Mostrando postagens com marcador Gabeira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gabeira. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de novembro de 2008

A vitória de Gabeira

foto: Leandro Wirz






Todo mundo já sabe, Gabeira não foi eleito prefeito do Rio. Mas mesmo perdendo, Gabeira saiu vencedor. Gabeira ganhou reconhecimento, admiração, respeito, visibilidade, importância.

Reproduzo trecho de texto que a jornalista Cora Ronai escreveu, publicado no blog http://marcelotas.blog.uol.com.br/ : ” Em compensação, como carioca, perdeu a chance de viver um momento histórico, em que a prefeitura seria, afinal, ocupada por um homem de bem, com idéias novas e um novo jeito de fazer política; perdeu a chance de ver o Rio de Janeiro sair do limbo a que foi condenado nas últimas décadas, e ganhar projeção pela singularidade da sua administração.Se Gabeira tivesse sido eleito prefeito, o Rio, que hoje não significa nada em termos políticos, voltaria a ter relevância, até pelo inusitado da coisa. Um prefeito eleito na base do voluntariado, do entusiasmo dos eleitores e da vontade coletiva de virar a mesa seria alguém em quem o país seria obrigado a prestar atenção.”

Votei com tesão e fé em Gabeira.


Sobre as eleições cariocas, o jornalista Ricardo Noblat escreveu em seu blog:
“Gabeira acreditou que a comunicação direta com o eleitor poderia levá-lo à vitória. Quase levou. Mas ao fim e ao cabo ganhou a política real. E o que é isso? Em resumo é a política de alianças, do loteamento futuro da máquina administrativa, dos gastos milionários, da propaganda massiva e das manobras sujas, às favas todos os escrúpulos.

- Você está disposto a pagar qualquer preço para vencer, eu não - disse Gabeira a Paes durante debate promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão.

Acertou quanto a Paes. Acertou quanto a ele mesmo".

Merval Pereira escreveu que Paes terá que governar ciente de que metade da população carioca se manifestou dizendo que quer um outro jeito de fazer política.


Eu sempre fui contra a obrigatoriedade do voto. Voto é direito, não obrigação. E concordo com Herbert Vianna quando compôs a letra da canção dos anos 1990 – e ainda atual – “Luís Inácio (300 picaretas): ”Eu me vali deste discurso panfletário, mas a minha burrice faz aniversário ao permitir que num país como o Brasil ainda se obrigue a votar por qualquer trocado, por um par de sapatos, por um saco de farinha, a nossa imensa massa de iletrados”. A propósito, o escritor João Ubaldo Ribeiro publicou, em 5/10, interessante artigo no O Globo criticando a obrigatoriedade do voto, intitulado “Vamos cumprir essa formalidade”.

Dito isso, devo confessar que senti uma dor no peito quando vi o número de abstenções. Apesar de o voto ser obrigatório, no Rio as abstenções chegaram perto de um milhão. Só na Zona Sul, reduto eleitoral onde Gabeira deu uma banho de votos em Paes, foram 158 mil ausências. E no cidade toda, Paes ganhou por uma margem de apenas 55 mil votos. Ou seja, o resultado da eleição mais disputada que o Rio já viu poderia ter sido diferente. Mas a vida não é feita de “E se...”. Não foi. E ponto. Vamos lá, Gabeira Senador em 2010.

Já tivemos coisa muito, mas muito pior por aqui do que o Eduardo Paes. Acho que o problema maior de Paes está no “a qualquer preço”. Ou seja, nas alianças espúrias que fez, essas sim, com uma corja de políticos para os quais a gente precisa tapar o nariz quando se aproximam. Paes também é um sujeito ambicioso, que muda de partido (e de idéia) como sua mulher (que afirmou, em entrevista, não ler jornais) troca de vestidos. E hoje bajula quem outrora criticou. Aliás, esta é uma velha e asquerosa prática da política, essa coisa muito suja, como disse Dona Marta Suplicy.


Paes irá governar uma Cidade Partida (leiam o livro homônimo de Zuenir Ventura). Vou torcer para que, apesar de tudo, ele faça uma boa administração, porque o Rio precisa e muito. Mas estou certo de com Gabeira seria beeemmm melhor.

Arthur Dapieve sintetizou : "O Rio deu bobeira". A rima é fácil de completar.

domingo, 19 de outubro de 2008

Sexo, drogas & política

A sexóloga Marta Suplicy sempre se promoveu como gay friendly e trabalhou em favor das causas homossexuais, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Até aí, méritos a ela. Concordamos. Também sou simpático às causas e totalmente a favor do casamento entre duas pessoas que se amam. Se são ou não do mesmo sexo, é irrelevante.

Mas um dia a casa cai. Aliás, um dia tudo cai, já que a lei da gravidade é inclemente: peitos, bundas, bolsas de valores, tudo despenca. Máscaras também caem. Nesse caso específico, foi um pré-sal inteiro de pancake.

No desespero de angariar votos na corrida à prefeitura de São Paulo, na qual encontra-se cerca de 17 pontos percentuais atrás do adversário Gilberto Kassab, Marta Suplicy foi mal assessorada e fez um papelão. Sua campanha fez circular panfletos que ao final perguntavam ao eleitor se ele realmente conhecia o candidato Kassab e se sabia se ele era casado e tinha filhos.

As perguntas foram interpretadas como insinuação acerca de uma suposta homossexualidade de Kassab. Independente disso, partir para ataques pessoais é um velho vício da política brasileira que nós eleitores temos que repudiar de forma veemente. Não importa se Kassab, ou se qualquer candidato a qualquer cargo eletivo, é homossexual, se é solteiro, casado, divorciado, viúvo, se tem filhos, se são adotados. Não é isso que deve balizar a nossa escolha democrática.

Depois que os panfletos foram duramente criticados, Marta foi a público dizer que é uma vítima. E que a política é “uma coisa muito suja”. Ora, francamente. Essa foi mais uma das suas gafes (lembra do “relaxa e goza” em plena crise aérea?). E se a política é mesmo muito suja, é justamente – mas não só – por atitudes como essa.

Se o candidato é gay ou não, o Gilberto é que sabe.

Eu sou carioca, logo, tenho que me preocupar mais com o meu curral (opa!) eleitoral. No balneário, também se vê muita sujeira, não apenas na Baía de Guanabara, mas na política.

Como todo mundo sabe, Gabeira participou, há décadas, do seqüestro do embaixador americano que acabou trocado por presos políticos. Dentre os libertados estava Vladimir Palmeira. Apesar de dever a vida à Gabeira e seus companheiros de ação, Palmeira declarou apoio à candidatura de Eduardo Paes. O ministro do Meio Ambiente e dos coletes, Carlos Minc, foi co-fundador do Partido Verde junto com Gabeira e ambos sempre tiveram uma linha ideológica muito parelha. Mas eis que Minc também aderiu à candidatura Paes. Vai entender, são coisas da política, essa atividade muito suja, segundo dona Marta.

O debate na última semana girou em torno das drogas. Aliás, faz tempo que esse é um assunto em pauta no Rio. As perguntas foram aquelas enfadonhas para saber se os candidatos já fumaram, se tragaram, se gostaram. Virou um clássico em todas as campanhas aqui e alhures. A resposta mais engraçada continua sendo a de Bill Clinton (“fumei, mas não traguei”). Por que será que ninguém pergunta aos candidatos se cheiram, se bebem, se mentem? Ah, saudoso Tim Maia... (“Não bebo, não fumo, não cheiro, mas, às vezes, eu minto um pouco”.)

Como todos também sabem, Gabeira já fumou muito e defendeu a descriminalização da cannabis sativa. Causou certa surpresa o candidato Eduardo Paes assumir que já fumou e não gostou, embora isso não fosse uma novidade. Ele próprio já falou disso há vários anos, em outra vez que foi candidato.

O mais importante é que, felizmente, nenhum dos dois candidatos é toxicômano a ponto de comprometer seu discernimento e sua capacidade administrativa.

Eu discordo de muitas opiniões do jornalista Jorge Bastos Moreno, de O Globo. Mas reconheço que, na coluna de ontem, ele mandou bem ao escrever que “o eleitor sabe que tudo isso é bobagem. Vejam o caso do atual prefeito, que não fuma, não bebe, não cheira, não rouba e nem trabalha. Mas vive doidão”.
Para concluir, registro que acho política uma droga e que a minha versão favorita do célebre trinômio que inspirou o título deste texto é sexo, mais sexo e rock’n’roll.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A sunga estúpida

Já que na postagem anterior, falamos em marketing, política e estupidez (trio que, muitas vezes, caminha de mãos dadas), como é que o candidato a prefeito do Rio, Fernando Gabeira, se deixa fotografar na manhã seguinte ao primeiro turno das eleições, de sunga ou enrolado numa toalha vermelha?!

Ok, nadar é um hábito saudável e a descontração do candidato é a cara do Rio. Mas assim fica mais difícil para ele, que tem no currículo a célebre sunga de crochê dos anos 1980, conquistar os votos do eleitorado mais conservador.

Em respeito aos leitores deste blog, decidi não publicar foto do candidato de sunga. Até porque ninguém merece.