Mostrando postagens com marcador abstêmio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador abstêmio. Mostrar todas as postagens

sábado, 22 de maio de 2010

Desculpa aí, Rafael


Hoje é sábado, noite certa de blitz da Operação Lei Seca. Longe de mim ser abstêmio, mas eu apóio e não tuíto. Há uns anos, bebi demais e, de madrugada, eu dormi ao volante e não fiz uma curva (sim, existem curvas em Brasília). Por sorte, o meu carro foi o único ferido no acidente.


Recentemente, jantei num japa com a minha mulher e bebi uma única long neck, uma Cerpinha estupidamente gelada, incapaz de afetar minha capacidade de direção. Ao voltar para casa, blitz em Ipanema. O policial se identificou como Rafael, muito educado, pediu habilitação e documento do carro, tudo em ordem. Perguntou se eu havia bebido. Eu não sabia o quanto minha resposta poderia influenciar a interpretação do policial sobre o resultado do teste e, meio no reflexo e na covardia, menti. Respondi apenas que não.

O policial perguntou se eu me incomodaria em fazer o teste. Claro que não, eu disse. Eu havia ingerido álcool há cerca de uma hora e, depois, comido sobremesa e bebido café. Ele me mostrou o bico descartável em embalagem plástica fechada e me orientou a soprar no bafômetro duas vezes.

Olhando para o visor do aparelho, o policial disse: “O limite é até 10 pontos e o seu teste deu 3. Ok, tudo bem, pode seguir adiante.”

Então, emendou a frase que foi mortal: “Mas o senhor mentiu para mim. O senhor disse que não havia bebido”.

Eu morri de vergonha. De verdade, eu queria um buraco para enfiar a minha cara. Me senti péssimo pelo meu comportamento, por ter caído na armadilha da mentira fácil e tão desnecessária. E, sim, nessa vida eu já menti em coisas mais sérias para pessoas queridas e muito mais importantes para mim do que o policial Rafael.

E aqui, expio minha culpa. Sou humano, demasiado humano.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Rock 'n 'Richards


Keith Richards. Desenho de Sebastian Kruger.


Se o rock’n’roll pudesse ser personificado, para mim, ele seria Keith Richards, o lendário guitarrista dos Rolling Stones.

Pois eis que hoje li notícia de que o doidão de carteirinha, aos 66 anos, está há quatro meses sem beber. A decisão foi motivada por recomendações médicas e também por ver a vida de seu companheiro de banda Ronnie Wood afundar devido ao alcoolismo. Bem, Richards já viu coisas muito piores – inclusive dentro dos Stones – e ele não me parece o tipo de cara que se impressiona facilmente.

Longe de mim fazer apologia de uma doença devastadora como o alcoolismo, mas ver Keith Richards abstêmio é, no mínimo, inusitado. Afinal, o cara sempre foi um reservatório ambulante de álcool, drogas e cigarros. Sua sobrevivência até hoje – em condições até razoáveis, dados os excessos – devia ser estudada pela ciência.

Ex-viciado em heroína, Richards declarou em 2006 que havia parado também com as outras drogas. “- Eu realmente acho que a qualidade das drogas caiu”, foi como ele justificou na ocasião.

Foi mais ou menos nessa época que ele disse – e depois o empresário desdisse – ter cheirado as cinzas do próprio pai, misturadas à cocaína, como forma de homenagear o velho. Antropofágico, à sua maneira.

Com ou sem álcool, vida longa ao rock, vida longa ao Keith. E que, sóbrio, ele não vire Rod Stewart.

Cheers!