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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Homem de visão

Copacabana é um bairro chacoalhado de turistas, todos sabem. Ainda mais nesta época do ano quando multidões chegam em busca de belas paisagens, diversão, sexo e desse sol hostil.


Eu caminhava pela orla tentando impressionar nórdicas desavisadas com minha camiseta autopromocional, onde se lê “Cariocas do it better”. Não que eu venda, alugue ou faça leasing do meu corpo, até porque já estou meio gasto. Mas, enfim, ainda dou minhas cacetadas, como se diz em linguagem chula.

Até que me deparei com um senhor sentado com uma placa pendurada no peito, onde estava escrito em português-english: “I’m blind and diabetic. Please help me”. Ou seja, esmolante bilíngue, usando o indefectível apelo emocional. Aceita real, dólar, euro, peso, yen e em breve, muito em breve, presumo que Visa, Mastercard e Amex.

É dele o prêmio Marketing Best.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Mutley Marketing


Era uma linda manhã de chuva e eu dirigia para o trabalho. O carro à minha frente trazia adesivos no vidro traseiro que me fizeram querer pará-lo e oferecer meus préstimos em consultoria de marketing.

O nome da empresa estava escrito com letras alternadas em laranja e marinho e não consegui identificar duas vogais na cor escura. O que li era “Podot?n?”.

Abaixo, enorme, havia um adesivo do Mutley igual a este que ilustra este texto. Mutley é o cachorro crápula e cínico, de risada inconfundível, que acompanha resmungando o personagem Dick Vigarista. Ou seja, o mascote “perfeito” para passar uma imagem de confiança, de credibilidade, ao cliente.

Pensei tratar-se de uma pet shop ou algo assim. Mas não. Era uma empresa que comercializa produtos para podologia! Você confiaria a ela seus pés?

Depois dos três telefones para contato, vinha o e-mail, com duas iniciais e o sobrenome “mosqueira”. Amigo, você está comendo mosca...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

É o marketing, estúpido!


No debate de ontem à noite entre os candidatos à presidência dos EUA John McCain e Barack Obama , em determinado momento, o primeiro referiu-se ao segundo como “Aquele lá”. O termo gerou polêmica por considerado depreciativo, desrespeitoso e, para alguns, até mesmo racista.

Horas depois, o site http://www.thatone08.com/ já vendia camisetas pretas e brancas com o símbolo da campanha democrata a US$ 15,95, nos tamanhos P, M, G e GG, além de quatro modelos infantis. Há ainda versões estampadas com uma foto em preto e branco de Obama e a frase polêmica em vermelho e outra com uma imagem de McCain apontando o dedo, sob a legenda "Aquele lá".
Isso é que é senso de oportunidade! McCain deu um passe digno de Toninho Cerezzo para Paolo Rossi (Brasil vs Itália, Copa de 1982) e a turma do Oba-Obama só teve que tocar para o gol.
Em 1992, James Carville, o marqueteiro de Bill Clinton, cunhou o bordão "É a economia, estúpido" para dizer o que realmente pesa em uma eleição. Cabe aqui a paródia: É o marketing, estúpido!