sábado, 21 de março de 2009

Duas estações

Praça Paris, Rio de Janeiro. Foto: Renato José Mayer

O verão 2009 se foi, oficialmente, ontem. Para mim, já foi tarde, como vão quase todos os verões. Não é que eu não goste de sol, praia, férias, chopp gelado, gatas de biquíni pequenininho, vida ao ar livre. Gosto de tudo isso. Mas é que aqui no balneário onde vivo, faz calor demais.

Foi um verão bem xôxo mesmo, sem grandes modismos, novidades, eventos. Em dezembro, o tempo ainda estava agradável; em janeiro, choveu direto. Pleno mesmo o verão foi em fevereiro e início de março. Suficiente.

Bem vindo seja o outono que traz temperaturas mais amenas e humanas, céus azuis absurdos, uma luminosidade linda à cidade e forra as calçadas com as folhas alaranjadas que as árvores deixam cair, ali na Praça Paris, e em outros cantos do Rio.

A cidade não muda tanto assim, é verdade. Aqui, só temos duas estações: muito quente e quente.

Enquanto isso, é primavera em Paris. Não a praça carioca, mas a Cidade Luz. Sugiro a leitura de "Quase primavera", belo texto de Carol Nogueira, publicado no Le Croissant. (link no meu blogroll, aí ao lado).


sexta-feira, 20 de março de 2009

Dois sonos e um som

Thom Yorke, voz e guitarra do Radiohead.


Hoje tem o aguardado show do Radiohead na Praça da Apoteose, Rio.

Como antes tem Los Hermanos e Kraftwerk, a dica é fazer um esquenta nalgum boteco das redondezas, embora o som do Radiohead combine mais com bebidas destiladas do que com cervas geladas.

Outra possibilidade é aproveitar os shows de abertura para tirar um cochilo bacana, enquanto o Radiohead não entra no palco. Aí, então, será a hora de curtir o som.

sábado, 14 de março de 2009

Silenciosa decadência

Eu e o Tio Patinhas sabemos que a música mais linda é aquela tocada pelo dinheiro entrando no caixa, que casa de espetáculos é um negócio como outro qualquer – precisa dar lucro – e não pode se dar ao luxo de ter bom gosto musical.

Ainda assim, não deixa de doer quando a gente abre o jornal e vê a programação de março do Canecão, a mais tradicional sala de shows do Rio, inaugurada em 1967.

Hoje, tem Ricky Vallen, gravando DVD ao vivo (Santo Deus! O que é este ser?); depois tem Groundation, que segundo o anúncio é um dos maiores grupos de reggae da nova geração (então, tá, eu finjo que acredito, afinal, eu sou velho desinformado das novidades); na sequencia, teremos Alexandre Pires (o ex pagodeiro do Só Pra Contrariar que virou cantor romântico e cantou na Casa Branca para Bush); Zé Renato (veterano da MPB, respeito) e Tango-a-Tierra. (?!?!).

Para uma casa que está indissoluvelmente ligada à história da MPB, é muito pouco. E pensar que, além dos feitos por artistas nacionais, lá já rolaram shows internacionais antológicos, inesquecíveis, como Echo & The Bunnymen, no auge da forma em 1987, e Ramones (com direito a bomba de gás lacrimogênio, quem se lembra?).

É uma silenciosa decadência. Ou seria ruidosa, uma vez que a (boa) música mudou de endereço?

quinta-feira, 12 de março de 2009

Além do horizonte

Capa de "No line on the horizon", novo álbum do U2

O U2 talvez seja a única banda da qual eu ainda aguarde o lançamento de um CD. Digo “banda”, porque eu sempre espero os discos da Danni Leigh, uma cantora country. Sim, eu gosto de country e esta é uma das várias falhas do meu caráter.

Voltando aos irlandeses, o grupo é dos poucos do qual vale a pena consumir música à moda antiga: comprando o disco. Fora eles, as outras bandas atuais só valem uns downloads para o Ipod e olhe lá.

Então, comprei o novo álbum, lançado semana passada: “No line on the horizon”. Ouvi de uma tacada, no carro, e achei chato pra caramba. Antes de descer o malho, resolvi esperar uns dias, esperar o meu humor mudar, uma nova conjunção astral, sei lá.

Ouvi de novo. Não é tão chato. Não consegue ser ruim como o “Popmart” ou como “Zooropa”, os piores da melhor banda em atividade.

A primeira faixa, que dá título ao álbum, é razoável, longe de empolgar. A segunda, “Magnificent”, melhora um pouco. Então, vem a balada “Moment of surrender”, bonita. Mas que ficaria ainda mais bonita se fosse mais curta. Antes de você adormecer, lá pelo sexto minuto, The Edge solta uma guitarra belíssima. Aliás, em todo o disco, a guitarra é um dos pontos altos. The Edge estava inspirado nas gravações.

A quarta faixa é “Unknown caller”. Bem, pule. É péssima. E tem um corinho insuportável. Este é um dos principais defeitos desse conjunto de canções: abusaram dos corinhos “ôôôô”.

Quando tudo parecia perdido, começa a redenção. “I’ll go crazy if I don’t go crazy tonight”. Enfim, rock’n’roll! Bateria seca, redonda, remetendo às batidas da fase de “War”. Na sequencia, vem “Get on your boots”, o single de trabalho do disco. Beleza, boa sucessora para “Vertigo”, do álbum anterior. Riff inicial poderoso, contagiante. Dá mesmo vontade de calçar as botas e partir pro mundo.

A guitarra vem com tudo também na oitava, “Stand up comedy”. Ótima. Depois, temos “Fez: Being Born”, mais viajante, que baixa um pouco a bola, mas ainda mantém o estilo. O gás acaba e vem outra balada, “White as snow”, bonita pacas. Belíssimo arranjo de cordas. Apesar de todos os Marlboros e todas as Guinness, Bono Vox continua fazendo jus ao nome.

“Breathe”. Boa guitarra, bom piano, letra meio cantada, meio declamada. Boazinha, nada demais. “Cedars of Lebanon” outra balada fecha prematuramente o álbum. A voz, meio sussurrada, sobressai aos instrumentos; boa linha de baixo, guitarra criando climas, mas um refrão bem chatinho. E acaba de repente.

Para quem, como eu, ainda se liga nessas coisas, de disco com estojo e encarte, este tem projeto gráfico elegante com a predominância de cinza, prata, preto e branco. Bacana, mas nada prático de manusear. As fotos são lindas e as letras estão lá, embora miúdas.

“No line on the horizon” passa no teste, mas sem louvor. Vamos esperar para ver o que há além do horizonte. Epa!, mas esta é uma canção do Rei Roberto Carlos...

Calor da porra

Ele, o Sol, em pose de 27.11.1997. Foto: SOHO - Consórcio EIT, ESA, NASA




Sou um homem de poucas certezas inquestionáveis.

Mas tenho uma convicção inabalável:

a felicidade é impossível acima de 30º C.

Vá lavar sua roupa


Além da excomunhão dos médicos pernambucanos que realizaram o devido aborto na menina de nove anos estuprada pelo padrasto, a Igreja Católica soltou outra potoca recente.

A máquina de lavar talvez tenha feito mais pela liberação da mulher no século XX do que a pílula anticoncepcional ou o acesso ao mercado de trabalho. A conclusão consta em um longo artigo publicado na edição do fim de semana passado do jornal semioficial do Vaticano, o L'Osservatore Romano, por ocasião do Dia Internacional da Mulher. O título era "A Máquina de lavar e a liberação das mulheres - ponha detergente, feche a tampa e relaxe".
"O que no século XX fez mais para liberar as mulheres ocidentais?", questiona o artigo, escrito por uma mulher. "O debate é acalorado. Alguns dizem que a pílula, alguns dizem que o direito ao aborto, e alguns (dizem que) o direito a trabalhar fora de casa. Alguns, porém, ousam ir além: a máquina de lavar."
O texto então conta a história da máquina de lavar, desde um modelo rudimentar de 1767 na Alemanha, até os modernos equipamentos com os quais a mulher pode tomar um capuccino com as amigas enquanto a roupa é batida.

Tamanha estupidez não merece nem comentários. Mas vamos juntar lé com cré e misturar essa baboseira – como numa máquina de lavar na fase de centrifugação - com aquela cometida pelo Anjo Excomungador. Como sugere a Cora Rónai em sua coluna de hoje publicada no O Globo, “A Igreja já atormentou demais a vida da Humanidade. Agora devia ir lavar seu tanque de roupa suja e deixar que vivêssemos em paz.” Roupa encardida. Se a Igreja fosse excomungar seus pedófilos e estupradores, talvez tivesse problemas de RH, escreve a jornalista.

Córa continua com a língua bem afiada: “Acho a excomunhão um anacronismo tão ridículo que, aplicada hoje, e por esta Igreja, está mais para condecoração e ponto no currículo.”

Hoje também pode ser lido nos jornais a triste notícia de que uma menina de 11 anos deu à luz no Rio Grande do Sul a uma criança, fruto do estupro cometido pelo seu padrasto. Essa tragédia acontece cotidianamente.

E vou novamente fazer minhas as palavras da Córa: “Eu não sou a favor do aborto; acho que há um sério erro conceitual nessa expressão. Sou , isso sim, a favor de que cada mulher possa livremente optar por fazer ou não fazer aborto, com a assistência médica necessária. Abortos clandestinos são a principal causa de morte materna na América Latina; é estranho que quem diz “defender a vida” não leve essa estatística em consideração. O fato é que ninguém faz aborto por esporte ou prazer; assim como é verdade que as penas da lei e os desastres de abortos malfeitos sobram quase sempre para as mulheres mais pobres, sem acesso a métodos contraceptivos eficazes.”

terça-feira, 10 de março de 2009

Faíscas de beleza

foto: Klara Wirz


O escritor moçambicano Mia Couto concedeu entrevista ao jornal O Globo, publicada no Segundo Caderno em 8 de março. Nela, o escritor brasileiro Milton Hatoum pergunta a Couto se a poesia é inseparável da prosa. A resposta é uma belíssima demonstração de sensibilidade, sabedoria e delicadeza.

Mia Couto: “Sim, é inseparável. Talvez por deficiência, talvez porque eu não saiba fazer de outro modo. Poesia, para mim, não é algo que apenas se escreva. Mas que se vive. Parece uma “grande” declaração, mas a verdade é que, se não fosse escritor, creio que manteria uma relação poética com o mundo como condição para ser feliz. O meu pai é poeta e, mais do que entre livros, cresci num ambiente em que se valorizavam as pequenas coisas, a descoberta de beleza à moda de Manoel de Barros: brilhos entre cinzas e lixos. Lembro-me de meu pai me conduzir entre as velhas linhas do trem para descobrir pequenas pedrinhas brilhantes tombadas dos vagões de minério. Ao redor havia a guerra colonial, um mundo inteiro que se despedaçava. Mas meu pai se entretinha como um menino a colecionar pedrinhas. Essa foi a minha primeira lição de poesia. Ainda hoje, vivo assim, com olhos na terra ciscando por faíscas de beleza.”

domingo, 8 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher







"Se te pareço noturna e imperfeita,


olha-me de novo."


Hilda Hilst

Pensamentos rebeldes, por Ana Kessler




"São 7h. O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede. Estou TÃO acabada, não queria ter que trabalhar hoje. Quero ficar em casa, cozinhando, ouvindo música, cantarolando, até. Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles, se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas. Aquário? Olhando os peixinhos nadarem. Espaço? Fazendo alongamento. Leite condensado? Brigadeiro. Tudo menos sair da cama, engatar uma primeira e colocar o cérebro pra funcionar.

Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a matriz das feministas que teve a infeliz idéia de reivindicar direitos à mulher e por quê ela fez isso conosco, que nascemos depois dela. Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós, elas passavam o dia a bordar, a trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos e temperos, de remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando crianças, freqüentando saraus, a vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária.

Aí vem uma fulaninha qualquer que não gostava de sutiã tampouco de espartilho, e contamina várias outras rebeldes inconseqüentes com idéias mirabolantes sobre "vamos conquistar o nosso espaço". Que espaço, minha filha? Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo ao seus pés. Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam de você para comer, vestir, e se exibir para os amigos, que raio de direitos requerer? Agora eles estão aí, todos confusos, não sabem mais que papéis desempenhar na sociedade, fugindo de nós como o diabo da cruz. Essa brincadeira de vocês acabou é nos enchendo de deveres, isso sim. E nos lançando no calabouço da solteirice aguda.

Antigamente, os casamentos duravam para sempre, tripla jornada era coisa do Bernard do vôlei - e olhe lá, porque naquela época não existia Bernard e, se duvidar, nem vôlei. Por quê, me digam por quê um sexo que tinha tudo do bom e do melhor, que só precisava ser frágil, foi se meter a competir com o macharedo? Olha o tamanho do bíceps deles, e olha o tamanho do nosso. Tava na cara que isso não ia dar certo.


Não agüento mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar hidratantes, escolher que roupa vestir, que sapatos, acessórios, que perfume combina com o meu humor, nem de ter que sair correndo, ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, de morrer atropelada, passar o dia ereta na frente do computador, com o telefone no ouvido, resolvendo problemas. Somos fiscalizadas e cobradas por nós mesmas a estar sempre em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, cheirosas, unhas feitas, sem falar no currículo impecável, recheado de mestrados, doutorados, e especializações. Viramos super mulheres, continuamos a ganhar menos do que eles. Não era muito melhor ter ficado fazendo tricô na cadeira de balanço?

Chega, eu quero alguém que pague as minhas contas, abra a porta para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores com cartões cheios de poesia, faça serenatas na minha janela - ai, meu Deus, 7h30, tenho que levantar!, e tem mais, que chegue do trabalho, sente no sofá, coloque os pés pra cima e diga "meu bem, me traz uma dose de whisky, por favor?", descobri que nasci pra servir. Cês pensam que eu tô ironizando? Tô falando sério! Estou abdicando do meu posto de mulher moderna. Troco pelo de Amélia.

Alguém se habilita?"

Ana Kessler, 19 de junho de 2003

A mulher madura, por Affonso Romano de Sant'Anna




O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.

De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes, ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras, a entrevejo no espelho de uma joalheria. A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.

Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.

A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo no repouso da graça sobre o lago. Seu olhar sobre os objetos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.

A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.

A adolescente, com o brilho dos seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a sutileza de um oboé sobre a campina do leito.

A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.

O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece os mecanismos, apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.

Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.

Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.

Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensa-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.

A mulher madura está pronta para algo definitivo.

Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o vôo das andorinhas e as crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias. As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.

A mulher madura é um ser luminoso e repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.

Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não espera-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar.

Affonso Romano de Sant’Anna, 15 de setembro de 1985.