quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Pra começar...

Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro. Foto: Leandro Wirz
"... recria tua vida,
sempre, sempre.
Remove pedras e
planta roseiras e
faz doces.
Recomeça."
Cora Coralina

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz 2009!

Iemanjá. Praia da Conceição, Fernando de Noronha. Foto: Leandro Wirz


Aos leitores de 2008, minha gratidão e o desejo de que continuem por aqui em 2009.
Tem sido muito prazeroso escrever este blog.
A todos, um mar de coisas positivas no Ano Novo.

Sobre malas, poemas e musas

Manuel Bandeira, Por Cândido Portinari

Li hoje cedo que a eleição da Mala do Ano, promovida pela mala hors-concours Artur Xexéo, teve a atriz Luana Piovani como vencedora. Entre tapas e beijos, performances no palco e principalmente fora deles, não se pode dizer que a escolha da bela fera pelos leitores daquele colunista tenha sido injusta.

Seja como for, Luana está em ótimo ensaio fotográfico sensual na revista VIP, edição de janeiro de 2009, e já nas bancas.

Há quem diga que poesia é coisa de mala. Até eu, que sou poeta, às vezes me vejo obrigado a concordar. Mas não neste caso.

As fotos de Luana na revista estão muitíssimo bem acompanhadas por poema de Manuel Bandeira, Madrigal Melancólico.

Para ilustrar este texto escolhi, não uma foto de Luana, mas do poeta, retratado quando jovem por Portinari.
Madrigal Melancólico, de Manuel Bandeira

O que adoro em ti
não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
mas pelo que há nela de fragilidade e incerteza.

O que adoro em ti
não é a tua inteligência,
não é o teu espírito sutil,
tão ágil, tão luminoso
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é a tua ciência
do coração dos homens e das coisas.
O que adoro em ti
não é a tua graça musical,
sucessiva e renovada a cada momento,
graça aérea como teu próprio pensamento.
Graça que perturba e satisfaz.

O que adoro em ti
não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E nem meu pai.

O que adoro em tua natureza
não é o profundo instinto maternal
em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que adoro em ti, é a vida.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

2008: “Beijo, me liga” ou “É o beijo de despedida, cachorro!”

Foto: Leandro Wirz

Um mar de coisas importantes aconteceu neste ano. O assunto mais comentado foi a crise econômica mundial, deflagrada a partir das tais hipotecas subprime norte-americanas. Em 2009, ainda vai se falar muito dela.

Felizmente, o mulato sarado Barack Obama foi eleito para a Casa Branca, trazendo novas esperanças para boa parte do mundo. George W.Bush, em seu ocaso, quase levou uma sapatada, mas o jornalista iraquiano era ruim de mira. Fidel Castro ainda não morreu. Nicolas Sarkozy continuou sorridente (com a Carla Bruni é fácil...). A libertação de Ingrid Betancourt, somada à morte de líderes importantes, enfraqueceu as Farc colombianas. Chávez e Morales continuaram sua coreografia do atraso.

O terrorismo continuou brutal, selvagem, injustificável e burro como sempre.

Na última semana do ano, israelenses voltaram ao confronto com palestinos na faixa de Gaza.

Milhões de pessoas continuaram a se contaminar com o vírus da Aids, principalmente na África, por falta de políticas públicas de saúde decentes, por falta de informação e por irresponsabilidade.

No Brasil, de maneira geral, o Executivo e o Legislativo continuaram fazendo vergonha. Para ficar no exemplo mais recente, a criação de mais sete mil cargos de vereadores. O Supremo Tribunal Federal autorizou as pesquisas científicas com células-tronco. Um belo avanço em direção à modernidade. Mas ainda falta liberar o aborto, a eutanásia, o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Lula continuou muito popular e falando também algumas bobagens populares. A classe média continuou a sifu. O prefeito César Maia só fez escrever no seu blog e construir sua pirâmide, a absurdamente supérflua Cidade da Música. Sérgio Cabral continuou viajando ao exterior e Aécio Neves continuou indo às melhores festas. Metade do Rio de Janeiro votou certo. E Gabeira quase se elegeu prefeito.

O Rio de Janeiro foi assolado por outra epidemia de dengue, causada tanto pela incompetência das autoridades, quanto pela falta de consciência da população que permanece criando condições para a proliferação do mosquito.

As ruas da cidade continuaram sendo ótimas pistas de rally.

Em Santa Catarina, a tragédia das enchentes e dos desmoronamentos nos lembrou como os homens podem ser solidários para superar as dificuldades e inescrupulosos a ponto de furtar donativos destinados às vítimas.

A lista de crimes hediondos que comoveram o País foi extensa: Isabella Nardoni; Eloá de Santo André; o menino João baleado pela polícia dentro do carro; soldados do Exército que entregaram uns rapazes para a quadrilha de traficantes da favela rival; o austríaco psicopata que manteve a filha em cativeiro por décadas e ainda a estuprava sistematicamente gerando filhos/netos. Que as vítimas descansem em paz e os culpados sejam punidos.

Falou-se exaustivamente dos 50 anos da Bossa-Nova e dos 40 anos do AI-5, que cerceou dramaticamente as liberdades individuais no Brasil durante os anos da ditadura militar.

Na música, Madonna veio ao Brasil de novo e arrasou, Roberto Carlos cantou com Caetano Veloso; os Los Hermanos deram um tempo e a Mallu Magalhães, com seu folk naif e chatinho virou cult. As bandas emo, especialmente aquelas com irritante sotaque paulista, continuaram a fazer sucesso entre os jovens de pouco Q.I. Amy Winehouse continuou bebendo litros de álcool e se drogando em quantidades industriais, para tristeza dos apreciadores da boa música e alegria dos tablóides sensacionalistas. Mas terminou o ano livre da droga do marido e pegando um base..., quero dizer, bronzeado no Caribe. Britney Spears transformou sua via crucis em Circus, seu novo álbum, e deu a volta por cima, por enquanto. Michael Jackson continuou esquisitão. Rihanna confirmou que veio para ficar. O rap norte americano continuou dominando o topo da lista de mais vendidos e propagando valores morais edificantes, na linha de “eu sou o cara, eu sou o melhor, eu tenho jóias, eu tenho carrões, eu compro o que quiser, eu adoro garotas gostosas, safadas e de bunda grande (tipo a da Beyoncé), eu tenho muitas mulheres, eu sou rico e você é um nada, um looser.” Altamente educativo.

A mídia deu espaço em excesso para celebridades e respectivos satélites: Luana Piovani, Dado Dolabella, Belo, Gracyanne, Viviane Araújo, Suzana Vieira, Marcelo Silva, Juliana Paes, Mulher Melancia e mais um monte de nomes que estou fazendo esforço para esquecer, apesar do bombardeio dos sites, jornais e revistas.

A programação dos canais abertos da televisão brasileira continuou abaixo da crítica.

O filme Meu nome não é Johnny foi o grande sucesso nacional de público, confirmando o talento de Selton Mello. Falando nisso, Selton, Lázaro Ramos, Wagner Moura e Matheus Nachtergaele firmam-se, a cada trabalho, como atores excepcionais.

O São Paulo foi tricampeão brasileiro, demonstrando que administração profissional e regularidade são ingredientes poderosos para a conquista de resultados. Eurico Miranda finalmente largou o osso da presidência do Vasco. O Fluminense deixou a Taça Libertadores escorrer entre as chuteiras. O Flamengo continuou sendo mais um balcão de compra e venda de jogadores do que propriamente um time de futebol. Ronaldo (uma vez Fenômeno,...) foi flagrado com três travestis em situação constrangedora. E terminou o ano driblando o Flamengo e indo jogar no Corinthians, que subiu da Segundona.

Lewis Hamilton foi o primeiro negro campeão mundial de Fórmula 1. Felipe Massa foi vice, e confirmou que pode dar mais alegrias aos torcedores brasileiros, carentes de bons resultados desde que Senna foi correr em pistas mais elevadas.

2008 foi também o ano dos Jogos Olímpicos na China, país que no campo político, não tem nenhum espírito esportivo. Méritos para César Cielo e Maureen Maggi e outros medalhistas brasileiros. Que grande pena a perda da medalha para Diego Hypólito que fez tudo perfeito até os instantes finais de sua apresentação no solo. Injustiça dos deuses do Olimpo.

Claro que outras coisas muito importantes aconteceram neste ano que se encerra, mas eu não lembro de todas. Nem quero.

Melhor é olhar para frente. Seguir adiante. Conduzir a própria vida, a partir das escolhas que fazemos.

“Sonha o que queres sonhar, vai onde queres ir, concretiza o que queres ser, simplesmente desfruta ao máximo o que estiver no seu caminho.”
Bom caminhar em 2009.

ps 1: o título deste texto é um dos principais bordões do CQC, um oásis de inteligência na grade de programação das TVs brasileiras. Toda segunda, às 22h, na Band.
ps 2.: considerando que, em função da crise econômica mundial, 2008 é um ano que não vai deixar saudade para muita gente, outro título possível seria “É o beijo de despedida, cachorro!”, frase gritada por Muntazer Al-Zadi, repórter iraquiano que atirou o sapato em Bush.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Surrealismo à carioca

Foto: Leandro Wirz



Cena carioca. Local: Lagoa Rodrigo de Freitas, Zona Sul. Quando: Dezembro, domingo de mormaço, final da tarde.

Personagem 1: Balzaquiana pedala na ciclovia da Lagoa, faz a linha esportista, bem cuidada, nenhuma pinta de dondoca metida a besta.

Personagem 2: Vendedor estaciona sua carrocinha de churros, ou milho, ou tapioca ou pipoca (na pressa, não observei) em plena ciclovia. Em um trecho estreito.

Personagem 3: Família (casal de meia idade, mais um idoso e dois jovens) caminha pela ciclovia lentamente. Muito lentamente. E todos lado a lado. Praticamente fecham a passagem. Pelas roupas, estilos e modo de andar na ciclovia aparentam não fazer isso com freqüência. Parecem ter vindo de longe para ver a árvore da Natal que flutua nas águas da Lagoa.

O fato: a ciclista educadamente freia, pede licença, passa bem devagar e roça o guidão sem querer no braço do idoso. O vendedor de churros ou milho ou tapioca ou pipoca reclama:
“- Devia ser proibido pedalar aqui!.”

Como assim, meu amigo?! Proibido devia ser você estacionar sua carrocinha na ciclovia. Aliás, é proibido. Mas no Rio de Janeiro de hoje, o que se diz é: “Ilegal, e daí?”

Naufrágio da confiança

Há vinte anos, a irmã da minha madrinha embarcou feliz da vida para passar o reveillon com o namorido. Era uma pessoa alegre, loura bonita, quarenta e poucos anos, cheia de energia, que trabalhava na Petrobras e adorava viajar nas férias. No início da adolescência, eu, minha prima e um amigo pegávamos carona com ela para a praia.

Tia Norma morreu no naufrágio do Bateau Mouche, na praia de Copacabana, minutos antes de 1988 acabar. Ela e mais 54 pessoas.

O Bateau Mouche estava superlotado e não tinha condições técnicas para enfrentar o alto mar. Foi interceptado naquela noite pela Capitania dos Portos e, mesmo assim, autorizado a seguir mar adentro.

O Brasil tem leis que parecem estar a serviço dos criminosos. Até hoje, graças aos infindáveis recursos e a morosidade da Justiça, ninguém foi punido. Dois dos condenados em regime semi-aberto fugiram para a Espanha.

Reproduzo então as palavras do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto: - “Afunda a credibilidade do Poder Judiciário e faz naufragar as esperanças daqueles que, um dia, acreditaram ser possível a justa reparação judicial. O Judiciário aí não cumpre seu papel fundamental na conservação do Estado Democrático de Direito e na tarefa de levar a palavra da justiça àqueles que dela necessitam.”

A Justiça Brasileira ainda não aprendeu que tardar já é falhar.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Desembrulhe

Cooperativa de reciclagem de lixo em Porto Sauípe (BA). Foto: Leandro Wirz
Na manhã seguinte ao Natal, ao pôr o lixo para fora, você reparou a enorme quantidade de sacolas e caixas de papelão, folhas de papel de seda, sacos plásticos, papéis coloridos de presente, laços de fita etc etc etc?

Honestamente, precisava de tanta embalagem para os presentes? Precisávamos gerar tanto lixo? Nas minhas próximas compras, eu vou dar preferência a embalagens de material reciclável. E vou pedir menos embrulhos, caixas, laços, bolsas.

Eu quero a minha vida mais simples. E o planeta mais limpo.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Árvores de Natal

Menton, França. Foto: Leandro Wirz

Costa do Sauípe-BA. Foto: Leandro Wirz

Lido - Veneza, Itália. Foto: Leandro Wirz

Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro. Foto: Leandro Wirz

Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro. Foto: Leandro Wirz


Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro. Foto: Leandro Wirz

Lopes Mendes, Ilha Grande-RJ. Foto: Leandro Wirz


Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro. Foto: Leandro Wirz

Enseada de Botafogo, Rio de Janeiro. Foto: Leandro Wirz

Ilha Grande-RJ. Foto: Leandro Wirz




segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Veneno antimonotonia


Você provavelmente anda ensandecido, às voltas com as compras de Natal que deixou para a última hora, só para variar.

Então aí vai uma dica bacana. Corre em uma livraria e compre “Caderno de rabiscos para adultos entediados no trabalho”. Pelo título, já deu para sacar que dá para você presentear meio mundo com este livro. Até porque é barato, só R$ 14,90. O único pré-requisito é que o presenteado tenha bom humor. Preferencialmente do tipo incorreto, ácido, sarcástico. Ou seja, o melhor.

O livro publicado recentemente no Brasil pela Editora Intrínseca é versão do original francês da jovem Claire Fay, lançado em 2006 na Europa.

Em pouco menos de 50 páginas, com pouquíssimo texto, Claire propõe atividades sacanas para você descarregar a ira, a frustração, a impaciência, o inconformismo, o tédio e mais uma série de sentimentos positivos e nobres provocados pelo seu trabalho, seus colegas, seu estimado chefe.

O livro não é manual de auto-ajuda e claro que não vai resolver sua vida. No ano que vem, você continuará de saco cheio do trabalho. Mas o livro é garantia de boas risadas, mesmo para quem não está entediado. Eu, por exemplo, adoro meu trabalho. Mas eu ia gostar muito mais se fosse rico a ponto de não precisar trabalhar e pudesse passar os dias de bundalelê, viajando por esse mundo afora.

Eu daria este livro para umas dez pessoas, no mínimo. Mas como ia ficar caro comprar para todos, preferi dar a dica aqui no blog e cada um que se vire, porque a crise tá braba.

Divirta-se! Rir é o melhor remédio.

ps.: Este texto é dedicado especialmente a D.V, do 5º andar e A.F, do 6º.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Argumento de venda

anúncio de Sapólio Radium, criação DPZ.


Eu tenho a mente poluída e a boca suja, é fato. Freud disse que às vezes um charuto é só um charuto. Mas às vezes não é.

Quando eu olhei este anúncio, criado pela DPZ, para o Sapólio Radium da Bombril, eu vi outra coisa.

Nada contra. Símbolos fálicos podem ser um argumento de venda bastante viril para o público-alvo. Coisas da publicidade. E a embalagem do produto ajuda bastante.

E me lembrei que tenho um grupo de amigos gays que usava um código para se referir a homens bem dotados: “tubo de Limpol”. A marca é outra, mas agora entendo melhor o porquê da expressão.