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terça-feira, 30 de julho de 2013

O silêncio de cada um

Mal se sentam à mesa ao lado e os dois jovens casais pedem à garçonete que fotografe seus sorrisos congelados em momento de euforia fabricada para consumo externo.  Click feito, foto postada nas redes sociais imediatamente.  Os quatro então se voltam para seus smartphones por vários minutos. O silêncio é interrompido quando uma das mulheres comenta que já tinha cinco curtidas na foto. E voltam a mergulhar no cristal líquido das telas. A interação é essa, virtual.

Não difere muito da nossa, real. Permanecemos calados observando o movimento ao redor e cortando o silêncio com pontuais comentários ácidos.

Ao mirar o espelho, eu faria um sobre a melancolia dos casais antigos.


Mas preferi calar.

sábado, 18 de abril de 2009

O poder da gata




A intimidade me permite chamar a melancolia de mel e a felicidade de fel.

Um cara que escreve isso (no caso, eu mesmo, no poema “Versos Sobre”, publicado no livro Lâmina do Adeus, em 2002) evidentemente curte melancolia. Em prosa, verso e canção.

Por isso, ao ler que o site Entertainment Weekly publicou a lista das 25 melhores músicas de partir o coração de todos os tempos, fui dar uma conferida num sábado de sol. Entre velhas conhecidas e novidades, a vice-campeã era "I've been loving you too long", composição de 1965 de Otis Redding. Mas um detalhe me chamou a atenção: tinha que ser a versão de Cat Power.

Fui atrás no You Tube. Nossa, que deprê, e como canta bem e como é bonita! E aí como um vídeo leva a outro, fui navegando no mar de coisa de Cat Power disponível na internet. E me apaixonei. Cat Power é o nome da banda que se confunde com sua líder, a cantora, compositora e guitarrista Chan Marshall. O Cat Power faz uma música que segue pelo sadcore, rock e indie-rock, com letras autorais e intimistas. Tem um quê de Tom Waits de saia. Um quê de Portishead, de Beth Gibbons.

Chan Marsall nasceu em 1972 em Atlanta, Geórgia (EUA), e adolescente mudou-se para Nova York. Lançou o primeiro disco, “Dear Sir”, em 1995. Seu mais recente álbum, “Jukebox”, é só de covers com seleção de repertório de primeira linha. Foi lançado em 2008 e é o oitavo da carreira. Sucede seu trabalho de maior sucesso, o aclamado “The Greatest”, de 2006. Naquele mesmo ano, ela passou meses internada para se livrar da dependência química em álcool e drogas.

Marshall faz uma charmosa ponta como a ex-mulher de Jude Law, naquele filmaço que é “My blueberry nights” (“Um Beijo Roubado”), co-estrelado por outra excelente cantora, a Norah Jones.

Quase doeu saber que ela esteve no Brasil (não no Rio) no ano passado e eu perdi. Ainda bem que existe o Google. E o You Tube. E a Amazon. E a Trama. E os downloads...