Já mencionei aqui no blog o perrengue que passei para comprar ingressos do show do U2 em São Paulo, em 2006. Foram catorze horas na fila graças aos (des)organizadores do evento. O horário de início das vendas atrasou, o sistema travou, informação não chegava, polícia ficou tocaiando, idosos alugados tendo prioridade para comprar os ingressos – obviamente, não encontrei nenhum velhinho saracoteando no show. A partir de um determinado momento, sair de lá com o ingresso virou questão de honra. Se já fiquei 6 horas, agora fico 8. Agora que já fiquei 13 horas, fico mais uma. Ao final do calvário, saí de lá com um voucher para ser trocado futuramente pelo ingresso. Valeu a pena, o show foi inesquecível.
Recentemente, fui ao show do REM. Os anúncios divulgavam o valor do ingresso inteiro de pista por R$ 200. Absurdamente caro, mas a gente junta os trocados, invade a área do cheque especial, parcela no cartão, mas não desperdiça a oportunidade de assistir a uma das bandas favoritas. A gente faz um tremendo esforço para se enganar e acreditar no tal do custo Brasil, país periférico,distante, fretes e bilhetes aéreos caros, cachês vultosos para fazer os artistas se deslocarem até os trópicos, pagos em dólar ou euros, a disseminação das carteiras de estudante falsificadas que impedem o empresário de cobrar um preço mais justo etc etc etc
Parênteses para o dilema de Tostines: se falsifica tanto CD e DVD porque eles são caros ou eles são caros porque o povo falsifica? . Tem tanta carteira de estudante falsa porque os ingressos para show, cinema, teatro são caros ou ....
Mas eu falava dos R$ 200 anunciados. Fui a um ponto de venda dos ingressos, Lojas Americanas, levando os R$ 200 em cash. Lá, o atendente fez meu cadastro e comprou o meu ingresso pelo site. Ora, isso eu poderia ter feito de qualquer lugar, não precisava ter ido ao ponto de venda. Aliás, no ponto de venda, o único meio de pagamento disponível era cartão de crédito. E me cobraram a taxa de conveniência de R$ 30. E me entregaram um voucher para eu trocar na bilheteria do local antes do show e pagar outra taxa de R$ 5. Conveniência de quê? Para quem? Além disso, se a inconveniente taxa é obrigatória, então, o preço do ingresso não é R$ 200, como anunciado. É R$ 230.
Também já postei há tempos a via crucis para comprar ingresso para o show da Madonna que acontecerá em dezembro. Depois do caos inicial (vide textos de 6 e 13.set.2008) , anunciaram show extra. Mais adiante, os organizadores inovaram. Introduziram o conceito de “redisponibilização” de ingressos. Ou seja, depois de afirmar que os tíquetes para o show do dia 14 de dezembro estavam esgotados, eles ressuscitaram. Nesta semana, mais uma pérola. Quem comprou o ingresso pelo telefone, não vai mais recebê-lo em casa, como prometido. Agora será preciso retirá-lo em um local determinado e ainda pagar R$ 8 de taxa de impressão! Oito reais, porque a tinta de impressão é o líquido mais caro do mundo (sério, mais do que petróleo) e o preço do papel está pela hora da morte.
Eu agora também vou cobrar taxa de conveniência. Cansei de ser otário de graça.
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
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