Outra noite, fui ao aniversário de um grande amigo, praticamente um irmão caçula, numa boate moderninha. Eu e minha mulher fomos recebidos pela hostess, também amiga do aniversariante. Quando soube do motivo de nossa ida ao local, ela se transformou como se tivéssemos apertado um botão. Ficou eufórica, esfuziante, tresloucada, excitadíssima numa vibe exagerada e totalmente diferente da nossa, mais serena. Nos entreolhamos e ficamos parados com cara de paisagem diante da moça que, minutos depois, sossegou a periquita.
Uso esse exemplo extemporâneo para falar do carnaval.
Quando eu era jovem (o que não faz tanto tempo assim) e solteiro (o que faz muito tempo, já que venho emendando longos relacionamentos) eu gostava de carnaval. Naquela época, os hormônios à flor da pele mandavam em mim mais do que mandam hoje e os dias de folia tinham basicamente dois objetivos: ficar doidão, usando aditivos diversos, e beijar na boca até a língua ter cãibra.
Eram outros tempos e não precisava beijar dez, doze, dezenove parceiras numa noite, como a garotada busca fazer hoje, sem sequer saber o nome da dona da língua. Bastava beijar uma mulher por noite porque a meta era trocar amassos fogosos e, com algum talento e sorte, terminar fazendo sexo com aquele amor eterno de uma noite só.
Hoje em dia, os blocos superlotam as ruas e dão um nó no trânsito. Detesto. Não tenho mais vinte anos. Sou ruim da cabeça e doente do pé. Não gosto de samba e bom sujeito não sou.
O que sempre me intrigou no Carnaval carioca e suas variantes baiana ou pernambucana é a euforia despropositada, exagerada, desmedida.
Toca uma musiquinha qualquer, ruim na maioria das vezes, e as pessoas, do nada, começam a quicar e a gritar numa alegria infundada, extrema, sem motivo algum. Como se simplesmente virassem uma chave e agora fosse a hora de celebrar entusiasticamente qualquer coisa super importante da vida.
Vejam bem, não faço apologia da melancolia blasé, que, na pretensão de ser cool, revela, na verdade, afetação. E é igualmente irritante e incoerente. Mas eu nunca consegui – nem nos etílicos carnavais da minha juventude – transformar-me subitamente nesse hiper animado Gremlin às avessas.
Dito isso, meus caros leitores, divirtam-se na folia momesca. Viajo. A gente se fala nas cinzas.
Uso esse exemplo extemporâneo para falar do carnaval.
Quando eu era jovem (o que não faz tanto tempo assim) e solteiro (o que faz muito tempo, já que venho emendando longos relacionamentos) eu gostava de carnaval. Naquela época, os hormônios à flor da pele mandavam em mim mais do que mandam hoje e os dias de folia tinham basicamente dois objetivos: ficar doidão, usando aditivos diversos, e beijar na boca até a língua ter cãibra.
Eram outros tempos e não precisava beijar dez, doze, dezenove parceiras numa noite, como a garotada busca fazer hoje, sem sequer saber o nome da dona da língua. Bastava beijar uma mulher por noite porque a meta era trocar amassos fogosos e, com algum talento e sorte, terminar fazendo sexo com aquele amor eterno de uma noite só.
Hoje em dia, os blocos superlotam as ruas e dão um nó no trânsito. Detesto. Não tenho mais vinte anos. Sou ruim da cabeça e doente do pé. Não gosto de samba e bom sujeito não sou.
O que sempre me intrigou no Carnaval carioca e suas variantes baiana ou pernambucana é a euforia despropositada, exagerada, desmedida.
Toca uma musiquinha qualquer, ruim na maioria das vezes, e as pessoas, do nada, começam a quicar e a gritar numa alegria infundada, extrema, sem motivo algum. Como se simplesmente virassem uma chave e agora fosse a hora de celebrar entusiasticamente qualquer coisa super importante da vida.
Vejam bem, não faço apologia da melancolia blasé, que, na pretensão de ser cool, revela, na verdade, afetação. E é igualmente irritante e incoerente. Mas eu nunca consegui – nem nos etílicos carnavais da minha juventude – transformar-me subitamente nesse hiper animado Gremlin às avessas.
Dito isso, meus caros leitores, divirtam-se na folia momesca. Viajo. A gente se fala nas cinzas.
Ashes to ashes. Dust to dust.

