quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Apaga a luz



Se você é minimamente antenado, conhece a WWF (World Wildlife Fund). É aquela ONG cujo símbolo é um simpático urso panda.


A WWF, que atua em mais de 90 países nos 5 continentes e conta com cerca de 5 milhões de afiliados, está promovendo a Hora do Planeta.


Movimento mundial de combate ao aquecimento global, a Hora do Planeta acontecerá pela primeira vez no Brasil. O Rio de Janeiro é a primeira cidade brasileira a aderir ao movimento.

O objetivo do movimento, conhecido internacionalmente como Earth Hour, é conscientizar a população sobre a importância da adoção de novos hábitos e mobilizar a sociedade no combate ao aquecimento global. É um ato simbólico que envolve governos, empresas e a população em geral.
“A Hora do Planeta é um gesto de engajamento, no qual cada um deve fazer a sua parte para um futuro melhor. Será uma demonstração da nossa paixão pelas pessoas, pela solução, pela conservação do planeta, e principalmente, pelo futuro e pela vida”, diz Álvaro de Souza, presidente do Conselho Diretor do WWF-Brasil

Em 2009, a Hora do Planeta será realizada no dia 28 de março, das 20h30 às 21h30, e pretende contar com a adesão de mais de mil cidades e 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Mais de 170 cidades de 62 países já confirmaram sua adesão à Hora do Planeta.


Realizada pela primeira vez em 2007, a Hora do Planeta contou com a participação de 2,2 milhões de moradores de Sidney, na Austrália. Já em 2008, o movimento contou com a participação de 50 milhões de pessoas, de 400 cidades em 35 países. Simultaneamente apagaram-se as luzes do Coliseu, em Roma, da ponte Golden Gate, em São Francisco e da Opera House, em Sidney, entre outros ícones mundiais.


Este ano, o Cristo Redentor e outros monumentos cariocas, além da orla, serão apagados durante uma hora. "A Hora do Planeta é nossa chance para mandarmos um sinal que estamos atentos e aguardando soluções para conter o aquecimento global. " afirma Jim Leape, diretor-geral da Rede WWF

Mas o “apagão do bem” não é uma unamidade. Tem empresas – sobretudo as de energia - que questionam o movimento. Primeiro, porque a frota de combustíveis movida a combustíveis fósseis (leia-se derivados do petróleo) contribui mais para o aquecimento global que a energia elétrica. Segundo, porque a vela, escolhida como símbolo da campanha publicitária criada pela DM9DDB, emite mais gases que eletricidade de fontes limpas.

Bem, deixando de lado o embate técnico, o que a WWF quer mesmo é despertar consciências e provocar atitudes.

Se o mundo vai dar uma resfriada na noite de 28 de março, eu não sei. Mas certamente vai ficar mais romântico.

Convida ela para jantar. Às 20h30.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Rumba é ruim

Cena do filme "Rumba". Foto: Divulgação

No último final de semana, eu estava a fim de rir. Bem, na verdade, eu sempre estou. Então, fui assistir ao espetáculo do ator e humorista Danilo Gentili, um dos caras do CQC, e ao filme belga “Rumba”, escrito, dirigido e protagonizado por Dominique Abel, Fiona Gordon e Bruno Romy.

A stand up comedy (comédia em pé) vem crescendo por aqui: mais gente fazendo , mais público assistindo. Há uma onda de bons espetáculos do gênero em cartaz. O de Gentili é um deles. É um tipo de piada bossa nova, sem violão, só com banquinho. Ou nem isso. Em pé, sem cenário, sem maquiagem ou figurino, o humorista tem que segurar a platéia, e fazê-la rir.
Vá ao teatro. E, tudo bem, pode me convidar.

Já a comédia “Rumba” tem um trailer engraçado, uma sinopse promissora e críticas elogiosas, afirmando até que o filme é um dos candidatos a cult da estação.

Mas não se engane: “Rumba” é ruim.

Aliás, é péssimo. É a história de casal de professores (ela, de inglês; ele, de educação física) de uma escola rural que tem paixão por danças latinas. Um acidente de carro, depois de uma competição de dança, vai mudar a vida dos dois. Ela perde uma perna;.ele, a memória. Eu costumo gostar de humor negro. Mas este é tão raso, tolo, pastelão, que só em alguns momentos, é possível achar graça.

Não perca seu tempo e seu dinheiro indo ao cinema. Não vale nem meia-entrada.

Língua dinâmica



Já se vai quase um mês desde que entrou em vigor a reforma ortográfica e eu ainda estou me acostumando que o vento levou o “chapéu” de voo e tirou o acento da ideia.

O etimologista Cláudio Moreno, sem nada melhor para fazer, contou que perderam o acento 904 paroxítonas com os ditongos “oi” e “ei” e 32 palavras com “u” e “i” tônicos após ditongo. 22 perderam o acento diferencial e 18 ficaram sem circunflexo em seus “oo”.

E o finado trema, que não era de todo inútil, deixou de existir em 358 palavras da nossa língua. Então, meu caro, nunca mais trema em cima da linguiça. A não ser, claro, que isso lhe apeteça.

A reforma ortográfica é bem-intencionada, porque pretende, ao unificar as grafias em todos os países lusófonos, dar mais vigor ao idioma. Algumas mudanças são fáceis de incorporar, outras mais complicadas. Acho que os portugueses terão mais dificuldades. Não, isso não é uma insinuação de piada para sacanear os patrícios d’além-mar. Mas é que eles, por exemplo, terão de trocar “facto” por “fato”. Escrever é fácil. Mas contrariando o ditado popular, falar é que é difícil.

Enfim, com o tempo quase tudo se resolve. Língua é dinâmica. Ou melhor, línguas são.


ps.: Não deixa de ser uma ironia do destino que a Reforma Ortográfica e a Lei Seca tenham sido assinadas no governo de um presidente que escreve mal e é bom de copo.

sábado, 24 de janeiro de 2009

King da vez

Com as 13 indicações ao Oscar, o BB king da vez não é o Banco do Brasil, nem Brigitte Bardot. É Benjamin Button e seu curioso caso.

Falta quase um mês para a cerimônia de entrega das estatuetas, que vai concorrer com o Carnaval. Mais precisamente, teremos o galã australiano Hugh “Wolverine” Jackman estreando como apresentador versus a ex-Miss Brasil Natália Guimarães como madrinha da bateria da Vila Isabel, terceira escola a desfilar na noite de domingo, 22/2.

Não dá para comparar...

Sobre o Oscar, já dá para ver fazer algumas apostas. Eu ponho todas as minhas fichas e mais algumas que vou pegar emprestadas no Banco Imobiliário para dizer que o Oscar de melhor ator coadjuvante vai para Heath Ledger, em homenagem póstuma, por sua performance como Coringa. É justo e ainda tem toda a comoção causada pela morte precoce do ator no início de 2008.

Meryl Streep deve ganhar como a freira de “A Dúvida”. Esta é a sua 15ª indicação. Ninguém foi indicada tantas vezes. Ela já tem dois Oscar na estante, um como protagonista, outro como atriz coadjuvante.

Filme? Nem preciso dizer em quem aposto.

Escola de samba? Bem, eu sempre torço pela Mangueira.

Máquina de desenhar


Tom Hanks, Pier de Bournemouth e Nicole Kidman
Eu sou do tempo em que a gente usava máquina de escrever. E fazia curso de datilografia para "bater à máquina" mais rápido. "Asdfg", com a mão esquerda, "çlkjh" com os dedos da direita. Para quem chegou mais tarde ao mundo, máquina de escrever servia para isso mesmo, para escrever, e seu ruído hipnótico dominava as redações de jornal e os escritórios. É uma geringonça que funciona mais ou menos como uma versão flinstones do programa de edição de textos de um computador que já vai imprimindo direto. Sem salvação.
Feito esse preâmbulo histórico, vamos à matéria publicada na BBC Brasil sobre a interessante e criativa nova forma de uso de uma velha engenhoca:
21/01/2009 Artista britânica faz retratos com máquina de escrever
Keira Rathbone tecla números e letras e usa os espaços em branco do papel para "desenhar" retratos e paisagens. Para criar sombras, por exemplo, ela tecla diversas vezes no mesmo lugar, imprimindo mais tinta no papel.

Além de retratar pessoas comuns, ela também criou retratos de celebridades, como Nicole Kidman, Kate Moss e Tom Hanks.

A artista leva até 90 horas para terminar alguns dos desenhos mais detalhados, como paisagens.

Ela começou a fazer os desenhos há cinco anos, quando comprou uma máquina de escrever antiga em um bazar.

"Ao invés de escrever, comecei a fazer desenhos com ela e não parei mais", disse a artista.

Rathbone pretende ir além dos desenhos e usar sua técnica para colaborar com estilistas de moda e aplicar o seu processo de produção na criação de roupas e acessórios.
Exposições

Os desenhos datilografados de Rathbone chamaram a atenção do público e ela já realizou diversas exposições no Reino Unido.

Nessas ocasiões, a artista também cria alguns desenhos ao vivo para que o público possa entender como é seu processo de produção.

A mais recente exposição da artista, "Plant Types" ("Tipos de Planta") traz desenhos de paisagens, plantas e flores teclados com a máquina de escrever.

A exposição fica em cartaz até o dia 30 de janeiro na galeria Grove Studio, em Bournemouth, no sul da Inglaterra.

Força Jovem


Enquanto Obama tomava posse, eu estava na praia tomando um “mé”, como diria o saudoso humorista Mussum, o mais engraçado de Os Trapalhões.

Mas antes de mudar de assunto...

Sou um apaixonado pelas letras, pela arte e pela ciência da oratória, pelo emprego das palavras com beleza, graça e precisão cirúrgica. Então, quero registrar minha admiração por Jon Favreau, o ghost-writer de Obama, de apenas 27 anos, chamado pelos íntimos de Favs.

Favreau é o mais jovem redator de discursos a trabalhar na Casa Branca. E alguns trechos dos discursos que produziu são antológicos. Vale lembrar que ele chegou a receber críticas dos adversários incomodados, pela suposta vacuidade e excessiva beleza de seus discursos. "Meu rival faz discursos. Eu ofereço soluções", costumava dizer Hillary Clinton quando competia com Obama nas primárias.

A seguir, trecho de matéria de Francisco Peregil, correspondente do jornal espanhol El Pais em Washington:

“A história de Favreau como grande escritor começou em um verão quatro anos atrás em Boston, quando tinha só 23 anos e trabalhava para o candidato democrata à presidência, John Kerry. Favreau viu atrás do palco da convenção um senador ensaiando seu discurso e não hesitou em aconselhar que ele suprimisse uma frase porque parecia redundante. O senador era Barack Obama. E o discurso que ensaiava era uma peça brilhante que marcaria um antes e um depois na política americana. Mas Favreau se atreveu a fazer aquela sugestão.

"Obama me olhou um pouco confuso, como que dizendo 'Quem é esse garoto?'", declarou Favreau a vários veículos da mídia. No ano seguinte Favreau ficou desempregado e pediu uma entrevista com Obama para trabalhar como redator de discursos do senador. Depois de meia hora conversando sobre a família e o beisebol, Obama lhe perguntou qual era sua teoria sobre os discursos. E Favreau, que acabara de se formar em ciências políticas na Universidade Holy Cross de Worcester (Massachusetts), disse: "Um discurso pode ampliar o círculo de pessoas a quem essa coisa interessa. É como dizer à pessoa que sofreu: 'Eu a escuto. Mesmo que você esteja decepcionado e cínico em relação à política do passado, porque tem boas razões para se sentir assim, podemos ir na direção correta. Me dê apenas uma oportunidade'".

Aos jovens, uma oportunidade.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Cheers!!!!


Barack Hussein Obama

Obra de Shepard Fairey, em exibição na National Portrait Gallery.

20 de janeiro de 2009 é um dia histórico. Nesta terça, na posse, Barack Hussein Obama colocará sua mão direita sobre a mesma Bíblia que foi usada na cerimônia de posse do presidente Abraham Lincoln, que aboliu a escravidão nos Estados Unidos.

Obama pronunciará o juramento de defender o país nos próximos quatro anos e, após o discurso inaugural, se tornará oficialmente o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Após Obama pronunciar seu discurso como novo presidente, a poeta Elizabeth Alexander tomará lugar na tribuna e lerá um poema destinado a entrar para a História.
Ótimo começo: com poesia.

Quatro por quatro

No início do primeiro mandato a equipe do governo Lula queixava-se em demasia de uma tal “herança maldita” deixada pelo governo FHC. A tal herança, se havia mesmo, era nada perto da que Obama recebe de Bush. Esta, sim, é uma catástrofe. Bush foi ruim enquanto durou.

Em 2008, a canção “4 Minutes (to save the world)" interpretada por Madonna, Justin Timberlake e Timbaland esteve no topo das paradas de sucesso. Obama é o 44º presidente norte-americano. Ele tem 4 anos para salvar o mundo. E se tudo der certo, ganha mais 4.

Yes, we can

Reproduzo a seguir trechos da coluna Panorama Econômico, escrita pela jornalista Miriam Leitão e publicada em 18/01/2009, sob o título “O dia após amanhã”.

“Já seria difícil ser o primeiro presidente negro dos Estados Unidos. Ele seria mais cobrado, mais fiscalizado. Mas Barack Obama assumirá a Casa Branca na pior conjuntura econômica possível. Não é apenas uma recessão, como Bill Clinton enfrentou e venceu, mas a pior desde 1929. A recessão não está acabando, como na época de Franklin Roosevelt. Ela mal começou.

Quis a História — que suprema ironia! — que um momento tão esperado fosse também o mais difícil. Que o presidente do qual se cobraria mais desempenho, tivesse que ter mesmo um desempenho excepcional, porque qualquer coisa abaixo disso será o fracasso.

Sempre se criam expectativas diante de um novo governante, principalmente quando vem após um período desastroso, como é o caso, e teve uma eleição consagradora, como também é o caso. Mas as expectativas que caem sobre Barack Obama não são racionais. Ele terá tarefas demais, despertou sonhos demais, há urgências demais. Quando a mudança de governo acontece nos Estados Unidos, o mundo inteiro presta atenção. Desta vez, a atenção é maior. Virou ansiedade, porque a crise econômica, nascida lá, virou global.

Na economia, as coisas vão piorar nos primeiros meses do governo Obama. A recessão vai se aprofundar, o desemprego, crescer, o déficit público vai se ampliar, o risco de deflação ficará mais presente. Pela inércia dos fatos econômicos, tudo isso foi contratado pelo governo Bush; é herança. (...)Desfazer todos os nós será tarefa de anos. Mas, ao fim dos primeiros seis meses, a piora parecerá obra de Obama. É da natureza das sociedades democráticas, e abertas a cobrança sobre os governantes, a impaciência na espera dos resultados.

Uma crise dessa envergadura não se inverte rapidamente. As recessões têm um prazo mínimo. São como uma onda que não se consegue interromper no meio.

Ele é negro e isso abre uma nova dimensão de expectativas e de cobranças. (...)Para negros do mundo inteiro, inclusive os brasileiros, que são metade da população, o sucesso de Obama terá um valor inestimável na recuperação da auto-estima, na certeza íntima que cada um poderá construir de que o horizonte das possibilidades se ampliou.

Há urgências para além da economia. Na questão ambiental e climática, (...) tudo o que fez e falou até agora tem o frescor de uma nova abordagem. Ele pretende unir três desafios, energia-economia-clima, num ataque só.

(...)Na área internacional, o quadro também não poderia ser pior. Obama assume no meio de uma escalada das tensões no Oriente Médio. (...) As guerras do Iraque e do Afeganistão ainda não têm um fim à vista, e uma de suas promessas foi a de retirada segura das tropas do Iraque. (...) O terrorismo baseado no Paquistão tem feito novas investidas, e Obama tem que encontrar respostas novas e eficientes para o mais complexo desafio de política internacional.

(...) Nada será resolvido rapidamente, e as frustrações serão inevitáveis. Sobre a devastação da era Bush será difícil construir uma nova arquitetura de relações internacionais, iniciar uma recuperação econômica, mudar a política climática. Mas ninguém melhor para tentar isso do que um líder que chega com a força dos votos dos eleitores americanos, a bandeira da mudança e a torcida do mundo.”