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quinta-feira, 12 de março de 2009

Calor da porra

Ele, o Sol, em pose de 27.11.1997. Foto: SOHO - Consórcio EIT, ESA, NASA




Sou um homem de poucas certezas inquestionáveis.

Mas tenho uma convicção inabalável:

a felicidade é impossível acima de 30º C.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

As idéias não correspondem aos fatos

A seguir, trechos do texto "As idéias não correspondem aos fatos", de Arnaldo Jabor, publicado hoje em jornais brasileiros:

"Que palavras para designar a paralisia do político brasileiro que vai muito além do conservadorismo, do desejo do fixo? Que nome dar a este melaço da alma que odeia as reformas e o novo? Podemos chamar políticos de reacionários - tudo bem - mas como nomear a linfa ancestral que os alimenta? Que visgo brasileiro é esse que anima os empatadores do progresso? É uma pasta feita de egoísmo, preguiça, escravismo colonial que movimenta essas matilhas de canalhas. Que nome dar a isso? A gosma do mesmo?"
...

"Que outra palavra para nomear a idéia atual de felicidade? Ser feliz hoje é excluir o mundo em torno, como grades em edifícios de luxo. Ser feliz é pelo não. Hoje no Brasil é não ver a miséria, não se preocupar com o país, não acreditar em nada.

Ser feliz: nada ver, nada ouvir. Ouvidos moucos, antolhos, visão seletiva. Neofelicidade? Ou in-feliz-cidade?"

...

"Não há mais palavras para exprimir nossa indignação ou será que não temos mais indignação para exprimir em palavras?"

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Felicidade é uma saia justa

Placa à saída de um hotel em Barbacena (MG). Foto: Leandro Wirz



Eu assisto pouco à televisão. Praticamente futebol, clipes do TVZ, jornalismo-entretenimento-humor do CQC, a série House. Eventualmente noticiários, filmes e Manhattan Conection. Não, novelas nunca. Programas de auditório, nem morto. Sei que profissionais de comunicação têm que assistir a tudo, sem preconceito. É a mais pura verdade. Mas eu já assisti a quase tudo e nada mais me deixa chocado. Enojado, sim. O fato é que a vida é muito curta para eu desperdiçar tempo. Enfim, digressiono.

Como eu dizia, assisto pouco à TV. Ontem, no intervalo do jogo em que o Vasco lamentavelmente derrotou o Goiás, eu zapeei e parei no Saia Justa, do canal GNT, aquele programa de mulheres inteligentes que falam todas ao mesmo tempo e miraculosamente conseguem se entender, como só as mulheres conseguem. Uma espécie de Manhattan Connection versão feminina. Elas já ouviram essa comparação “n” vezes e certamente odeiam esse comentário sexista.

O programa é mediado por Mônica Valdvolgel e conta com Maitê Proença, Betty Lago e Márcia Tiburi debatendo temas diversos. O de ontem era felicidade. Assim. Modestamente, felicidade. Só.

Os debates giravam sobre se felicidade é aspiração, ideal, sonho ou distúrbio. Já que tem gente que está sempre irritantemente feliz. Felicidade é orgânica, é química, é herança genética? Tem aquelas polianas que vêem tudo pelo lado positivo e quem não enxerga problema, também não resolve nada. Tem aquelas pessoas que são duas. As bipolares, que oscilam drasticamente entre a euforia e a deprê.

Mas também tem gente normalmente feliz. Ou gente normal que é feliz. Ou gente feliz que é normal. O que importa é ser feliz. “Eu só quero é ser feliz, andar tranqüilamente na favela onde eu nasci...” diz a letra do funk carioca de MC Marcinho.

Maitê Proença é iluminada intelectualmente. E detém uma beleza iluminada também, elegante sempre. Ela disse: “Eu sou muito feliz. Parece uma inconseqüência, né? Mas não é. E não é, porque em determinado momento, não foi assim. Eu não fui feliz. Mas hoje tenho essa sensação agradável, essa paz. Eu dou nota nove para a minha felicidade. Só não dou 10, porque às vezes ainda caio em abismos. Mas eu estou cansada de pessimismo. Acho que o pessimismo ficava melhor lá atrás com Sartre e Simone de Beauvoir.”

O que me leva a léguas de distância, a uma canção de Almir Sater, especialmente linda na interpretação de Maria Bethânia, “Tocando em frente”. Os versos iniciais são: “Ando devagar porque já tive pressa e levo este sorriso porque já chorei demais”. Digressiono de novo.

De fato, existem pessoas que tem uma certa inaptidão para a felicidade. Eu mesmo escrevi sobre isso no poema “Versos sobre”, que abre meu livro “Lâmina do adeus”, de 2002: “A intimidade me permite chamar a melancolia de mel e a felicidade de fel”.

No Brasil, já disse Tom Jobim, o sucesso é mal visto. Às vezes, a felicidade também é. Como se fosse coisa de alienados, iludidos, tolos, superficiais.

Eu dou nota nove para a minha felicidade.