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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sexo e obeliscos

Obelisco em Buenos Aires. Foto: Leandro Wirz


Maradona, ex-gênio e atual técnico da seleção argentina, declarou que seus jogadores estão liberados para fazer sexo (desde que com as respectivas parceiras fixas, ressaltou), beber um pouco de vinho tinto e comer um doce durante o período de concentração da Copa.


Dunga, o nosso técnico, com sua inata verve humorística, ironizou e disse que “nem todo mundo gosta de sexo, de vinho e de sorvete.” É verdade. Tem gente que prefere, nas horas vagas, a Branca de Neve, a Bíblia, e o Xbox ou o Wii. Tem gente que prefere cuscuz, patrocinadora Brahma, geléia de mocotó.

Taí. Nisso, eu concordo com o Dunga. Gosto é que nem...Cada um tem as suas preferências. Mas, neste caso, as minhas são totalmente argentinas.


A declaração do Dunga pode ser uma pista para justificar porque ele não convocou o Ganso. É que não gosta muito de afogá-lo. Piadinha horrível essa, né? Bem, só espero que o destino não seja irônico e o Dunga não tenha uma infecção alimentar por comer patê de foie gras.

Mudando de anão, voltemos ao Maradona. Ele prometeu que se a Argentina for campeã, ficará nu em pleno obelisco da Avenida Nove de Julio, um dos marcos de Buenos Aires. Faltou saber se vai ser no chão, ou lá no alto do obelisco. E, se for lá em cima, Maradona, pode ser nu e empalado?

Eu já era a favor da demolição do obelisco que o ex-alcaide César Maia erigiu em Ipanema. Agora, então, torço para que seja derrubado imediatamente. Vai que o Dunga resolve ficar peladão por aqui?

sábado, 4 de abril de 2009

Os caras e Deus

Estêncil em muro de Buenos Aires. Foto: Leandro Wirz

Barack foi pro buraco. O homem despencou no meu conceito. Tudo porque afirmou na reunião do G-20 que “Lula é o cara, é o político mais popular da Terra”. E eu que sempre pensei que O Cara fosse o Romário!

Agora, com o índice de aprovação batendo a casa dos 80% e este aval do Obama, quem vai segurar a onda (ou seria a marolinha) do Lula?!

A expressão em inglês que Obama usou foi “He is my man”. E a gente não pode desprezar esse “my” aí. É como se fosse “esse é um dos meus homens, esse trabalha para mim, esse joga no meu time”. Talvez haja uma certa hierarquia implícita. Tipo “conto com esse cara na minha equipe”.

Com esse afago no ego do nosso líder, o espertíssimo Obama cooptou "o cara". Quero crer. Afinal, Barack não ia dar uma de Bush e falar bullshit.

E falando em gente que se acha, “o cara” diria que deus sifu nesta semana. Sim, o deus Maradona desabou do alto do seu ego e da Cordilheira dos Andes ao sofrer uma humilhante goleada de 6 X 1 da Bolívia em La Paz.

Um jornal boliviano estampou na capa no dia seguinte à vitória histórica: “Heresia! Goleamos deus!”

Ok, esse resultado jamais aconteceria se deus ainda jogasse na seleção argentina, e não apenas a treinasse. E também não aconteceria se o jogo tivesse acontecido em condições normais de temperatura, pressão e altitude.
Em respeito aos que sofrem os efeitos devastadores do vício e tentando dar um drible de canhota no óbvio, vou resistir a fazer gracejos relacionando Maradona e o principal produto de exportação da Bolívia.

Maradona pagou a língua. No ano passado, quanto a Fifa tentou proibir jogos em cidades com altitudes acima de 2.750 metros, como La Paz e Quito, ele foi ser garoto propaganda de Evo Morales e afirmou que era tranqüilo jogar nas alturas. Sifu.

Mas a gente também sifu. É porque o assunto da semana é a derrota da Argentina e não a vitória do Brasil sobre o Peru. Sob a égide de Dunga, a Seleção continua a apresentar um futebolzinho anão. (Desculpem-me, Mestre, Feliz, Dengoso, Zangado, Atchim e Soneca).

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

La Marra

La Bombonera. Foto: Leandro Wirz


Sou carioca e flamenguista, dois atributos – ou melhor, duas virtudes – que me tornam marrento. Mas mesmo marrento, sei reconhecer meu lugar. Sou mero aprendiz. Existem marrentos muito mais adoráveis do que eu: Romário, Liam Gallagher, Prince e até o marrento-bufão Túlio Maravilha. E outros mais marrentos, mas nem tão adoráveis: Ed Motta, Nelson Piquet, Edmundo.

Recentemente, fiz a peregrinação à Catedral da Marra. Claro, fica na Argentina. Você conhece povo mais marrento? Se você comprar na Bolsa um argentino por quanto ele vale e conseguir revender pelo valor que ele acha que vale, não há crise econômica mundial. Não há Dow Jones ou Ibovespa que segure. É investimento de lucro certo.

Use seu Google Maps e vá aproximando a imagem. Argentina, Buenos Aires, La Boca, La Bombonera. Chegamos. Ninguém é mais marrento nesse mundo do que um argentino residente no bairro de La Boca e torcedor do Boca Juniors. La Boca é como Belém para os católicos. Deus veio de lá. Pelo menos, o deus deles.

La Bombonera, o estádio do Boca, faz nossos alçapões parecerem hospitaleiros campos neutros. O time visitante já começa perdendo. Enquanto o time da casa entra em campo por uma – com trocadilho – boca grande, o túnel do time de fora é um corredor estreito e opressivo. O gramado tem as menores dimensões oficiais possíveis e as arquibancadas são extremamente verticalizadas, de forma que a torcida fica assustadoramente próxima dos jogadores adversários. E pode ser bastante “amistosa” com os visitantes. É pressão pura. Bafo quente no cangote.

Os boquenses, claro, arrotam que La Bombonera é a catedral do futebol. Visão tão míope e limitada que soa ridícula, ainda que afirmem que Deus se criou lá. Mas a gente alivia porque sabe como esses argentinos são marrentos. La Bombonera é, na verdade, a catedral da marra.

Camisetas à venda nas lojas de souvenires ao redor dão a dimensão da marra: Numa, lia-se “La Republica Popular de La Boca”, elevando o bairro de origem proletária a uma nação. Ora, amigos, nação, para mim, é a rubro-negra. Que tem mais torcedores do que toda a população da Argentina. (Circulando por Buenos Aires, vi uma mulher com uma similar nacional, embora bairrista e não futebolística. Estava escrito: “Nacionalidade:carioca”). Outro exemplo, ainda mais contundente são camisas na linha “Yo vi D10s”, em um trocadilho visual do número 10, de Maradona, com a palavra Díos. Tem uns malucos fundamentalistas que até fundaram uma religião, o Maradonismo, na qual o marrento-mór Diego Armando é O Próprio. Não dá para levar a sério. Eu nunca vi Deus (nem estou com pressa para isso), mas tenho certeza de que ele não tem a cara do Maradona. Pelas imagens que já vi, Deus parece mais com o Zico.

A solidariedade marrenta me faz simpatizar com o Boca Juniors, o time mais popular (nos dois sentidos) de lá, assim como o Flamengo é o daqui. Além disso, seria impossível eu torcer pelo time da elite de lá, o River Plate, apesar do patrocínio da brasileira Petrobras. É que o uniforme do River traz uma faixa diagonal que sobe da direita para a esquerda. As cores são diferentes, mas já pensou se alguém me vê usando isso e pensa que eu sou torcedor de um time cruz-maltino que vai disputar a Segunda Divisão este ano?! Deus me livre. Além disso, a camisa do River traz nas costas, ali bem juntinho da nuca, a frase “El más grande”. Eu, hem! Esses argentinos...