Mostrando postagens com marcador Golden Retriever. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Golden Retriever. Mostrar todas as postagens

sábado, 15 de janeiro de 2011

Dissonância cognitiva

                                                                           Reef 


Quem acompanha o blog, sabe que temos um Golden Retriever. E o bicho é grande. Parrudo, ótimo pedigree, porte de campeão. Modéstia às favas.



Por natureza e temperamento, o Reef é super dócil, cachorro estilo corrimão ou maçaneta, em que todo mundo passa a mão. Mas ele é anti-social com outros machos.


Estávamos no elevador quando uma moradora abriu a porta e seu cachorro, um desses tipo salsicha, que já foi “garoto-propaganda” da marca de amortecedores Cofap, latiu bravamente e, sem noção, ameaçou partir para cima.


Temi que, em uma briga, ele pudesse matar o Reef. Engasgado. Mas nosso cachorro ficou impassível, apenas olhando o miúdo, provavelmente “pensando”: “Tá de sacanagem, né?”


Enquanto isso, a dona do salsicha – uma vizinha argentina (não sei porque, mas acho que isso tem a ver) – gritava com sotaque forte buscando conter a ferinha: “Apolo! Apolo!”


- “Apolo?!”. E pensei como o Reef.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Marlindo

Reef, o "marlindo"

Meu cachorro atrai mulheres. E fica com todas. Verdade, ele é bonito pacas e tem uma cara de “me leva pra casa” irresistível. Bonito como a “mãe” e treinado pelo “pai”, sabe usar malandramente o que a natureza lhe deu. Esbanja charme e canastrice para cima da mulherada.

Marley perde. Meu cachorro é Marlindo (que é como os cariocas de verdade pronunciam “mais lindo”). Hoje mesmo, uma dona fez o marido parar o carro, abriu a janela, chamou meu cachorro e o beijou ali mesmo na frente do homem traído.

Uma senhora que ainda pensa, mas não pratica mais essas coisas, não se conteve e gritou “Oi, lindão!”

“Bonito”, “Lindo”,  “Fofo” são adjetivos que ele cansa de ouvir quando desfila pelas ruas. E eu só vou acompanhando, segurando a coleira e tentando conter o assanhamento.

Outra noite, estava esperando minha mulher na porta da academia (Não sei se já lhes disse isso, mas da porta pra dentro eu não passo de jeito nenhum) quando veio uma morenaça exuberante exclamando “- Ai, que lindo! Que gato!”. Embora estivesse se dirigindo a um cachorro. No caso, o Reef, e não eu. Pois bem, a bonitona puxou um papo e no vai-e-vem da conversa mole, disse que só gostava de cachorro grande. E macho. E eu pensando o quanto eu gosto de duplos sentidos e de cachorras. Com ou sem pedigree.

Mais recentemente, duas moças conversavam e quando passamos, uma disse à outra: “Ai, dá uma vontade de passar a mão, né?” Meu ego inflou. As moças não se fizeram de rogadas e partiram pra cima, acariciando.

Só ao cachorro, evidentemente. Eu fiquei na minha, rabo entre as pernas. Afinal, eu só atraio malucos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Bom pra cachorro

Marley & Eu. Foto de divulgação do filme.


Quando a conheci, minha mulher tinha um Golden Retriever de três anos, o Reef. Ela diz que quando me contou isso, na noite em que nos conhecemos, meus olhos brilharam. Eu brinco dizendo que me apaixonei por ela graças ao cachorro.

Com o Reef, que já está com seis anos, aproveitei a nova chance e sou um “pai” muito melhor do que fui quando tive outro Golden, o Luke.

Eu - e a torcida do Flamengo que tem cachorro - fomos assistir a “Marley & Eu”, a versão cinematográfica do best-seller de John Grogan. Nas duas primeiras semanas em cartaz nos EUA, o filme já faturou US$ 100 milhões.

O filme, assim como o livro, é uma delícia, narrando as estripulias do labrador e sua família. E, claro, chora-se muito, já que Marley morre ao final. Não, não estou estragando a surpresa, contando o fim. Todo mundo já sabe o que acontece, o filme é fiel ao livro, com a vantagem de ter ótima trilha sonora (A cena dos cachorros na praia, ao som de “Lucky Man”, do The Verve, é linda!). E sim, obviamente, o nome é uma homenagem ao Reggae Man, Bob Marley.

Eu fiquei meio balançado, a garganta deu nó, entraram uns ciscos nos meus olhos e coisa e tal. Minha mulher chorou rios e quando chegou em casa apertou o Reef, como nunca. Mas o que mais mexeu comigo foi a formação da família. Como disse a personagem de Jennifer Aniston, “a família já estava formada antes dos filhos nascerem”, quando eram apenas ela, o marido e Marley.

Eu sou um pequeno burguês, com sonhos classe média. Eu quero mesmo viver do que escrevo, quero continuar casado e amando a minha mulher, quero ter filhos com cara de que são criados à base de Corn Flakes, e que vão dar um trabalho da porra, quero os estresses do cotidiano, as fraldas, os choros, as zoeiras, as noites mal dormidas, as preocupações, as risadas, as pizzas de domingo, quero ter uma casa legal, quero ter o Reef no quintal e correndo pela casa, me acordando cedo todas as manhãs como faz hoje, querendo brincar e passear.

Só quem tem cachorro sabe que ele se torna membro da família. Não sou como um certo ex-ministro que disse que sua cadela era “uma pessoa como outra qualquer”. Cachorro é cachorro e gente é gente, e os desiguais devem ser tratados de modo diferente. Mas cachorro vira uma espécie de filho e o dono fica, invariavelmente, ridículo, bobo, babão. Eu incluso, claro. Cachorro destrói coisas, enche a casa de pelos, dá trabalho e despesa. Quando você percebe, ele fez você mudar a sua forma de enxergar muitas coisas.

No filme, John diz sobre Marley, que o cão o ensinou a ser mais simples, ingênuo e verdadeiro. Que basta dar seu coração a um cachorro e ele fará o mesmo por você. Cães amam seus donos incondicionalmente. E de quantas pessoas você pode dizer isso? Quantas pessoas te tornam melhor?