/kibeloco/2009/01/12/cade-xoxo/

Trata-se de "Cadê Xoxó?", de Marcelo Quintanilha, lançamento da Kibe Loco Records.

Xoxó tá aí para destronar "Cada um no seu quadrado" e "Pó pára com o pó", outras duas pérolas do cancioneiro popular.

Sacanagens à parte, o clipe "all type" é bem realizado, a partir de uma idéia muito simples, mas que funciona.

É para fazer rir, claro. Mas vale conferir essa marchinha carnavalesca. Xoxó é uma delícia.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Top Sacanagem


Zapeando, caí na MTV. Mais precisamente no “Top Top”, programa apresentado por Marina Person e Leo Madeira, que formam uma dupla sempre afinada, com o auxílio luxuoso do texto bem humorado do roteiro.

O tema deste “Top Top” era as “Dez Canções Mais Sacanas do Pop Rock”. Falou em sacanagem, é comigo mesmo. Tô dentro.

Eis o ranking, comentado:

10 – “I want your sex”, do George Michael. Boa escolha, o clip é ótimo, a música era bem ousada no início dos 1990, trazia o slogan “Explore monogamy” (politicamente correto em tempos de epidemia de Aids), ele era sexy, a canção tem versos provocativos, como “What's your definition of dirty, baby? What do you consider pornography?”.
9 – “You shook me all night long”, do AC/DC. A princípio, a presença deste hard rock pesadão na lista pode assustar. Mas, para mim, foi um alívio. Eu sempre achei a batida e o riff inicial muito sexy. Foi bom descobrir que não sou o único.
8 – “Mr.Loverman’, do Shabba Ranks. Ok, bom ritmo, dá para engatar uma dança, o backing vocal é ótimo e o cara se proclama, bem, O cara.
7 – “Sexual healing”, do Marvin Gaye. Um clássico, escolha óbvia.
6 – “Erótica”, da Madonna. Ela tinha que estar na lista. Até pelo conjunto da obra. Então, escolheram a canção mais explícita.
5 – “My humps”, do Black Eyed Peas. A letra é picante e tem a Fergie cantando. Ou melhor, dançando. Ou melhor, fazendo caras e bocas. Ou melhor, tem a Fergie e ponto.
4 – “Baby got back”, de Sir Mix a Lot. Confesso que nunca ouvi mais gorda.
3 – “Darling Nikki”, de Prince. O pequeno gênio de Minneapolis também tinha que estar na lista, pelo conjunto da obra. “Darling Nikki”, do álbum “Purple Rain”, foi a canção que motivou a criação do selo “Parental Advisory – Explicit Lyrics”, que desde então passou a figurar em vários discos para avisar aos papais que as letras falavam de sacanagem. O tiro saiu pela culatra e a molecada, curiosa, quis saber o que havia em “Purple Rain”. O álbum vendeu horrores.
2 – “Um sonho”, de Caetano Veloso. Esta canção, ET na lista, é aquela que provocou um bate boca entre Luana Piovani e Caetano Veloso. Ela agradeceu a música em sua homenagem, ele negou que fosse, depois disse que era parcialmente inspirada por ela e ela mandou dizer que Caê era um banana de pijama.
1 – “I touch myself”, de Divinyls. A música escolhida como a mais sacana é uma ode à masturbação. Vê se p(h)ode!

Como em toda lista, é uma puta sacanagem algumas canções ficarem de fora. De cara, lembro logo de duas boas para trilha sonora de um strip: “You can leave your hat on”, de Joe Cocker, que integrou a trilha sonora do filme de sacanagem chic “9 ½ Semanas de amor”, com a então louraça toda boa Kim Basinger e o Mickey Rourke antes dele ficar com a cara deformada. A outra canção é “Fever”, que meio mundo gravou. Mas eu fico com uma versão clássica, by Elvis.

No ano passado, “I wanna fuck you”, com o rapper senegalês Akon esteve no topo das paradas e teve versão mais comedida, “I wanna love you”, para poder tocar em festas de família.

Mas na verdade, qualquer música de axé, forró ou funk dá um couro nessas aí da lista, em termos de sem vergonhice, duplo sentido ou sexo explícito.

Na lista também não poderia faltar aquela singela canção de Natal (não sei o nome, nem o autor):

“Quero ver você não chorar, não olhar pra trás, nem se arrepender do que faz. Quero ver o amor vencer, mas se a dor nascer, você resistir e sorrir...”

Na boa, isso parece a descrição do quê?
Sacanagem pura. Inspire-se.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Bom pra cachorro

Marley & Eu. Foto de divulgação do filme.


Quando a conheci, minha mulher tinha um Golden Retriever de três anos, o Reef. Ela diz que quando me contou isso, na noite em que nos conhecemos, meus olhos brilharam. Eu brinco dizendo que me apaixonei por ela graças ao cachorro.

Com o Reef, que já está com seis anos, aproveitei a nova chance e sou um “pai” muito melhor do que fui quando tive outro Golden, o Luke.

Eu - e a torcida do Flamengo que tem cachorro - fomos assistir a “Marley & Eu”, a versão cinematográfica do best-seller de John Grogan. Nas duas primeiras semanas em cartaz nos EUA, o filme já faturou US$ 100 milhões.

O filme, assim como o livro, é uma delícia, narrando as estripulias do labrador e sua família. E, claro, chora-se muito, já que Marley morre ao final. Não, não estou estragando a surpresa, contando o fim. Todo mundo já sabe o que acontece, o filme é fiel ao livro, com a vantagem de ter ótima trilha sonora (A cena dos cachorros na praia, ao som de “Lucky Man”, do The Verve, é linda!). E sim, obviamente, o nome é uma homenagem ao Reggae Man, Bob Marley.

Eu fiquei meio balançado, a garganta deu nó, entraram uns ciscos nos meus olhos e coisa e tal. Minha mulher chorou rios e quando chegou em casa apertou o Reef, como nunca. Mas o que mais mexeu comigo foi a formação da família. Como disse a personagem de Jennifer Aniston, “a família já estava formada antes dos filhos nascerem”, quando eram apenas ela, o marido e Marley.

Eu sou um pequeno burguês, com sonhos classe média. Eu quero mesmo viver do que escrevo, quero continuar casado e amando a minha mulher, quero ter filhos com cara de que são criados à base de Corn Flakes, e que vão dar um trabalho da porra, quero os estresses do cotidiano, as fraldas, os choros, as zoeiras, as noites mal dormidas, as preocupações, as risadas, as pizzas de domingo, quero ter uma casa legal, quero ter o Reef no quintal e correndo pela casa, me acordando cedo todas as manhãs como faz hoje, querendo brincar e passear.

Só quem tem cachorro sabe que ele se torna membro da família. Não sou como um certo ex-ministro que disse que sua cadela era “uma pessoa como outra qualquer”. Cachorro é cachorro e gente é gente, e os desiguais devem ser tratados de modo diferente. Mas cachorro vira uma espécie de filho e o dono fica, invariavelmente, ridículo, bobo, babão. Eu incluso, claro. Cachorro destrói coisas, enche a casa de pelos, dá trabalho e despesa. Quando você percebe, ele fez você mudar a sua forma de enxergar muitas coisas.

No filme, John diz sobre Marley, que o cão o ensinou a ser mais simples, ingênuo e verdadeiro. Que basta dar seu coração a um cachorro e ele fará o mesmo por você. Cães amam seus donos incondicionalmente. E de quantas pessoas você pode dizer isso? Quantas pessoas te tornam melhor?

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Utilidade pública: dias não úteis

Foto: Stephanie Di Natale

Como escreveu Zuenir Ventura, 2009 é mal falado a priori. Antes do ano começar, já estavam dizendo que ele seria ruim. Tudo intriga de 2008.

2009 será um ano bom. Ele começou meio devagar, só no dia 5, segunda-feira. Sim, porque a sexta, 2, foi um dia mais enforcado do que inconfidente mineiro.

E este ano será pródigo em feriados. Serão 14 em dias úteis, sendo oito segundas ou sextas-feiras e seis terças ou quintas-feiras. Somando todos os sábados e domingos, feriados e dias enforcados, o número pode chegar a 124 dias de folga. E juntando os 30 dias de férias, você terá 154 dias inteiramente dedicados a il dolce far niente.

Confira os feriados (a base é o Rio de Janeiro. Logo, existem variações para outras cidades):

01/01 – quinta – Confraternização universal
20/01 – terça – São Sebastião
23/02 – segunda - Carnaval
24/02 – terça – Carnaval
(alguns sortudos ainda faturam a Quarta-feira de Cinzas para curar a ressaca)
10/04 – sexta - Paixão de Cristo
21/04 – terça – Tiradentes
23/04 – quinta – São Jorge
01/05 – sexta – Dia do Trabalho (mas não se trabalha)
11/06 – quinta – Corpus Christi (recomendo emendar com a sexta, Dia dos Namorados)
07/09 – segunda – Independência do Brasil
12/10 – segunda – Nossa Senhora Aparecida (as crianças não são a razão do feriado)
02/11 – sexta – Finados
20/11 – sexta – Consciência Negra
25/12 – sexta – Natal

A ovelha negra deste ano é a Proclamação da República, 15 de novembro, que, só de sacanagem, resolveu cair num domingo. Feriado de paulista.

Como pode ser ruim um ano com tantos feriados úteis?

domingo, 4 de janeiro de 2009

Sir Macca

Foto de Divulgação. Fonte: seatwave.com
Creio não ser possível compreender o século XX sem entender o Rock’n’Roll como fenômeno musical e, principalmente, social. (Recomendo, inclusive, a leitura de “Rock and Roll – Uma História Social”, de Paul Friedlander, Editora Record, 2003). E não é possível entender o Rock sem conhecer os Beatles.

Preciso dizer que os Beatles, embora sejam, de longe, a banda mais influente da história, não são a minha favorita. Eu prefiro os Rolling Stones. E se o Rock fosse uma só pessoa, para mim, ele seria Keith Richards. Mas isso é mera questão de gosto.

Eu estava zapeando e parei na transmissão do EMA (English Music Awards) pela MTV, direto de Liverpool. E então Bono, do U2, foi ao palco para entregar o prêmio Ultimate Legend.

Bono, em seu longo discurso, rasgou a maior seda para Paul McCartney, o premiado. É preciso dizer que também Paul não é meu Beatle favorito. Eu preferia John. Mas Bono deu a real dimensão aos fatos.

Disse Bono: “Ser convidado a vir a Liverpool entregar um prêmio para Paul McCartney é como perguntar a um padre católico se ele não se importa em ir a Roma, entregar um prêmio a São Pedro”. (...) “Para quem, como eu, vive do Rock’n’Roll, este homem inventou o meu trabalho” (...) “Vocês o chamam de Sir, mas eu o chamo de Lord” (...) “Eu e todos os outros artistas que estamos aqui cremos e tememos que daqui a 200, 300 anos, estejamos esquecidos. Mas uma pessoa que está aqui esta noite pode ter a certeza de que suas canções entraram para a História e serão ouvidas para sempre. Ele é como Beethoven. Ele é Sir Paul McCartney”.

Bono acertou. Em muito menos tempo, os artistas bem-sucedidos de hoje terão virado pó. Mas os Beatles são eternos.

Sem muito mais a dizer, Paul agradeceu o prêmio, o discurso de Bono, aos fãs, a seus pais que o fizeram nascer em Liverpool, e a George, Ringo e John, porque sem eles...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Entrou água...

Eis a chamada, na página inicial do jornal O Dia Online

“EMBARCAÇÃO VETADA
Viviane Araújo não conseguiu passar a virada com namorado”

Clicando, eis a matéria:

“Quinta-feira, 1 Janeiro, 2009
Viviane Araújo passa virada sem namorado
Viviane Araújo não passou o Réveillon como queria. A morenaça não conseguiu embarcar para os Emirados Árabes, onde passaria a virada do ano com o namorado, o jogador de futebol Radamés. "Eu não sabia que precisa de um mês de intervalo entre uma ida de outra", contou a morena, que chegou de lá há apenas 15 dias. Terça-feira, ela foi sambar na quadra do Salgueiro.
Postado por: Babado às 14:37”


Ou seja, entrou água no barco, quero dizer, no Reveillon da Viviane.

Mas eu acho mesmo que entrou água no cérebro do jornalista que confundiu “embarcação” com “embarque”.

Deve ter sido a ressaca.

O Dia

Grafite em muro de Botafogo, Rio de Janeiro. Foto: Leandro Wirz

O primeiro dia de cada ano é chamado Dia da Confraternização Universal ou Dia da Paz Mundial. Mas não é bem assim, como demonstram americanos e iraquianos, paquistaneses e indianos, israelenses e palestinos.

O primeiro dia do ano é, na verdade, o Dia do Bode.

Com uma preguiça da porra, você largadão no sofá ainda de barriga cheia, azia queimando o estômago, a cabeça latejando por conta da ressaca e você amaldiçoando aquela sidra vagabunda ou aquele prosecco safado que você bebeu.

As ruas desertas, silenciosas, e nas casas, o enterro dos ossos. As rebarbas da orgia gastronômica: peru, lombo e rabanada.

E ele, ali, no meio da sala, o Bode.

Te encarando.

O que você vai fazer com os próximos trezentos e sessenta e cinco dias da sua vida?

Amor e fogos de artifício

Reveillon em Copacabana. Foto: Marco Antônio Teixeira - O Globo

Já celebrei o Reveillon de diversas formas, de mega eventos a festinhas íntimas, de sóbrio a bêbado, de com alguns amigos a com um bando de gente, de beijando muito na boca a beijando garrafas, de me divertindo pra caramba a sentindo falta de alguém.

Neste ano, fui com minha mulher e um grupo de bons amigos à Praia de Copacabana. Não foi a primeira vez, provavelmente não será a última. Lá, me encanta a surpreendente paz, considerando que praticamente dois milhões de pessoas convivem com pouquíssimos incidentes. Há uma energia especial no Reveillon de Copa.

E na areia, junto ao mar, o que a gente vê é amor e fogos de artifício.

De certa forma, a poesia que há nisso é o que eu tenho buscado a minha vida inteira: amor e fogos de artifício.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Pra começar...

Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro. Foto: Leandro Wirz
"... recria tua vida,
sempre, sempre.
Remove pedras e
planta roseiras e
faz doces.
Recomeça."
Cora Coralina