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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Em vôo

Foto: Leandro Wirz


Tive um dia cansativo e por isso, na viagem de volta, quando passa o serviço de bordo, peço à aeromoça, loura de sorriso artificial e corpo de Barbie, apenas uma cerveja e amendoim. Não me queixo, para a maioria, é muito pior. Uma das moças à minha frente reclama com a colega que, em três anos, só conseguiu quinze dias de férias e que um mês inteiro longe do trabalho é completamente fora de questão. Outro diz ao amigo que está indo ao Rio às 16h e pretende voltar a São Paulo ainda no vôo das 21h.


Minha poltrona é a do corredor, sempre prefiro. Agora deram para cobrar adicional por aquelas cadeiras junto às saídas de emergência, que têm mais espaço para acomodar as pernas. A turma do marketing inventou que são assentos comfort. Com preço plus, claro.

O vôo tem muitos estrangeiros, dois grupos de franceses e americanos. Não vêm a passeio. Business trip. Um dos americanos diz, ironicamente: “we’re clearly in the wrong plane”, queixando-se do apertadíssimo espaço entre as poltronas.

Na outra fileira, um brucutu, com caneta e um monte de papéis no bolso da camisa de manga curta, ronca altíssimo. Ninguém merece. Minha mulher diz que às vezes faço o mesmo. Não acredito. Ela fala isso só quando está na TPM.

Ao meu lado um casal mais idoso e elegante. Ele começou a ler um livro, mas adormeceu logo. Ela folheia a Vogue. Ele veste calça cáqui, camisa azul clara com gravata marinho e blazer clássico, marinho com botões dourados. Ela, um terninho azul marinho, com lenço de seda no pescoço. Bolsa Gucci, bagagem de mão Louis Vuitton, tudo original. Ele pousa serenamente a mão sobre a perna dela. Quando acorda, ela carinhosamente lhe ajeita os cabelos brancos. Acho comovente a intimidade e o afeto entre eles, after all.

Isolada na primeira fileira viaja a veterana atriz a quem as rugas dignas inviabilizam novos papéis de protagonista em telenovelas. Ela conserva ares de quem não perde a majestade. Pura ilusão.

“Tripulação, preparar para o pouso”. Acabei a cerveja.

domingo, 6 de março de 2011

Até a Sandy

Sandy deu o que falar nesta semana. O que falar, eu disse. A cantora, ex-ela & Júnior, é a nova estrela da campanha da cervejaria Devassa, em substituição a realmente devassa Paris Hilton, gelada demais até mesmo para uma cerveja. Em propaganda, vale a máxima de Oscar Wilde: “Não importa que falem mal, desde que falem de mim”.


Sandy, como todos sabem, tem sua imagem atrelada à castidade e a um bom-mocismo que beira a chatice. Tem o rosto bonito, mas aquela cara de que a qualquer momento pode se internar em um convento. O mote da campanha é “todo mundo tem um lado devassa.” No caso, da Sandy, é difícil de acreditar. Mas tudo bem, o jogo é este mesmo. O antagonismo entre sua imagem e a da cerveja. Achei a escolha acertada e gosto da campanha. Ruim seria se todo mundo tivesse um lado Sandy santa.

Putas e santas habitam o imaginário masculino. As putas para satisfazer nossos desejos e fantasias. As santas, porque queremos corrompê-las. Lembre-se do clássico da literatura “As ligações perigosas”, de Choderlos de Laclos.

Logo pipocaram na internet entrevistas anteriores à campanha, em que Sandy declara não gostar de cerveja e afirma só gostar “de bebida docinha.” Ah, que mimo. E qual o problema dela só beber cerveja mediante cachê? Eu também só beberia Devassa se me pagassem. Além disso, alguém acredita que a Xuxa só usava produtos Monange e a Tônia Carrero, Leite de Aveia Davene? Hellooouu!

No primeiro filme da campanha, Sandy sobe ao palco do bar, ameaça um strip e uma dancinha com a cadeira. No segundo filme, Sandy diz o texto com propriedade, é convincente. Mas aí ela dança “Conga”(da saudosa Gretchen, precursora das popozudas hipertrofiadas) sobre o balcão de um bar. Bem, sobre sua performance, ela é bem humorada, mas posso dizer que a minha querida vovozinha faria algo mais sensual...

Sandy também estará no camarote da cervejaria durante o Carnaval carioca na Marquês de Sapucaí. Pelo jeito, será um calmarote.






ps.: se quiser ler sobre a campanha da Devassa com a Paris Hilton, clique aqui
http://mardecoisa.blogspot.com/2010/02/devassidao-gelada.html  e  http://mardecoisa.blogspot.com/2010/03/puritana.html

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Devassidão gelada

A cervejaria Devassa contratou a socialite-faz-nada-só-gosta-de-aparecer Paris Hilton como garota propaganda. Os executivos da companhia traduziram “devassa” como “hot” e ela topou. Just for fun, presumo, porque de grana ela não precisa. Se por um lado a escolha é acertada em função da reputação da moça, regada a baladas jet-set, bagaceiras e vídeos pornôs amadores que vazaram na web, por outro lado, ela não é o estilo brasileiro e, internacionalmente, há quem diga que ela é notícia de ontem.


Mas a campanha está fazendo barulhinho bom. No Carnaval carioca, muita gente se incomodou com a presença da loura-magricela-desbundada-desocupada (vale dizer que se eu tivesse a grana que ela tem – com papai sendo dono da rede de hotéis Hilton – eu também seria um desocupado).

O filme foi ao ar e o Conselho Nacional de Autorregulamentação publicitária recebeu queixas e abriu três processos, porque supostamente o filme estimula o consumo excessivo de álcool e denigre a imagem da mulher. É porque no item 3, relativo ao Princípio da Responsabilidade Social, do Anexo A, sobre bebidas alcoólicas, o Código registra: “eventuais apelos à sensualidade não constituirão o principal conteúdo da mensagem; modelos publicitários jamais serão tratados como objeto sexual;”

O filme é bem realizado (embora a cena da praia embasbacada seja over), bonito, tem ótima trilha sonora, Paris Hilton está sensual e, quanto ao aspecto moral, julgue você mesmo. Por mim, o filme fica no ar, sem problema algum. Aliás, a polêmica só o beneficia.

Eu acho que toda mulher tem que saber como e quando ser bem devassa. Homens também.

No mais, a Devassa é como a Paris. Nem é tão gostosa assim, mas daria para encarar numa boa. Se eu fosse solteiro.




Ps.: Em 1/3, a Schin/Devassa anunciou a retirada do ar deste filme, embora tenha afirmado que o filme não é ofensivo ao Código do Conar. E você, o que acha?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Correndo 200 ml




Eu faço turismo numa academia perto da minha casa. Dessas modernas, bem equipadas, com milhões de tvs de plasma, aparelhos de última geração contando batimentos, calorias, e com lugar para conectar o ipod nas esteiras que só faltam falar.

Não é a minha primeira incursão (ou excursão, depende do ponto de vista) às academias. Fiz isso já uma dezena de vocês. Em nenhuma consegui permanecer sequer um semestre, tempo que seria suficiente para dar uma ajeitada no visual e melhorar o condicionamento de quem fumou durante metade da vida.

Meu corpo é um sedentário convicto. Meu cérebro só não tem preguiça para inventar desculpas para eu não ir malhar. Faz isso diariamente. Por outro lado, ele não trabalha o bastante para preencher os intermináveis 40 minutos na esteira. Não tenho conteúdo para pensar em tanta coisa enquanto corro.

Outro dia, enquanto eu quase morria para correr a 9 Km/h, um sujeito ao meu lado estava a 12,5 Km/h e com a maior cara de que estava fácil. A academia me deprime. Tem uns caras sarados, sem barriga e com bíceps definidos, que eu nunca terei. Eu os invejo. E tem um monte de mulheres esculturais, com aquelas roupas de ginástica coladas ao corpo. Mulheres com as quais, mesmo que eu fosse solteiro e rico, eu não teria a menor chance.

É por isso que eu bebo.

E agora sei que faço a coisa certa. Estudo divulgado no início deste mês pelo Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) da Espanha afirma que, além de matar a sede e relaxar, a cerveja ajuda na recuperação metabolismo hormonal e imunológico depois da prática desportiva de alto rendimento e também favorece a prevenção de dores musculares

O estudo recomenda o consumo de três tulipas de 200 ml de cerveja para homens e duas para mulheres por dia. O intervalo indicado para a cervejinha da hidratação é de duas horas antes ou depois de suar.

Tá na hora agora.



ps.: Uma amiga me conta que viu no vestiário da academia uma mulher passando um creme anti-celulite chamado Balea Body. Balea Body??!! Isso é que é piada pronta, nem precisei suar.