sábado, 18 de outubro de 2008

Intervalo comercial

Starbucks(óbvio), Barcelona. Foto: Leandro Wirz


Pausa para um café. Sem açúcar.

E um cigarro, ah, eu adoraria.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Inóbvio

“CRISE. VOCÊ PREFERE COM OU SEM AÇÚCAR?

Nós já enfrentamos e sobrevivemos a muitas crises. Talvez já tenhamos perdido as contas sobre o número e a origem delas. Mas as malditas já nos surpreenderam diversas vezes enquanto assobiávamos distraídos virando alguma dessas esquinas da vida. Algumas, foram provocadas pelo petróleo, outras pela Rússia ou pela China, a maioria, gerada internamente, já que em matéria de crise, o Brasil sempre foi auto-suficiente. A tal ponto que, se não chegamos a ser fraternos amigos – nós e a crise – também não podemos negar que tenhamos nos tornado íntimos conhecidos.

Nenhuma crise é igual à outra. Essa que chegou com toda força agora, certamente é a mais diferente de todas. Porque o Brasil não tem um pingo de responsabilidade sobre o que está ocorrendo e porque o Brasil está no seu melhor momento economicamente falando. O Brasil nunca esteve tão em dia com as suas obrigações, o dever de casa feito, com um mercado interno tão forte, com empresas tão sólidas, modernas e competitivas e com suas instituições tão garantidas para encará-las.

Mas isso não nos exime das conseqüências da crise. Que, por sinal, é também uma das mais potentes e destruidoras das que se tem notícia em quase um século. Ela já está sendo dura e será ainda mais devastadora, não precisamos ser profetas para prevê-lo. Então, o que nos resta fazer?

O óbvio é termos medo, nos encasularmos, rezarmos para diferentes deuses, de diferentes religiões, ficarmos imóveis acreditando que qualquer mínimo movimento pode ser fatal para ela nos alcançar e, assim, esperarmos até que ela passe.

Demitir, cortar os investimentos, reduzir a produção, suspender novos projetos, reprimir os movimentos de inovação, não acreditar num retorno inesperado da demanda, também são boas e óbvias idéias. Talvez, algumas tenham mesmo que ser feitas, quem sabe?

Mas também há o inóbvio, por mais que, obviamente, a palavra inóbvio não exista. E não existe por quê? Porque ninguém a disse antes, vai saber.

E é aí que reside o intuito deste nosso anúncio: apelar para os que acreditam que o inóbvio existe. Não só existe, como pode ser feito nesse exato momento onde o óbvio é o que todos pensam, todos fazem, todos professam e todos aconselham.

O intuito deste anúncio é, humildemente, tentar criar uma minúscula fagulha de otimismo, de esperança – nossa velha, desgastada, mas essa sim, querida amiga em todos os nossos célebres momentos de crise - para que ela se dissemine, se instale na nossa cabeça, nas nossas empresas, na nossa sociedade, mesmo lutando contra esse poderoso inimigo, que tão mais facilmente gosta de se instalar nesse mesmos lugares ao menor sinal de que o pior pode acontecer.

O intuito deste anúncio é demonstrar que um marketing original é a mais poderosa fonte de energia, capaz de gerar as transformações que uma empresa precisa nom momento de crise.

Nós acreditamos piamente nisso.

Esse é o nosso óbvio.

Acreditamos que se esse não é o momento de inovar, que outro seria? Acreditamos que se esse não é o momento de ser e parecer diferentes dos seus concorrentes, que outro haverá de ser?

Acreditamos que se não for essa a hora de falar, enquanto muitos se calam de medo, que outra hora estará à nossa disposição para fazê-lo?

Uma grande idéia, única, diferente de todo o óbvio, sempre foi e sempre será o detonador mais valioso – e menos oneroso – para se mudar a história, o humor, a fé, a determinação e o otimismo interno de uma empresa.

É isso que nós defendemos para os nossos clientes e que queremos externar para o Brasil inteiro hoje. Porque tivemos a presunção de que se nós pensamos assim, talvez você, talvez mais gente por aí também pense do mesmo jeito. E nós adoraríamos poder contar com mais gente, mais empresários, mais cidadãos para ajudar a contrariar o óbvio, a não aceitar passivamente em todas as suas piores conseqüências o medo, pelo medo.

Crises nós já enfrentamos e, queiramos ou não, ainda enfrentaremos essa um bom tempo e outras por muitas vezes.

O que deve nos mover é a visão de como nós queremos ser percebidos assim que mais uma vez nós sairmos dela.

De pé, ou de cócoras.

Na crise, já disseram muitos, é que se separam os homens dos meninos. Ou seja, crise, pode ser café pequeno para os homens.

Nós gostamos com açúcar.

F/NAZCA SAATCHI & SAATCHI
Nós amamos boa propaganda.”


A agência de publicidade F/Nazca publicou este anúncio all type de página inteira no jornal O Globo – e, certamente, em outros – em 12 de outubro de 2008.

Para você que é publicitário, ou estudante de, ou simplesmente é curioso, o que há de óbvio e de “inóbvio” nesse anúncio?

Que ferramentas (ou truques) de persuasão você encontra na construção deste texto?

Como ex-professor de Linguagem Publicitária (saudade, turmas!), não resisti à brincadeira de transformar esta postagem em uma pequena sala de aula/debate/questão de prova.

Espero que tenha alguém aí, desse lado.

Ei, você! Comente! Mesmo que seja só para dizer gostei ou não gostei.

Vale nota.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Universo umbigo

A atriz Cláudia Alencar é talentosa, bonita, simpática e até já se aventurou pelas raias da poesia.

Mas na Veja desta semana, ela escorregou feio e soltou essa: "Ama a si próprio como a ti mesmo." (?!)

Uau! E eu que me culpava por ser egocêntrico...

domingo, 12 de outubro de 2008

Força sempre


Junto com a vontade, eu tinha certo pudor ou receio de assistir a “Renato Russo – a peça”. Porque Renato Russo é um dos meus deuses e enquanto esteve vivo compôs ou cantou muitas das canções que fizeram parte da trilha sonora da minha vida. E de mais um monte de gente da minha geração. Eu tenho tudo o que ele gravou e assisti a vários shows da Legião Urbana, em todas as suas fases. Então, pensava, para que ver o cover?

Mas a curiosidade falou mais alto e também os comentários elogiosos que ouvi desde que a peça estreou em 11 de outubro de 2006, data em que se completava 10 anos da morte de Russo. Esta já é a terceira passagem do espetáculo pelo Rio e ela foi sucesso também em várias cidades do País. Por pura coincidência, que só percebi depois, fui assistir em 10 de outubro de 2008.

A peça é realmente ótima. Bruce Gomlevsky incorpora muito bem as facetas do Renato Russo genial, sensível, inteligente, arrogante, solitário, sonhador, auto-destrutivo, líder, corajoso, temperamental, confuso, generoso, crítico, culto, dramático, messiânico, assustado, romântico, cético, criativo, empreendedor. Enfim, um Renato humano e pleno de energia e contradições. Como nós.

Esta foi sempre a grande virtude de Renato, que o tornou um dos mais importantes poetas da música brasileira. A capacidade de contar em suas canções a sua história. E a sua história era a nossa. Ao ouvi-lo, a gente pensava: “Porra, este sou eu!”

A peça tem roteiro bem costurado, embora no final dê uma acelerada e pule coisas & canções de alguns dos últimos discos. No final também, o texto dá uma resvalada no piegas, mas tudo bem, Renato era mesmo dramático. Bruce Gomlevsky dá um show de interpretação e eu não sei se, quando acabar a carreira do espetáculo, ele vai saber ser simplesmente Bruce de novo. A banda Arte Profana, que o acompanha ao vivo nas 22 canções, manda bem, a direção do espetáculo é precisa, o figurino é ok e a luz é excelente. E ainda há o contra-regras de cabelo moicano.

A platéia entra na onda e canta junto várias das canções. Em todos os encartes de seus discos, Renato escrevia Urbana Legio Omnia Vincit (A Legião Urbana a tudo vence) e Força Sempre. Foi ótimo constatar que suas canções continuam a ter a força de sempre. E continuam a vencer o tempo, o esquecimento, a morte.

Renato Russo foi embora muito cedo, aos 36. E eu dizia ainda é cedo também para a peça encerrar sua carreira. Se você ainda não viu, corra. Até 19 de outubro no Teatro João Caetano, no Rio. Saí de lá, alma lavada, renovado.

Se quiser saber mais sobre Renato, ouça seus discos. Todos. Muitas vezes. E leia “Renato Russo: o trovador solitário”, o livro que o jornalista Arthur Dapieve escreveu para a série perfis do Rio. A edição é da Relume-Dumará, 2000.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Escrever é ouvir o barulho do mundo



O escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio recebeu hoje a notícia de que foi premiado com o Nobel de Literatura.

"Escrever não é só se sentar à mesa consigo mesmo, é ouvir o barulho do mundo. Quando você está na posição de escritor, percebe melhor o barulho do mundo, vai ao encontro do mundo", afirmou Le Clézio em coletiva de imprensa concedida em Paris.

E é por isso que eu escuto o barulho do mar...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Infidelidade canina

Jornal O Dia noticia que, ao acordar às 5h da manhã e não encontrar o marido dormindo ao seu lado, mulher foi procurá-lo.

Encontrou-o no quintal fazendo sexo com a cadela do casal.

Que se chama - acreditem! – Xana. Sei não, mas acho que esse cara já batizou a cachorra mal intencionado.

A mulher, de 19 anos, que foi trocada por uma cadela (isso acaba com a auto-estima de qualquer um!) deu queixa na delegacia de Itaboraí (RJ), contra a cachorrada que o marido, de 26 anos, fez. Ambos moram e trabalham em um sítio da região. O meliante zoófilo evadiu do local em sua moto cento e vinte cinco cilindradas.

Xana precisou ser medicada.

E o animal continua solto. À procura de uma pitbull de batom.

A sunga estúpida

Já que na postagem anterior, falamos em marketing, política e estupidez (trio que, muitas vezes, caminha de mãos dadas), como é que o candidato a prefeito do Rio, Fernando Gabeira, se deixa fotografar na manhã seguinte ao primeiro turno das eleições, de sunga ou enrolado numa toalha vermelha?!

Ok, nadar é um hábito saudável e a descontração do candidato é a cara do Rio. Mas assim fica mais difícil para ele, que tem no currículo a célebre sunga de crochê dos anos 1980, conquistar os votos do eleitorado mais conservador.

Em respeito aos leitores deste blog, decidi não publicar foto do candidato de sunga. Até porque ninguém merece.

É o marketing, estúpido!


No debate de ontem à noite entre os candidatos à presidência dos EUA John McCain e Barack Obama , em determinado momento, o primeiro referiu-se ao segundo como “Aquele lá”. O termo gerou polêmica por considerado depreciativo, desrespeitoso e, para alguns, até mesmo racista.

Horas depois, o site http://www.thatone08.com/ já vendia camisetas pretas e brancas com o símbolo da campanha democrata a US$ 15,95, nos tamanhos P, M, G e GG, além de quatro modelos infantis. Há ainda versões estampadas com uma foto em preto e branco de Obama e a frase polêmica em vermelho e outra com uma imagem de McCain apontando o dedo, sob a legenda "Aquele lá".
Isso é que é senso de oportunidade! McCain deu um passe digno de Toninho Cerezzo para Paolo Rossi (Brasil vs Itália, Copa de 1982) e a turma do Oba-Obama só teve que tocar para o gol.
Em 1992, James Carville, o marqueteiro de Bill Clinton, cunhou o bordão "É a economia, estúpido" para dizer o que realmente pesa em uma eleição. Cabe aqui a paródia: É o marketing, estúpido!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Crocodile Kid


Na última semana, correu o mundo a notícia de que um garoto de sete anos invadiu um zoológico na Austrália, matou diversos animais e jogou outros vivos a um crocodilo.

A matança foi capturada pelas câmeras de segurança do zôo. Em uma delas, o pestinha aparece sorrindo enquanto assistia ao crocodilo, de três metros de comprimento e cerca de 200 quilos, devorar um lagarto de língua azul. Durante 35 minutos, o menino matou brutalmente diversos animais no centro de répteis em Alice Springs. Em um dos casos, ele bateu em um lagarto diversas vezes com uma pedra até o animal não resistir mais.
As vítimas foram dez répteis, uma tartaruga, quatros lagartos de língua azul, dois dragões-barbudos, dois diabos-espinhosos, três lagartos e um iguana de 20 anos. Segundo o diretor do zôo, "será difícil substituí-los. Muitos eram raros e maduros".

O menino foi interrogado pela polícia, mas se manteve calado. Os policiais afirmaram que não têm a menor idéia do que pode ter motivado o ataque.

A primeira pergunta que não quer calar é: se o moleque levou 35 minutos em sua mórbida diversão como é que durante esse tempo todo, ninguém fez nada para impedir?

A segunda pergunta é: esse moleque não tem pais, não?

Eu definitivamente não acredito que crianças são anjos inocentes e inimputáveis. Crianças podem ser crudelíssimas. E tem gente que é ruim mesmo.

Mas o primeiro instinto de uma criança de sete anos, ou pelo menos, o instinto mais normal, seria o de curiosidade, ou até mesmo medo, pelos animais, e não o de agressão. É difícil acreditar que o moleque entrou no zoológico numa manhã ensolarada de quarta-feira e teve um surto de fúria assassina matando os animais. Provavelmente, ele já tinha manifestado antes seu “apreço” pela fauna praticando pequenas maldades com animais mais acessíveis: cachorro, gato, passarinho, peixe, filhote de canguru etc

O episódio provocou revolta e foi assunto nas mesas: a maldade infantil, a omissão dos pais, como punir o moleque, como punir os pais, e mais um monte de teorias psicanaliticas de botequim para destrinchar as razões da atitude e o cérebro doentio do moleque.
A última vez que eu olhei na versão online do jornal O Globo, havia 785 comentários sobre a notícia. Ah, que inveja dessa audiência! Dei uma lida rápida nos comentários e boa parte deles sentenciava que o moleque seria um futuro serial killer e muitos, muitos mesmo, sugeriam jogá-lo ao crocodilo que ele alimentou. Eu mesmo tive ganas de esganá-lo e mandá-lo fazer companhia a Terry, o Croco.

A tolerância está chegando próxima a zero. Mas será que se deram conta de que estão condenando uma pessoa de sete anos como irrecuperável?
Terry, vem cá.

Fé cega, faca amolada


Notícia da última terça no portal Terra informa que garoto de 16 anos sobreviveu à tentativa de assalto em Londres levando, como “souvenir”, uma faca de cozinha no meio da testa.

Segundo o jornal britânico Daily Mail, ele conseguiu sair com vida porque foi operado rapidamente. Os médicos disseram que, se alguém tivesse tentado retirar a faca, o jovem teria morrido.

Sim, porque além da retirada poder provocar estragos internos ainda mais graves, ao sair, a faca provocaria intensa hemorragia, difícil de estancar.

O sobrevivente deve ser parente de Chuck Norris, o homem, o mito, a lenda.

Certa vez Chuck Norris levou uma facada no olho.
A faca ficou cega.