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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Os meios justificam os fins



Eu juro que acho déjà vu e superada a discussão sobre a Internet suprimir o uso do papel. Claro que houve queda expressiva na circulação impressa de jornais, mas creio estar claro que os dois suportes conviverão sem que o mais recente canibalize o outro totalmente.

Por enquanto, não chegamos a uma solução eletrônica que proporcione o mesmo conforto de leitura que encontramos nos livros e, muito menos, a algo que supra os prazeres tátil e olfativo que o manuseio dos livros proporciona. Mas o Steve Jobs ou o Professor Pardal devem estar trabalhando nisso neste instante.

Ainda há também um certo preconceito contra os e-escritores, como se o suporte em papel legitimasse o conteúdo. Como se aquilo que é realmente bom virasse livro, e fosse o que torna alguém um escritor. O território livre da web ainda é, para alguns, um paiol de bobagens voando a esmo.

Eu já publiquei cinco livros de poesia e não descarto outros, óbvio. Mas também gosto muito do esquema de produção ágil e do retorno rápido dos leitores que a Internet possibilita. E não considero o que escrevo aqui, no ambiente virtual, menor do que aquilo que escrevi em qualquer dos livros. Acho até que, neles, escrevi muita besteira. Além disso, há tantos talentos que só escrevem na Internet e que talvez nunca tenham seus nomes numa lombada de capa na sua estante.

De qualquer modo, há o caminho do meio. Com trocadilho, achei bem bacana essa ideia de juntar os meios. O romance policial “Grau 26 – A origem do mal”, de Anthony Zuiker foi lançado recentemente nos EUA e chegará ao Brasil em novembro pela Record.

A cada 15 ou 20 páginas, o leitor é convidado a entrar num site para assistir a um filminho de minutos no qual a trama avança com atores representando personagens do livro. Ou seja, parte da história está no papel e outra parte na Internet, dialogando entre si.

A propósito, hoje, começa a Bienal do Livro. Tempo de ir ao Riocentro e se enroscar nos livros fartos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Almoço livros



Eu sou chato por várias razões. Por várias virginianas manias. Como deseducadamente rápido e aproveito o restante do horário de almoço para andar por aí, flanar mesmo. Quando o sol escalda minha careca, eu me refugio nalguma livraria. Não vou dizer que sou rato de livraria, porque ratos são nojentos.

Mas eu fico por lá, fuçando entre prateleiras, mesas, balcões. Olho, pego, cheiro, folheio. Orelhas me seduzem facilmente. Quero comprar vários, mas a voz da razão me faz pensar na fatura do cartão e nos livros que já tenho e que estão amargando a fila para que eu os leia. Tenho mais livros do que dou conta de ler.

Freio meu impulso consumista. Mas permaneço ali, meio atônito por não conseguir acompanhar tudo que há e por não conseguir guardar, ao menos na memória, nem a metade do que eu gostaria.

Meu fascínio mesmo é por capas e títulos. Deve ser vício de publicitário, sempre atento ao primeiro impacto vendedor. Na rodada de hoje, dois livros me chamaram a atenção.

“São Diabo” tem uma foto de capa linda e perturbadora. É inquietante ver os pés femininos elevando-se sobre o que parece ser um muro. A impressão é que ela está naquele momento limite em que, puxada por uma corda presa ao seu pescoço, seus pés deixarão de tocar a base e ela será enforcada. A antítese do título também é provocadora, destrói o maniqueísmo e as fronteiras entre bem e mal.

"São Diabo" reúne uma coleção de personagens insólitos e intensos, mergulhados em situações tragicômicas, que oscilam entre a razão e o devaneio, o bem e o mal. Com ele, Manfredo Kempff nos mostra um mundo cheio de contrastes mágicos e, ao mesmo tempo, terrivelmente real." (sinopse extraída do site da livraria Siciliano)

O outro livro (edição em dois tomos) me atraiu pela inversão do título: “A volta ao dia em 80 mundos”, de Júlio Cortazar. A edição é bem feia, mas pela sinopse (confira a seguir), a leitura é bem interessante. O conteúdo tem várias semelhanças com os de um blog miscelânea.

Pela primeira vez publicado no Brasil, A volta ao dia em 80 mundos representa uma nova forma de fazer literatura na América Latina. Dividido em dois volumes, rompe com o modelo clássico de narrativa e apresentam ao leitor uma coletânea de citações, recortes de jornais, ensaios, contos, poemas e comentários alternados com ilustrações e fotografias que tratam de temas diversos como boxe, política, novas técnicas culinárias, Paris, sadismo, entre outros. Os textos, valorizados pela primorosa tradução de Ari Roitman, foram reunidos numa edição que respeitam os formatos originais dos livros, tal como foram pensados pelo autor. Certamente irão se tornar obras fundamentais na coleção de qualquer admirador de literatura.” (sinopse extraída do site da livraria Siciliano)