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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Dinheiro na mão



Por força do trabalho, faço quase à força um curso de mercado de capitais. Nada contra, mas é que sou louro e fiz comunicação. Meu cérebro só reconhece arquivos .doc. No máximo, .txt. Um .xls já é demais para minha cabeça.

Para as contas que não constam da tabuada que decorei menino uso, sem pudor, uma calculadora. E, óbvio, que não é uma hp.

Enfim, tenho uma professora competente, simpática e esforçada para inserir algum conteúdo nessa minha cabeça de vento. Vou chamá-la aqui de Tia Penha, singela homenagem à apresentadora de programa infantil que não gostava de crianças. Personagem do ator Marcelo Médici, na hilária “Cada um com seus pobrema”.

Entre os cerca de 20 alunos, estamos cinco de comunicação, estranhos no ninho nessa prestigiosa escola de administração e finanças. Estamos aqui para melhor entender o economês, idioma de muitos dos nossos entrevistados, e para termos condições de escrever matérias melhores. Somos, naturalmente, os burrinhos da turma. Desde a primeira aula, Tia Penha pergunta se “o pessoal da comunicação está conseguindo entender?” Porque se nós estamos,...

Hoje, em um exercício, Tia Penha perguntou o que eu faria se ganhasse R$ 1 milhão na loteria. De pronto, pensei:
a) pediria demissão
b) torraria a grana
c) sumiria por uns tempos
d) não deixaria “prima” pobre
e) todas as alternativas acima.

A resposta correta era, sim, a letra “e”. Só que a redação sugerida por Tia Penha era:
e) nenhuma das respostas anteriores (n.r.a., para os íntimos das provas de múltipla escolha).

Tia Penha exasperava-se com minha índole perdulária e hedonista. Buscava a todo custo (opa!) convencer-me do que é “certo” fazer.

Segundo ela, eu deveria aplicar o dinheiro provisoriamente num investimento com liquidez diária, que desse 100% da taxa CDI, até efetuar um planejamento de longo prazo. Sugeria reservar ao menos 10% do dinheiro para a aposentadoria.

Na seqüência, o planejamento de médio prazo. Comprar um apartamento, por exemplo.

Finalmente, o planejamento de curto prazo. Comprar um carro, talvez.
As melhores opções de investimento seriam definidas conforme a meta estabelecida para cada período do planejamento.

Prioritariamente, o longo prazo. Tia Penha não está errada, não. Mas é que, para mim, “...dinheiro na mão é vendaval....”

Lembro de uma cena do filme “Meu nome não é Johnny”, em que um traficante diz que está saindo do negócio porque realizou o objetivo de ganhar US$ 1 milhão. Johnny então responde que seu objetivo é gastar US$ 1 milhão.

Qual o seu objetivo? Onde está o seu maior prazer?

sábado, 6 de dezembro de 2008

Dinheiro vivo


Li nesta semana no Estado S.Paulo, coluna da Sonia Racy, que “o escritor mineiro Murilo Carvalho já resolveu o que vai fazer com parte do dinheiro que ganhou com o Prêmio Leya de Literatura: ‘Vou gastar com livros, mulheres e vinhos’”.

Acrescente viagens a essa lista tríplice e não consigo imaginar melhor uso para o dinheiro.

E é dinheiro pacas: 100.000 € (cem mil euros). O Prêmio Leya tem o objetivo de apoiar os autores que escrevem em Português e contribuir para a sua maior difusão na área geográfica da língua portuguesa e em todo o mundo. Do concurso podem participar autores que, independentemente da sua nacionalidade, escrevam em português e que apresentem romances inéditos e nunca premiados.

Méritos ao Murilo Carvalho pelo prêmio e pelo destino que dará a uma parte da grana.

Frase mais antiga, atribuída ao jornalista e humorista Jaguar diz: “Metade do meu dinheiro eu gastei com bebida e mulheres. A outra metade eu desperdicei mesmo.”