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terça-feira, 17 de novembro de 2009

500 dias ou pra sempre



No mesmo dia da semana passada, uma amiga, no almoço, e um amigo no chopp noturno, me indicaram um filme despretensioso e muito bom: “500 dias com ela” (“500 days of Summer”). Não pude deixar de assistir.

Um cara romântico se apaixona por uma mulher que só quer se divertir sem compromisso. O barato é que é ele quem tem as atitudes e os sentimentos mais comuns de serem encontrados nas mulheres, e vice-versa. Como por exemplo, tentar interpretar cada sílaba do que ela fala ou querer um rótulo para definir a relação deles. Já ela avisa logo de cara que não quer compromisso.

A história é contada em narrativa não cronológica, mas bem amarrada em um roteiro divertido, no qual a alternância de emoções é intensa ao longo dos tais 500 dias. As piadas, literalmente presentes da primeira à última cena, são ótimas.

Joseph Gordon-Levitt, que parece uma versão mais franzina e morena de Heath Ledger, vive Tom, o arquiteto frustrado que ganha a vida escrevendo mensagens em cartões e se apaixona por Summer (Daí o trocadilho no título original), a garota que não acredita no amor. Ela é interpretada por Zooey Deschanel, que lembra a cantora Katy Perry e às vezes lança olhares e sorrisos à la Meg Ryan.

Em sua leveza, o filme nos convida a refletir sobre nossas aspirações, nossos desejos às vezes sufocantes, a crueldade do mito do “feitos para um o outro”, “da pessoa certa pra mim”. Faz pensar também sobre como dramatizamos as relações e como superamos os “amores de nossas vidas”. Mas tudo de modo fluente, com graça, sem aprofundamentos mais sérios.

Há cerca de um mês, assisti a outro filme que faz pensar sobre amor e destino, liberdade e fatalidade: “The Time Traveler's Wife”. Fui ver só porque boto muita fé nas dicas de uma amiga que tinha visto o filme nos EUA. O problema é que o título em português ficou brega de assustar: “Te amarei para sempre”. Raro caso em que era melhor fazer uma tradução literal. “A mulher do viajante do tempo” seria bem mais instigante. Aliás, a versão em livro optou por esse título.

Não me arrependi de aceitar a indicação. Se "500 dias com ela" é mais engraçado, "Te amarei para sempre" é bem emocionante. A despeito da inverossimilhança (um cara com mutação genética é capaz de viajar no tempo),o filme é, em essência, uma história de amor e de (não)escolhas. Ele viaja no tempo, indo e vindo, e visita a mulher com quem se casaria desde que ela era uma criança. Já ela cresceu sabendo o que lhe aconteceria. Limitada a um destino, quais eram suas reais possibilidades de escolha?

Bem, a sua liberdade de escolha inclui, entre milhões de outras, aceitar ou rejeitar essas duas dicas de filmes.