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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Homem de visão

Copacabana é um bairro chacoalhado de turistas, todos sabem. Ainda mais nesta época do ano quando multidões chegam em busca de belas paisagens, diversão, sexo e desse sol hostil.


Eu caminhava pela orla tentando impressionar nórdicas desavisadas com minha camiseta autopromocional, onde se lê “Cariocas do it better”. Não que eu venda, alugue ou faça leasing do meu corpo, até porque já estou meio gasto. Mas, enfim, ainda dou minhas cacetadas, como se diz em linguagem chula.

Até que me deparei com um senhor sentado com uma placa pendurada no peito, onde estava escrito em português-english: “I’m blind and diabetic. Please help me”. Ou seja, esmolante bilíngue, usando o indefectível apelo emocional. Aceita real, dólar, euro, peso, yen e em breve, muito em breve, presumo que Visa, Mastercard e Amex.

É dele o prêmio Marketing Best.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Chuva de segunda


Cariocas vestimos casaco quando chove e a temperatura fica abaixo dos 20ºC. Curioso que, para combinar com clima “londrino”, somos tomados por um súbito mood melancólico e as FMs infestam o dial de baladinhas lacrimosas, R&B açucarados e aquelas versões voz & violão. Nada de música dançante, temas alegres, canções de verão. Parece que todo mundo sofre por amor ou quer conquistar alguém ainda indiferente aos seus encantos.

Era segunda-feira de manhã, choviam cântaros e eu seguia para o trabalho. Difícil manter o bom-humor nessas condições. Olhava as pessoas se encolhendo de frio sob os casacos recém resgatados do fundo do armário. Por mais que eu sintonizasse outra estação, parecia que continuava ouvindo aquele programa clássico de flashbacks, o Good Times, da Rádio 98 FM, que eu nem sei se ainda existe. Estava vendo (ou ouvindo) a hora em que o locutor ia começar a tradução “dramatizada” da música romântica daquela noite. No meu tempo de adolescente, a gente chamava todas essas canções de “música lenta”. Nas matinês ou nas boates elas eram o aguardado momento de vencer a timidez para tirar a menina para dançar e entre encostos, arrochos e amassos, singelamente, “melar a cueca”. Hoje o que ousadamente fazíamos no escurinho da boate não chocaria nem uma criança.

Enfim, voltemos à chuva. E ao rádio. Eu estava chegando no trabalho quando tocou a baba-mór, aquela que colou como chiclete em todos os ouvidos, que empesteou todo e qualquer luau, toda e qualquer rodinha de violão no início dos anos 1990: “More than words”, do Extreme.

Não finja que não sabe de que música eu estou falando. Ok, se você tem menos de 18, talvez eu acredite que você realmente não conhece essa música. Mas então, você não deveria estar lendo este blog....