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domingo, 17 de abril de 2011

360 graus

Foto: Leandro Wirz


A semana foi pauleira e eu não tive tempo de escrever sobre o show do U2 no Morumbi, ao qual assisti no domingo passado.


Eu já havia assistido aos shows das turnês “Pop Mart”, no desorganizadíssimo show no Autódromo do Rio em 1998, e “Vertigo”, no próprio Morumbi, em São Paulo, 2006. U2 é sempre maravilhoso. Desta vez, na turnê 360º, não foi diferente. Entraram no palco, misto de aranha, catedral e nave espacial, ao som da execução mecânica de Space Oddity, de David Bowie, e abriram com “Even better than the real thing”. Daí até o fim, foi even better than the best dream.

Antes, tocou o Muse, em show quase heavy metal, muito bom, e com o mérito de ter começado britanicamente no horário marcado. Pontualidade é respeito. Muita gente no estádio não conhecia a banda e eles abriram mão de tocar sua versão do clássico “Can’t take my eyes off you”, de Frankie Valli, que poderia gerar identificação com o público. E, pena, não tocaram a ótima “Undisclosed desires”, talvez por terem priorizado um repertório mais pesado, para aquecer a massa para o U2.

Música de boa qualidade à parte, chamou a atenção o transtorno que o show causou na cidade. No hotel em que fiquei, no Ibirapuera, filas grandes para check-in de quem foi ao show no domingo e check-out de quem havia assistido no sábado. No entorno do estádio, com suas ruas estreitas, engarrafamento e estacionamento a R$ 140. Na rua. Com flanelinha.

À saída do estádio, taxistas cobravam entre R$ 100 e R$ 150 para levar ao hotel. Nada de taxímetro. Na segunda-feira, no aeroporto de Congonhas, as filas para o check-in e para o embarque eram imensas, dando voltas e voltas. Todos os paulistanos eram unânimes em dizer que tudo estava assim por causa do show.

Eu saí do Rio para encontrar amigos de Brasília e irmos juntos ao show. Perto de nós uma galera de Fortaleza e uma turma de Belo Horizonte. Todos em São Paulo só para o U2. Era de se esperar.

Então, como pode um evento para, no máximo, 90 mil pessoas, causar tanto transtorno na maior cidade do Brasil? Como temos a pretensão de organizar Copa do Mundo e Olimpíadas?! Se só com um show, fica evidente que não temos infraestrutura, nem serviços de qualidade a oferecer?

Outro ponto é o milagre da multiplicação dos ingressos. Eu fiquei pendurado na internet todas as madrugadas em que as vendas eram iniciadas. Não consegui comprar ingressos, que se esgotaram, invariavelmente em menos de duas horas. Foi assim com Madonna, com U2 e com Paul McCartney. No entanto, conforme se aproximam as datas dos shows, os ingressos reaparecem na mão de cambistas, empresas patrocinadoras e agências de turismo. Daí, eu consegui comprar.

Tenho certeza de que o Leandro Wirz ou José da Silva, cidadãos comuns, não vamos conseguir comprar ingressos para a Copa ou os Jogos Olímpicos. Afinal, além dos cambistas, patrocinadores e agências, teremos também os vereadores, deputados, senadores e ministros que irão querer suas cotas. E as celebridades, claro. Espero queimar a minha língua e, em 2014 e 16 , conseguir comprar um ingressozinho que seja. Não tenho problema em encarar fila ou passar a madrugada na internet tentando.

Finalmente pararam de dizer que o Brasil é o país do futuro. Até o Baminha, jogando pra plateia no Teatro Municipal do Rio, disse que somos o país do presente. Mas continuamos como no passado, um país deseducado e corrupto. Com infraestrutura vergonhosamente precária e obras atrasadas e superfaturadas. O Japão estará reconstruído antes que terminemos um único estádio para a Copa.

Este texto era sobre música e acabou político. O U2 também é assim.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O piano do outono

O tempo passa – cada vez mais – rápido e eis que já é outubro. Outono no Hemisfério Norte é a mais bonita e poética das estações.

E justamente porque o tempo passa tão apressado, vale buscar, lá em 1981, a música que dá título ao segundo álbum do U2: “October”.

Ouça atentamente o piano do outono.

October (by U2)

October
And the trees are stripped bare
Of all they wear
What do I care?

October
And kingdoms rise
And kingdoms fall
But you go on …and on…

quinta-feira, 12 de março de 2009

Além do horizonte

Capa de "No line on the horizon", novo álbum do U2

O U2 talvez seja a única banda da qual eu ainda aguarde o lançamento de um CD. Digo “banda”, porque eu sempre espero os discos da Danni Leigh, uma cantora country. Sim, eu gosto de country e esta é uma das várias falhas do meu caráter.

Voltando aos irlandeses, o grupo é dos poucos do qual vale a pena consumir música à moda antiga: comprando o disco. Fora eles, as outras bandas atuais só valem uns downloads para o Ipod e olhe lá.

Então, comprei o novo álbum, lançado semana passada: “No line on the horizon”. Ouvi de uma tacada, no carro, e achei chato pra caramba. Antes de descer o malho, resolvi esperar uns dias, esperar o meu humor mudar, uma nova conjunção astral, sei lá.

Ouvi de novo. Não é tão chato. Não consegue ser ruim como o “Popmart” ou como “Zooropa”, os piores da melhor banda em atividade.

A primeira faixa, que dá título ao álbum, é razoável, longe de empolgar. A segunda, “Magnificent”, melhora um pouco. Então, vem a balada “Moment of surrender”, bonita. Mas que ficaria ainda mais bonita se fosse mais curta. Antes de você adormecer, lá pelo sexto minuto, The Edge solta uma guitarra belíssima. Aliás, em todo o disco, a guitarra é um dos pontos altos. The Edge estava inspirado nas gravações.

A quarta faixa é “Unknown caller”. Bem, pule. É péssima. E tem um corinho insuportável. Este é um dos principais defeitos desse conjunto de canções: abusaram dos corinhos “ôôôô”.

Quando tudo parecia perdido, começa a redenção. “I’ll go crazy if I don’t go crazy tonight”. Enfim, rock’n’roll! Bateria seca, redonda, remetendo às batidas da fase de “War”. Na sequencia, vem “Get on your boots”, o single de trabalho do disco. Beleza, boa sucessora para “Vertigo”, do álbum anterior. Riff inicial poderoso, contagiante. Dá mesmo vontade de calçar as botas e partir pro mundo.

A guitarra vem com tudo também na oitava, “Stand up comedy”. Ótima. Depois, temos “Fez: Being Born”, mais viajante, que baixa um pouco a bola, mas ainda mantém o estilo. O gás acaba e vem outra balada, “White as snow”, bonita pacas. Belíssimo arranjo de cordas. Apesar de todos os Marlboros e todas as Guinness, Bono Vox continua fazendo jus ao nome.

“Breathe”. Boa guitarra, bom piano, letra meio cantada, meio declamada. Boazinha, nada demais. “Cedars of Lebanon” outra balada fecha prematuramente o álbum. A voz, meio sussurrada, sobressai aos instrumentos; boa linha de baixo, guitarra criando climas, mas um refrão bem chatinho. E acaba de repente.

Para quem, como eu, ainda se liga nessas coisas, de disco com estojo e encarte, este tem projeto gráfico elegante com a predominância de cinza, prata, preto e branco. Bacana, mas nada prático de manusear. As fotos são lindas e as letras estão lá, embora miúdas.

“No line on the horizon” passa no teste, mas sem louvor. Vamos esperar para ver o que há além do horizonte. Epa!, mas esta é uma canção do Rei Roberto Carlos...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

We are one


Às vésperas da posse, Obama continua fazendo tudo certo. No domingo, Obama assistiu, no Lincoln Memorial, em Washington, ao show ‘We are one’ (‘Somos um’), e foi aclamado por cerca de 200 mil pessoas.

Fez um discurso correto e reafirmou estar “esperançoso como sempre”, mas alertou que a superação das dificuldades pode demandar mais tempo e esforço do que se espera. Chamou o público para estar ao seu lado, quando disse “O que me dá esperança são vocês “. Ele sabe jogar para a torcida.

No discurso fez referência a três líderes americanos George Washington, Abraham Lincoln e Franklin Roosevelt. A escolha não foi aleatória. Washington foi o fundador da nação americana e seu primeiro presidente; Lincoln é praticamente uma unanimidade nacional e foi o presidente que aboliu a escravidão nos EUA; e Roosevelt foi o presidente que venceu a Grande Depressão de 1929.

Os artistas que participaram do show também foram muito bem escolhidos. Não apenas por seus dotes artísticos, mas por sua representatividade social. Estiveram lá Bruce Springsteen (“The Boss”, representando a classe operária americana), diversos artistas negros (Mary J.Blige, Will I Am), Stevie Wonder (que é também deficiente visual), a colombiana Shakira (latina), os irlandeses politizados do U2 (representando imigrantes e artistas com ativismo político).

Além de “The city of blinding lights”, o U2 oportunamente cantou “Pride (in the name of love)”, música que fala sobre o assassinato de Martin Luther King. Aliás, o show aconteceu na véspera do feriado que homenageia o líder que lutava pela igualdade racial. No mesmo álbum, “The Unforgettable Fire”, de 1984, o U2 tem outra canção que reverencia Luther King, “MLK”.

Musicalmente, o espectro de estilos também foi grande, indo do R&B (Beyoncé) ao country (John Mellencamp), passando pelo Rap (Usher) e pelo rock (Jon Bon Jovi). Marcaram presença diversas estrelas da música e do cinema: Jamos Taylor, Sheryl Crow, Denzel Washington, Jamie Foxx, Queen Latifah, Tom Hanks e Laura Linney, e o campeão de golfe Tiger Woods.
E ontem, véspera da posse, Obama cumpriu a tradição e dedicou-se ao trabalho voluntário. Belo exemplo.