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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Utilidade pública: dias não úteis

Foto: Stephanie Di Natale

Como escreveu Zuenir Ventura, 2009 é mal falado a priori. Antes do ano começar, já estavam dizendo que ele seria ruim. Tudo intriga de 2008.

2009 será um ano bom. Ele começou meio devagar, só no dia 5, segunda-feira. Sim, porque a sexta, 2, foi um dia mais enforcado do que inconfidente mineiro.

E este ano será pródigo em feriados. Serão 14 em dias úteis, sendo oito segundas ou sextas-feiras e seis terças ou quintas-feiras. Somando todos os sábados e domingos, feriados e dias enforcados, o número pode chegar a 124 dias de folga. E juntando os 30 dias de férias, você terá 154 dias inteiramente dedicados a il dolce far niente.

Confira os feriados (a base é o Rio de Janeiro. Logo, existem variações para outras cidades):

01/01 – quinta – Confraternização universal
20/01 – terça – São Sebastião
23/02 – segunda - Carnaval
24/02 – terça – Carnaval
(alguns sortudos ainda faturam a Quarta-feira de Cinzas para curar a ressaca)
10/04 – sexta - Paixão de Cristo
21/04 – terça – Tiradentes
23/04 – quinta – São Jorge
01/05 – sexta – Dia do Trabalho (mas não se trabalha)
11/06 – quinta – Corpus Christi (recomendo emendar com a sexta, Dia dos Namorados)
07/09 – segunda – Independência do Brasil
12/10 – segunda – Nossa Senhora Aparecida (as crianças não são a razão do feriado)
02/11 – sexta – Finados
20/11 – sexta – Consciência Negra
25/12 – sexta – Natal

A ovelha negra deste ano é a Proclamação da República, 15 de novembro, que, só de sacanagem, resolveu cair num domingo. Feriado de paulista.

Como pode ser ruim um ano com tantos feriados úteis?

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Almoço livros



Eu sou chato por várias razões. Por várias virginianas manias. Como deseducadamente rápido e aproveito o restante do horário de almoço para andar por aí, flanar mesmo. Quando o sol escalda minha careca, eu me refugio nalguma livraria. Não vou dizer que sou rato de livraria, porque ratos são nojentos.

Mas eu fico por lá, fuçando entre prateleiras, mesas, balcões. Olho, pego, cheiro, folheio. Orelhas me seduzem facilmente. Quero comprar vários, mas a voz da razão me faz pensar na fatura do cartão e nos livros que já tenho e que estão amargando a fila para que eu os leia. Tenho mais livros do que dou conta de ler.

Freio meu impulso consumista. Mas permaneço ali, meio atônito por não conseguir acompanhar tudo que há e por não conseguir guardar, ao menos na memória, nem a metade do que eu gostaria.

Meu fascínio mesmo é por capas e títulos. Deve ser vício de publicitário, sempre atento ao primeiro impacto vendedor. Na rodada de hoje, dois livros me chamaram a atenção.

“São Diabo” tem uma foto de capa linda e perturbadora. É inquietante ver os pés femininos elevando-se sobre o que parece ser um muro. A impressão é que ela está naquele momento limite em que, puxada por uma corda presa ao seu pescoço, seus pés deixarão de tocar a base e ela será enforcada. A antítese do título também é provocadora, destrói o maniqueísmo e as fronteiras entre bem e mal.

"São Diabo" reúne uma coleção de personagens insólitos e intensos, mergulhados em situações tragicômicas, que oscilam entre a razão e o devaneio, o bem e o mal. Com ele, Manfredo Kempff nos mostra um mundo cheio de contrastes mágicos e, ao mesmo tempo, terrivelmente real." (sinopse extraída do site da livraria Siciliano)

O outro livro (edição em dois tomos) me atraiu pela inversão do título: “A volta ao dia em 80 mundos”, de Júlio Cortazar. A edição é bem feia, mas pela sinopse (confira a seguir), a leitura é bem interessante. O conteúdo tem várias semelhanças com os de um blog miscelânea.

Pela primeira vez publicado no Brasil, A volta ao dia em 80 mundos representa uma nova forma de fazer literatura na América Latina. Dividido em dois volumes, rompe com o modelo clássico de narrativa e apresentam ao leitor uma coletânea de citações, recortes de jornais, ensaios, contos, poemas e comentários alternados com ilustrações e fotografias que tratam de temas diversos como boxe, política, novas técnicas culinárias, Paris, sadismo, entre outros. Os textos, valorizados pela primorosa tradução de Ari Roitman, foram reunidos numa edição que respeitam os formatos originais dos livros, tal como foram pensados pelo autor. Certamente irão se tornar obras fundamentais na coleção de qualquer admirador de literatura.” (sinopse extraída do site da livraria Siciliano)