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domingo, 13 de setembro de 2009

Cansado de gostar



Costumo ir à praia pedalando e não me canso de admirar a beleza da Lagoa e da orla Arpoador-Ipanema-Leblon. Sempre penso: o Rio é bonito pra cacete!

Hoje, na volta da praia, uns idiotas haviam estacionado dois carros bloqueando a ciclovia no Jardim de Alah. Tive vontade de deixar seus carros arranhados à chave com a palavra “ciclovia” para que aprendessem a respeitar. Mas respirei, contei até dez, xinguei-os e segui adiante, desviando. Mas outros ciclistas não foram tão tolerantes e fizeram pequenos arranhões e amassos nos veículos estacionados em local proibido.

Ao chegar na Lagoa, encontro uma adolescente aos prantos, recém-assaltada, sendo consolada por uma senhora.

Mais adiante, já próximo ao Rebouças, passa um ônibus lotado, com alguns rapazes com o torso estendido para fora das janelas. Um deles diverte-se apontado o braço para os pedestres e imitando o som e o movimento de tiros. Outro, fica “apenas” xingando as pessoas nas ruas.

Ai, ai. Civilização e barbárie. O Rio já não é mais tão bonito.

E para mim não funcionam os versos da música popular, gravada pelo grupo Calcinha Preta, sucesso na trilha da última novela das nove: “Você não vale nada, mas eu gosto de você!”.

Cansa gostar de quem não vale.

domingo, 1 de março de 2009

Aquele abraço

Praia de Ipanema, Rio. Foto: Leandro Wirz



Hoje, primeiro de março, o Rio de Janeiro completa 444 anos. Fundada por Estácio de Sá em meio à guerra entre portugueses versus franceses e seus aliados índios, entre os morros Pão de Açúcar e Cara de Cão, a cidade perdeu muito do açúcar e está mais com a cara do Cão.

Ainda assim, apesar dos maus-tratos, do descaso, da deseducação, da ausência de planejamento, da sujeira, da violência, o Rio de Janeiro continua, sim, lindo, como canta a música. Lindo, porém “selvalizado”.

A beleza, mesmo imensa, atenua, mas não elimina as mazelas desta cidade. Sem dúvida, uma das mais bonitas e bárbaras (no mau sentido) do mundo.

Primeiro de março é também o endereço de uma ilha de civilidade no Rio. Fica na Rua Primeiro de Março, 66, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que desde 1989 oferece aos milhões de visitantes anuais uma programação de altíssima qualidade, diversificada, gratuita ou a preços acessíveis. É um dos lugares que os cariocas devem freqüentar e recomendar aos turistas, e dos quais podem se orgulhar.

Feliz aniversáRio. Ainda há esperança.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Rio de lama e lixo

Grafite em banca de Ipanema. Foto: Leandro Wirz


“Vem chegando o verão...”, cantava Marina Lima naquele hit chiclete de 20 anos atrás. E com ele, um calor desgraçado, o Aedes Egypt e os típicos temporais da estação.

Eu adoro as chuvas fortes do verão, o céu carregado de nuvens de estanho, os trovões roncando assustadores, os raios rasgando a paisagem, o vento forte fazendo barulho nas árvores e rodamoinhos junto ao chão, os cheiros pré e pós chuva, a luz que entra depois do “toró”, parecendo que o mundo passou em um lava-jato e a vista desembaçou.

Claro que não gosto de ruas alagadas, ratos boiando, barracos desabando nas encostas, pessoas desabrigadas, queda de energia, gente ilhada, língua negra de esgoto desembocando direto na praia etc etc . Já perdi o motor de um carro numa enxurrada. Ao tentar atravessar uma poça acelerando forte em marcha reduzida, o motor deu o tal do calço hidráulico e teve que ir para retífica. Também já encarei um arrastão quando fiquei preso em um engarrafamento na Avenida Brasil, causado pela forte chuva.

Esta semana, começaram os temporais no Rio e instalou-se o esperado caos. A despeito das deficiências na limpeza urbana e da falta de manutenção das galerias pluviais, os principais responsáveis por esses transtornos causados pelos temporais somos nós.

Nós é que somos um povinho porco e mal-educado, que tem o péssimo hábito de jogar lixo na rua entupindo os bueiros e de poluir os rios, jogando neles sofás velhos e garrafas pet de plástico. E aí depois, reclamamos das enchentes, como se não tivéssemos nada a ver com isso.