Mostrando postagens com marcador chuva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador chuva. Mostrar todas as postagens

sábado, 2 de abril de 2011

Cão de capa

                                                                        Reef


Nosso cachorro tem pêlos longos. Daí que quando chove, a gente bota uma capa nele na hora de passear. Porque com qualquer tempo lá fora, ele tem que sair para as necessidades. Detesto frescuras em cachorros, fico envergonhado de sair com ele encapado, embora as mulheres digam “ai, que fofo!”. Referindo-se a ele, claro. E fofo é uma das piores coisas que uma mulher pode dizer de um homem.


A capa se justifica porque mesmo com todo amor e fidelidade canina (falo da minha para com ele), murrinha de cachorro molhado não dá. Enfim, não é a única ocasião em que me sinto meio ridículo, então vamos em frente, rua após rua.

Nessas noites chuvosas, o que me incomoda mesmo são os sem-teto preparando suas camas de papelão e usando cobertores de plástico e trapos. Certa vez, uma dessas pessoas disse-nos: “Pô, esse aí tá melhor que eu.”

Incomodou muito o fato de ele ter razão. Menos pela capa e mais pelo cão ter um lar amoroso e o cara da rua não.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

SDS BSB

Foto: Giscard (picasa)




Então ele disse:
- Não posso falar agora.
- Mas vc atendeu ao celular...
- Só pra te dizer que não posso agora.
- Eu só queria te avisar pra vc ler logo um e-mail que eu te mandei.
- Agora não dá. Mais tarde.
- Tá tudo bem? Que que tá acontecendo?
- Tá chovendo.

Aí me caiu a ficha, como um raio na cabeça: estava chovendo em Brasília. Depois de seis meses sem cair uma gota, desaba aquele temporal maravilhoso que lava a cidade, a garganta e a alma, tudo ao mesmo tempo. Quem vive ou já viveu em Brasília sabe o que é essa sensação.
O céu, que de maio a setembro foi uma redoma azul sobre nossas cabeças e proporcionou os mais lindos pores-do-sol, torna-se cinza chumbo e feroz. A gente vê os raios distantes e a chuva vindo em cascata do horizonte. A terra, que arde vermelha com os últimos fiapos resistentes de grama, solta aquele cheiro de terra molhada que não tem igual. E o Eixão, a L2 e a W3 ganham a espuma do óleo que sobe do asfalto. E parece que todo mundo suspira aliviado nas entrequadras.

Meu amigo tem toda razão. A primeira chuva em Brasília justifica sustar qualquer urgência. O mundo que pare, eu não tô nem aí. O melhor mesmo é só olhar a chuva. E ouvi-la. E cheirá-la. E deixar-se molhar, corpo e (c)alma.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Chuva de segunda


Cariocas vestimos casaco quando chove e a temperatura fica abaixo dos 20ºC. Curioso que, para combinar com clima “londrino”, somos tomados por um súbito mood melancólico e as FMs infestam o dial de baladinhas lacrimosas, R&B açucarados e aquelas versões voz & violão. Nada de música dançante, temas alegres, canções de verão. Parece que todo mundo sofre por amor ou quer conquistar alguém ainda indiferente aos seus encantos.

Era segunda-feira de manhã, choviam cântaros e eu seguia para o trabalho. Difícil manter o bom-humor nessas condições. Olhava as pessoas se encolhendo de frio sob os casacos recém resgatados do fundo do armário. Por mais que eu sintonizasse outra estação, parecia que continuava ouvindo aquele programa clássico de flashbacks, o Good Times, da Rádio 98 FM, que eu nem sei se ainda existe. Estava vendo (ou ouvindo) a hora em que o locutor ia começar a tradução “dramatizada” da música romântica daquela noite. No meu tempo de adolescente, a gente chamava todas essas canções de “música lenta”. Nas matinês ou nas boates elas eram o aguardado momento de vencer a timidez para tirar a menina para dançar e entre encostos, arrochos e amassos, singelamente, “melar a cueca”. Hoje o que ousadamente fazíamos no escurinho da boate não chocaria nem uma criança.

Enfim, voltemos à chuva. E ao rádio. Eu estava chegando no trabalho quando tocou a baba-mór, aquela que colou como chiclete em todos os ouvidos, que empesteou todo e qualquer luau, toda e qualquer rodinha de violão no início dos anos 1990: “More than words”, do Extreme.

Não finja que não sabe de que música eu estou falando. Ok, se você tem menos de 18, talvez eu acredite que você realmente não conhece essa música. Mas então, você não deveria estar lendo este blog....