Saca só este flagrante de psicodelismo no bairro da Fonte da Saudade, no Rio. A palavra “rock” grafitada em múltiplas cores no muro e cogus brotando ao sol.
Ao topar com esses cogumelos que nasceram depois de dias de chuva, graças ao adubo das fezes dos cachorros, e não do estrume dos bois, pensei em velhos conhecidos da geração Woodstock-Mauá, bichos-grilo totais, que poriam para tocar um velho vinil prog do Yes e convidariam para o chá das cinco.
Será que a psicodelia dos anos 1965 a 1975 é fonte de saudade para alguém? No Brasil, era tempo de censura, de gente sendo calada e morta nos porões da ditadura militar. Tempo de drogas lisérgicas usadas ingenuamente como forma de abrir canais de percepção e sensibilidade. Por outro lado, era um tempo de liberação sexual, de luta por igualdades de direitos para mulheres, negros, homossexuais e tempo de rock do bom. Para mim, era ainda tempo da infância brincando com os primos no quintal da Vó.
Depois eu cresci um pouco e sonhei tocar como Hendrix:
“Not necessarily stone, but beautiful”.
domingo, 5 de abril de 2009
Psicodelismo na Fonte
sábado, 4 de abril de 2009
Os caras e Deus
Agora, com o índice de aprovação batendo a casa dos 80% e este aval do Obama, quem vai segurar a onda (ou seria a marolinha) do Lula?!
A expressão em inglês que Obama usou foi “He is my man”. E a gente não pode desprezar esse “my” aí. É como se fosse “esse é um dos meus homens, esse trabalha para mim, esse joga no meu time”. Talvez haja uma certa hierarquia implícita. Tipo “conto com esse cara na minha equipe”.
Com esse afago no ego do nosso líder, o espertíssimo Obama cooptou "o cara". Quero crer. Afinal, Barack não ia dar uma de Bush e falar bullshit.
E falando em gente que se acha, “o cara” diria que deus sifu nesta semana. Sim, o deus Maradona desabou do alto do seu ego e da Cordilheira dos Andes ao sofrer uma humilhante goleada de 6 X 1 da Bolívia em La Paz.
Um jornal boliviano estampou na capa no dia seguinte à vitória histórica: “Heresia! Goleamos deus!”
Ok, esse resultado jamais aconteceria se deus ainda jogasse na seleção argentina, e não apenas a treinasse. E também não aconteceria se o jogo tivesse acontecido em condições normais de temperatura, pressão e altitude.
Maradona pagou a língua. No ano passado, quanto a Fifa tentou proibir jogos em cidades com altitudes acima de 2.750 metros, como La Paz e Quito, ele foi ser garoto propaganda de Evo Morales e afirmou que era tranqüilo jogar nas alturas. Sifu.
Mas a gente também sifu. É porque o assunto da semana é a derrota da Argentina e não a vitória do Brasil sobre o Peru. Sob a égide de Dunga, a Seleção continua a apresentar um futebolzinho anão. (Desculpem-me, Mestre, Feliz, Dengoso, Zangado, Atchim e Soneca).
Eu não dou traço
Eu tenho audiência!!!!! Ontem, recebi bem-vindo puxão de orelha de uma leitora ávida. Ela reclamou que já estava mais do que na hora de atualizar este blog, já que ela entra aqui todos os dias, e não vinha encontrando textos novos.
Sorry. Felizmente, sobram idéias. O que falta mesmo é tempo e disposição para o tico e o teco vencerem o cansaço e produzirem estas mal traçadas linhas.
E quanto a vcs, meus outros zilhões de leitores, sigam o exemplo dessa leitora assídua (não, não é a minha mãe) e naveguem com mais freqüência nestas águas. O mar está para peixe.
domingo, 29 de março de 2009
O tubo é minha suíte

Dito isso, comprei um combo mega duplo de pipoca e Coca-cola e fui para a minha sessão da tarde: o documentário Surf Adventures 2. Cinema cheio, com platéia visivelmente formada por iniciados, iniciantes e marias prancha.
No filme, um grupo de surfistas brasileiros, em sua maioria da nova geração, percorre continentes em busca dos melhores picos: vão ao Peru, ao México, ao Chile, à Austrália e ao Taiti. E também surfam no Rio de Janeiro e na pororoca do Rio Araguaia, no Amapá, ao mesmo tempo fascinante com sua longa duração e assustadora com seu ruído e sua água escura. A onda perfeita quando se está sobre ela olhando o rio liso a sua frente. E apavorante quando se cai da prancha e não se vê mais nada.
O documentário era para ser assistido como um grande vídeo-clipe ou um programa do National Geographic ou Discovery Channel. As tomadas aquáticas e as paisagens mostradas são belíssimas. Lugares incríveis, ondas excepcionais. Mas neste segundo filme, erraram a mão. A trilha sonora não é das melhores, salvando-se uns solos de guitarra e duas do Bob Marley. Tem muita música nacional ruim, exceção feita a uma boa versão de Maracatu Atômico.
Rechearam as cenas que realmente interessam com muita conversa entre os surfistas. Aí, vira praticamente uma comédia. Ao descrever a performance de dois colegas, um surfista expressa-se de maneira rudimentar e onomatopéica: “Ele desce a onda assim, buom-buom-buom e o outro já faz assim, tim-tim-tim”. Entendeu?
Noutra cena, o cara manda essa: “O tubo é minha suíte presidencial”. Surreal. E tem o surfista que elogia o bairro carioca onde ele pega onda e emenda dizendo que, por isso, perdeu o medo de espíritos. Hã? Desculpa, mas acho que tomei um caldo e não acompanhei o raciocino.
Saí do filme com a impressão de que ele reforça o preconceito contra os surfistas. O mesmo do qual padecem as louras. Eles parecem bem melhores enfrentando com bravura as maiores ondas do que tentando estabelecer um diálogo “irado”. E eu daqui da areia sigo invejando-os exclusivamente pelo que são capazes de fazer dentro d´água.
sábado, 28 de março de 2009
Loura crise louca

Lula soltou a asneira diante do primeiro ministro inglês, Gordon Brown, que ouvia boquiaberto. Como escreveu o Gerald Thomas, o constrangimento pela grosseria não foi maior porque ele não se chama Gordon White.
Recebi e-mails e mensagens com gozações de amigos estrangeiros. Eles riam. Eu chorava. O presidente é do meu país, não do deles.
Lula enfim achou um louro expiatório. Já que a tal da marolinha virou ondão, o presidente culpou os parafinados surfistas do caos.
O fato é que as louras entraram em crise, ao saberem que a crise é culpa delas. “Como assim?!”, perguntaram-se aflitas.
No O Globo, edição de hoje, a página móvel Logo, intitulada “Lula e os branqueiros” traz uma série de piadas e trocadilhos a respeito de mais esta bola fora. “E os banqueiros do mercado negro, como é que ficam?” ou “Há brancos e brancos, negros e negros. Sávio não é Tita, Obama não é Celso Pitta”.
Enfim, bem informado como é, Lula deve achar que não existem na China, na Índia ou na África nem problemas, nem bancos fazendo operações impróprias com derivativos na ciranda do mercado financeiro.
Lula quis dizer que a crise foi originada no Primeiro Mundo. OK, é verdade. Mas é igualmente verdade que há um milhão de maneiras mais inteligentes de se fazer essa afirmação do que a escolhida pelo presidente.
Linhas acima eu fiz uma generalização, brincando com as louras. Aqui cabe humor desse tipo. Em um discurso presidencial, não. Essa metáfora ou simplificação ou generalização que o presidente fez usando uma frase de efeito e apelo popular é, na verdade, um comentário racista. Sim, também há racismo contra aqueles que não são afro-descendentes.
Tenho certeza que o presidente se ofenderia se alguém dissesse que a culpa da crise é dos “paraíbas” ou dos “baianos”, como cariocas e paulistas, respectivamente, referem-se de modo pejorativo aos nordestinos como ele. Da mesma forma seria um absurdo racista se alguém afirmasse que a violência urbana é “coisa de crioulo”, “culpa dos pretos e pobres”.
Lula realmente deveria pensar um pouco antes de cuspir frases para cair no gosto do povo. Recentemente, ao experimentar uma mortadela, declarou que ela iria bem com uma cachaça. Totalmente desnecessário, ainda mais vindo de um presidente da república. Poderia ter elogiado a mortadela. E ponto. Aliás, se Lula mantivesse a boca mais ocupada com mortadela, não falaria essas bobagens, nem sobre a cachaça (que é branquinha), nem sobre a crise (que não tem apenas olhos azuis).
Mas não é só o Lula que faz vergonha. Luciana Cardoso, filha do ex-presidente FHC, e funcionária do gabinete do senador Heráclito Fortes, disse à Folha de S.Paulo que trabalha em casa, que “aquele Senado é uma bagunça” e que não sabe dizer se recebeu ou não horas extras em janeiro, quando o Senado estava em recesso.
Enfim, a gente tem duas opções. Ou age como avestruz e enfia a cara num buraco de tanta vergonha ou a gente bota a boca no mundo e grita para que as coisas nesse País melhorem.
Apague a luz pra eu te ver melhor
É hoje.
Das 20h30 às 21h30, apague a luz.
Acenda uma vela.
(Mas não segure vela para ninguém.)
O meio-ambiente e os meio românticos agradecem.
Ainda sobre banheiros...

Mas essas duas imagens merecem comentários. A primeira, bem antipática na porta de um bar em Roma, avisa que ali é um pub e não um banheiro público. Em outros países, é mais comum que os banheiros dos bares e restaurantes sejam usados exclusivamente por clientes. Ainda assim, ninguém sai fazendo xixi na rua.
O cartunista Ziraldo criou um “urinódromo” ou “mijódromo” que iria apresentar à Prefeitura do Rio de Janeiro para tentar educar os foliões mijões. Trata-se de uma tapadeira e um muro de azulejo, com uma caneleta, por onde correm água e creolina o tempo todo. Disse que se inspirou em algo semelhante que viu em Bruxelas.
Aqui, temos mais estabelecimentos comerciais que são “pipi friendly” (êta, expressão ridícula!). Eu mesmo já corri da praia e recorri diversas vezes aos préstimos do Garota de Ipanema.
Já para o xixi dos cachorros (do meu inclusive), haja canteiro, poste, árvore, pneu de carro, quina de muro. As fezes a gente coleta, mas a urina fica lá mesmo, pegando sol e levantando cheiro.
Daí que uma florista em Copacabana colocou a outra placa que ilustra este texto, em português claríssimo e pouco sutil. Está certa. Quem vai comprar uma planta que já vem “batizada?”
terça-feira, 24 de março de 2009
Onde é o banheiro?

“Onde é o banheiro?”. Esta sim é a pergunta crucial e não apenas na hora do aperto, quando você se arrepende de ter almoçado feijão com omelete de repolho ou sua bexiga parece querer explodir depois do 15º chopp. Aliás, por que, quando a gente está bebendo cerveja, consegue segurar tanto a primeira ida ao banheiro, mas depois tem que voltar em intervalos curtíssimos?
“Onde é o banheiro?” é a grande questão recorrente. Neste momento exato, milhões - quiçá bilhões - de pessoas estão por aí indagando. Independentemente do fato de terem, ou não, só m... na cabeça.
“Onde é o banheiro?” está mais na boca do povo do que qualquer outra, embora não conste de nenhuma relação de Perguntas Mais Freqüentes (FAQ, na sigla em inglês) que a gente encontra nos sites das empresas.
Esqueça as questões que te atormentavam antes: “Deus existe?”, “Qual o sentido da vida?”, “Quais os números da Mega-sena?”, "Quanto custa?", “Quer casar comigo?”, “Será que ele gosta de mim?”, "Você me ama?" "Estou gorda?", “Foi bom pra você?” (Até porque, se foi mesmo bom, é bom que você tenha percebido e não faça jamais esta pergunta infame!).
Você já perguntou “onde é o banheiro?” hoje?
sábado, 21 de março de 2009
Telecatch

Nos últimos tempos, dois casos de barracos entre celebridades invadiram a mídia. Primeiro, Dado Dolabella agrediu Luana Piovani e uma assessora dela. Neste ano, na véspera da entrega do Grammy, o rapper Chris Brown agrediu sua namorada, a cantora Rihanna.
Homem bater em mulher é uma atitude injustificável. A recíproca é verdadeira, meninas. Por mais que o(a) outro(a) vacile, pise na bola, provoque, irrite, não é para você resolver as diferenças com seu(sua) namorado(a) na base da porrada.
Deu no New York Times que, em recente pesquisa feita pela Comissão de Saúde Pública de Boston, com 200 jovens, 46% disseram que Rihanna foi culpada e 52% que ambos foram.
Caramba! O que é essa molecada tem na cabeça?! Que distorção! A culpa é da agredida!!? Isso sim é preocupante! A responsabilidade passa a ser da vítima e não do criminoso??!! Esta é uma perigosa inversão de valores.
Hematomas curados, dizem os jornais que Rihanna reconciliou-se com Brown, o que considero decepcionante. É não dar-se ao respeito.
Nunca admirei Dado, nem como artista (sic), muito menos como pessoa. Admiro bastante a Luana Piovani, mas não exatamente por seus dotes artísticos ou intelectuais, se é que me entendem.
Ainda assim, achei um exagero a prisão de Dado nesta semana, porque ele esteve no camarote da cervejaria no Carnaval, desrespeitando a distância regulamentar que a Justiça o obriga a ficar longe de Luana. Ora, se a coisa fosse séria, que o prendessem lá, naquela noite, quando presumidamente, ele poderia oferecer algum perigo. Mas fazer isso semanas depois, beira o ridículo.
Mas o ridículo maior veio depois. Na noite da prisão, vi o apresentador João Gordo, da MTV, antigo desafeto de Dado, rir e perguntar se Dado não estaria “dando o rabinho” na prisão. Que postura mais agressiva, preconceituosa, grotesca. Muito escroto.
Na seqüência do circo dos horrores, estão à venda na internet camisetas que polarizam a questão entre Dado e Luana. Numa, a imagem de Dado fazendo com as mãos o símbolo da pomba da paz, traz escrito, em inglês (!!?), “Not guilty. Dado rocks”. Na camiseta que se posiciona do outro lado do ringue, aparece Luana de coroa de rainha, com o texto também em nossa língua nativa, o inglês: “Be Luana. Be glam...”
Eu encerro por aqui, porque preciso ir correndo vomitar...
E então, fez-se luz...

Uma amiga, na casa dos 50, me confidenciou, dia desses, que começa a se sentir feia, velha, desinteressante, embora eu lhes assegure que ela não é nada disso.
Talvez o caminho para ela seja encontrar Jesus. Não a luz. Mas o Luz. Seguindo o exemplo da cinquentona Madonna, ela deveria se divertir com um jovem rapaz, para perceber que ainda está com tudo em cima e é uma mulher atraente. Deve fazer isso, claro, sem cometer os mesmos equívocos da atriz, auto-proclamada estrela, Suzana Vieira, que fica com homens mais jovens e acha que é mais jovem do que eles.
Li que o bonitão Jesus Luz disse que agora que está no Brasil e seus passos mais irrelevantes estão nas colunas, tem muita gente querendo se promover às custas dele. Fala sério, merece comentário?!
Ele foi flagrado passeando com uma morenaça essa semana, a foto saiu publicada no jornal inglês The Sun, e o Ancelmo Góis temeu que o rapaz estivesse colocando o emprego em risco.
Não creio. Acho que é esperto mesmo. A Madonna deve ter se cansado de seu brinquedo novo e despachou o toy boy de volta ao Brasil. Daí ele sai com uma morena, deixa-se fotografar, e a mídia marrom internacional especula que o affair com a Madonna terminou por conta dessa pulada de cerca do moço.
Para não ficar por baixo, o malandro dá a entender que é, não só o cara que comeu a Madonna, mas também o cara que corneou a Madonna. Sabe tudo de auto-promoção.
A cantora Ana Carolina, que sonha só comer a Madonna, deve se rasgar de inveja. Eu te entendo, Ana.
ps.: Claro que a imagem que ilustra este post é da Madonna. Você não esperava mesmo que eu fosse colocar uma foto dele, né?

