
A Folha de S.Paulo dedica um espaço enorme na edição de hoje à Lei Antifumo do Serra: chamada de capa, três páginas da editoria Cotidiano, e capa e a página três do caderno de cultura, a Ilustrada.
O ator Antonio Fagundes, que estréia o monólogo “Restos”, de Neil LaBute, no dia 20 em São Paulo avisou que vai desafiar a lei e acender cigarros em cena. Seu personagem é fumante inveterado que faz reflexões nostálgicas enquanto o corpo da mulher, recém falecida de câncer, é velado. Diz Fagundes:
“Vou peitar isso e fumar. Temos um problema de censura. É um precedente grave se a gente não fala nada. Fiquei surpreso que os fumantes tenham ficado quietos. O brasileiro está muito quieto para tudo. Espero que os fumantes não votem nas pessoas que aprovaram essa lei. É engraçado porque parece que o Serra é ex-fumante. Não tem coisa pior do que ex”.
Não sei se o Serra é ex-fumante ou não. Eu não sou. Sou um fumante que está sem fumar há dois anos e sete meses. Mas já avisei à minha mulher que quando eu estiver lá pelos 80 anos, chegando na prorrogação, indo para os pênaltis, eu volto, porque fumar, mesmo sendo prejudicial à saúde, é, sim, uma delícia. Para mim. Você pode pensar diferente, ok?
O que não pode é proibir ator de fumar em cena. Isso faz parte da caracterização do personagem. Proibir o ator de fumar em cena é, sem eufemismos, censura. E fumantes e não fumantes não podem se calar diante da censura.
No mais, eu discordo do Fagundes. Não tenho nada contra as minhas ex.
