Foto: Elton Melo, 2006
Mas, enfim, é o Dunga quem convoca o time e ele escolheu de acordo com os seus questionáveis critérios. Alegou uma tal coerência e, de fato, não supreendeu. Fez o que dele se esperava, à exceção do Grafite que, na ponta do lápis, não sei se joga tanta bola assim (Apesar desse gol antológico que fez pelo Wolfsburg: http://www.youtube.com/watch?v=Ow-g7nOLTUE.) Mas achei justa a exclusão de um craque de peso, o Adriano.
Queremos raça, e não robertos carlos de meião e salto alto, mas convocar o goleiro Doni porque ele brigou com seu time para participar de um amistoso da seleção, me parece uma questão muito mais de comprometimento do que futebolística. Kleberson, que é reserva do Toró no Flamengo, e Grafite também contrariam o critério de que foram construindo sua história na seleção “tijolinho a tijolinho”, como disse o técnico. Kleberson foi penta, mas nunca jogou sob o comando de Dunga e Grafite jogou 26 minutos e “ganhou a vaga em cinco minutos”. Mas que atire a primeira bola quem nunca foi incoerente.
Se a Seleção ganhar – e pode ser que ganhe – Dunga vira Mestre. Se perder, no máximo, fica sem emprego por alguns meses.
Dunga fez a convocação utilizando um discurso patriótico, na linha de que os jogadores estão prontos a se doar pelo País. Eu não sou patriota. Não canto o Hino Nacional. Torço por dois times de futebol, o Flamengo e o Brasil, aliás, acho até que mais pelo primeiro do que pelo segundo.
Que mané “pátria de chuteiras”! Tô fora, Nelson Rodrigues. O filósofo Bertrand Russell definiu bem essa bobagem: “Patriotismo é a disposição de matar e ser morto por razões triviais”. Eu não morreria pela pátria, nem viveria sem razões.
ps.: Como sugestão de leitura, segue o link para o texto de um blogueiro que não conheço, mas que externa uma visão muito próxima a minha sobre patriotismo.
http://adrianodsa.wordpress.com/2008/05/17/sobre-o-patriotismo/

