Mostrando postagens com marcador amizade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amizade. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pequena crônica sobre amizade e amor

Eu tenho um amigo, também escritor, 21 anos (uma maioridade!) mais velho do que eu. Eu o chamo, afetuosamente, de Bwana. Nesses 13 anos de amizade, ele me ensinou tanto quanto um pai. Com ele, aprendi sobre a vida, sobre a aventura de ser humano, sobre relacionamentos, sobre literatura.

Um fato ilustra bem a figura. Certa vez, fomos ao Maracanã assistir a um jogo do Flamengo e, para forrar o pedaço da arquibancada em que ele iria sentar-se, sacou uma edição do Le Monde Diplomatique.

Almoçamos juntos nessa semana e, como de hábito, bebemos vinho e falamos sobre mulheres, livros, planos, política (aqui sempre discordamos: ele cisma que eu sou de direita), viagens, trabalho, dinheiro, futebol, “sei lá, mil coisas”. Então ele me perguntou se estou escrevendo poesia.

Respondi que quase nada. Pedi licença para me valer de um clichê, mas a verdade é que ando feliz demais para escrever.

Ele me disse que é, sim, um clichê. Mas dispensou minhas desculpas. Uma verdade não chega à toa a clichê, afirmou.

Eu estou serenamente feliz. Eu (quase) não escrevo mais poesia. A culpa é da minha mulher.

E eu lhe sou eternamente grato.