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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Vida de cão




Minha mulher é Diretora de Saúde, Bem-estar & Nutrição. Eu sou o Diretor de Entretenimento & Lazer. Orgulhosamente integramos o staff do Reef, nosso cachorro. Inquestionavelmente, o mais lindo do mundo.

Quando estamos à mesa, fazendo as refeições, lá está ele largadão, confortavelmente deitado ao nosso lado, imerso em seus pensamentos mais profundos que podem ser resumidos em comida, brincadeira, carinho, sono, passeio, necessidades fisiológicas e umas cachorras popozudas.

Eu ando com uma inveja danada (mas do Bem) dele. Tudo é tão simples. Sem maiores preocupações com trabalho, produtividade ou grana, sempre com gente paparicando, e sem nenhuma grande questão filosófica a açoitar a alma.

O uso da expressão “vida de cão” como uma vida árdua, difícil, precisa ser revisto. A gente sabe disso desde o “Rock da Cachorra”, do Eduardo Dusek, nos longínquos anos 1980: “...Tem muita gente por aí que está querendo levar uma vida de cão, eu conheço um garotinho que queria ter nascido pastor alemão...”

Pelo menos a vida dos cachorros da classe média – desde que tratados como cachorros mesmo e não como humanóides ou bibelôs de madame - é um vidão mesmo. Mas nada de lacinho, sapatinho, coleira de ouro, festinha de aniversário.

Só o basicão: ração na tigela e água fresca. E um cafunézinho, que sempre cai bem. Isso e alguém que me leve para passear. Tô precisando de férias.

Ou então vir cachorro na próxima “encadernação”.

sábado, 11 de julho de 2009

Cuidado com o cão




Feliz com o micro novo, puta tela de LCD de 19 polegadas, banda larga de 3 gigas, ela decidiu aproveitar a noite fria e preguiçosa para baixar um filminho na internet.

Escolheu o fofo “Marley & eu”, esperou a conclusão do download, fez pipoca no microondas, ajeitou o ângulo do monitor, fazendo um pequeno calço com uma caixa de Marlboro Light, e estendeu-se embaixo do edredon.

>Play>

Começa com uma paisagem carioca. “Ah, deve ser trailer”, ela pensou, sem pensar muito. A câmera vai se aproximando de um prédio na Glória, atravessa os vidros, penetrando no ambiente, e lá dentro, o que acontece é uma suruba. Nada de papo, claro, só ação.

O filme não era o do célebre cachorro. Era uma produção B com cachorras!

“Meu Deus, será que eu digitei Marlene & eu, Marli & eu, Marley & elas?!” Estava atônita, enquanto, em cena, o pau comia solto. Literalmente. Ela levantou rapidamente – que falta faz um controle remoto para computador! – e derrubou a Coca Zero sobre o edredon.

Não teve coragem para continuar assistindo para ver se na sequencia teria algum sósia bem dotado de Bob Marley. Ou pior: o filme poderia conter alguma cena repulsiva de zoofilia envolvendo um sósia do labrador Marley.

Terá o filme transmitido algum vírus venéreo para seu computador?

Do susto, uma única certeza: renovar imediatamente a carteirinha da locadora, especialmente útil em sábados cinza.