Hoje, Brasília completa 50 anos, infelizmente imersa na lama da corrupção. Mas eu não vou falar da política que mancha a reputação da cidade (“Sou de Brasília, mas sou inocente”, escreveu o poeta Nicolas Behr). Também não vou falar do projeto visionário, e dos gastos faraônicos para sua construção, nem de Juscelino, Niemeyer ou Lúcio Costa.
Vou falar mais baixo. Vou falar apenas da minha relação com a cidade. Morei em Brasília de junho de 1999 a outubro de 2006, anos em que vivi muito intensamente. Tive enormes alegrias e imensas tristezas.
Permaneço um carioca apaixonado por Brasília. E quer saber por quê? A redoma de céu azul, a amplitude, o clima ameno, o pôr-do-sol na seca, os prédios baixos, as entrequadras, as comerciais, a salada de gente de todo lugar do Brasil, o hábito de frequentar a casa uns dos outros, a mistura de ares provincianos e cosmopolitas, o trânsito ainda fácil se comparado ao Rio ou a São Paulo, as ruas pouco esburacadas, os bares, os restaurantes, o Lago, o silêncio, as árvores, o cheiro da terra vermelha e uma lista que se estica em um longo etc.
Claro que Brasília também tem defeitos, problemas, mazelas e que é uma ilha da fantasia com um bolsão de miséria crescendo ao redor. Mas hoje não é dia de falar desses problemas. Hoje, pra mim, é dia de saborear memórias, ao som do rock de lá, especialmente Legião e Capital.
E é dia de pensar, com sincera saudade, nos melhores amigos que fiz em Brasília.
“Carái, véi”, que saudade!
Video de estréia! | 13anosdepois
Há 10 anos

