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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O bom Frejat e os piores versos


Frejat faz show hoje à noite no carioquíssimo Circo Voador, na Lapa, para promover o seu terceiro álbum solo, “Intimidade entre estranhos”.

Frejat faz um bom pop rock, com um pé fincado no blues, é bom compositor, e atende nos quesitos cantor e guitarrista, melhor neste do que no primeiro, já que a voz é razoavelmente limitada. Frejat faz boas canções, bons discos, bons shows, fez uma tremenda dupla com o saudoso Cazuza e, solo ou no Barão, merece atenção, respeito e apreço. Além disso, é gente boa e tem opiniões sólidas sobre questões importantes. Em suma, eu gosto do Frejat.

Este disco – ótimo título! – é puxado por “Eu não quero brigar mais não”. Que, por sinal, também é boa. Mas....

Ela traz um escorregão – um senhor estabaco, na verdade – na letra. Na ânsia aflita de rimar lé com cré, Frejat comete o verso “Somos Bambam e Pedrita”. E compromete toda a música.

Frejat conseguiu superar o maior hit maker do pop rock brasileiro, o grande Lulu Santos, ao cunhar esta pérola de péssimo verso. O troféu Pior Verso da História antes cabia a “Às vezes eu me sinto uma mola encolhida”, que quase estragava “Toda forma de amor”.

É, toda forma de amar vale a pena. Perdoemos o bom Frejat.

Quem quiser compor esse pódio de versos inesquecíveis, no naipe dos acima citados, é só postar um comentário....

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Fé no ofício

Acontece hoje, às 19h, na Livraria da Travessa no Shopping Leblon, o lançamento do livro de poemas "Privação de Sentidos", de Mariza Tavares.


"Ofício

Não espere o verso fácil
a rima que se encaixa no fluir das palavras.
Este ofício é duro e áspero.
Tem cheiro acre
de coisa pisada.
Rotina de cavar
remendar
atritar
onde se esmerilha sem cessar.
Até o osso,
até a exposição impiedosa,
um pouco além do limite do suportável."
(Mariza Tavares)


Sobre o nosso ofício de fingidores que chegamos a fingir a dor que deveras sentimos, publico também poema de Márcio Bezerra, do Acre, que pesquei na rede no http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/acre/marcio_bezerra.html

"Ossos do ofício

1
escrever é mover pedras
em sinfonia com o acaso
em religião com o supérfluo
procurando construções
para uma morada distante
onde o infinito seja onde
e o eterno seja quando

2
tenho um punhado de pedras
ferindo-me as mãos como quem
colhe num campo de sonhos
um galho de navalhas

3
poemas são navalhas
que crescem do estomago
em diante"
(Márcio Bezerra)