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terça-feira, 21 de junho de 2011

Barrigas e dentes

Conversa informal, mesa do bar, pós-trabalho. Alguns, amigos há tempos. Outros, melhores amigos há dez minutos.


Papo vai, papo vem, ela diz, sem mais, que não gosta de homem sarado. Porque o homem sarado, de abdômen tanquinho, vai cobrar dela que seja sarada também. Muita pressão. Mulher sofre. Ela diz ao meu amigo que prefere um cara com uma barriguinha, para que eles possam tomar uma cervejinha e se divertirem juntos, sem neuras.

Eu mandei avisar que a minha barriga é maior que a do meu amigo. Em vão. Meu sagaz amigo é quem conquista a moça que não gosta de tanquinhos. Diz que o importante é a roupa lavada. E que é melhor usar a máquina.

Horas depois, o destino faz com que meu amigo Brastemp e a moça de franjinha que não gosta de sarados sentem-se lado a lado nas poltronas apertadas da TAM.

Chamaram-no para trocar de lugar. Ele, claro, recusou, usando um argumento racional. Tinha que ficar naquela poltrona porque vai que o avião cai e para identificá-lo, precisam saber que ele estava na poltrona definida no check-in.

Se encontrassem sua arcada dentária, estaria sorrindo.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Se achando em casa



Na hora do almoço, fui dar uma caminhada digestiva. Para completar os sessenta minutos regulamentares, entrei no shopping, à toa, para flanar, ver as vitrines e as moças bonitas, usufruir do ar-condicionado.

Atraído pela palavra mágica “Liquidação”, fui olhar a Zara. Embora a loja tenha pelo menos uma dúzia de provadores, um rapaz experimentava camisas sem a menor cerimônia, exibindo o tronco (sem duplo sentido, galera!) no meio da seção masculina. Por que simplesmente não usa uma das cabines, que estão lá para isso? Estavam quase todas desocupadas.

Esgotado o tempo livre do almoço, subi de volta ao escritório. No elevador cheio, um executivo de uma multinacional, de terno e gravata, sapatos italianos, palita os dentes, acintosamente, sem a menor cerimônia. Com direito àquele ruído típico de quem tenta expulsar um pedaço de carne de entre os dentes. Por que simplesmente não esperou chegar ao banheiro e fez isso discretamente usando fio dental? A classe não está na carteira.

Ou eu sou um chato ou o mundo está cada dia mais deselegante.